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16.1.19

«Precisamos de Ti para isso.»

«Meu Deus. Que Estás no Reino do Céu, que é dentro de nós. [...] [U]m céu. Precisamos de Ti para isso. O Inferno podemos nós próprios fazê-lo.»

__ Margaret Atwood, A História de uma Serva, 1.ª ed [trad. Rosa Amorim]. Lisboa: Bertrand Editora, 2013, p. 223.

8.11.18

«o Homem como ele realmente é»

«AAcabámos por conhecer o Homem como ele realmente é. Afinal, o homem é aquele ser que inventou as câmaras de gás de Auschwitz; contudo, é igualmente aquele ser que entrou nas câmaras de gás de cabeça erguida, com um «Pai-Nosso» ou «Shemá Israel» nos lábios.»

__ Viktor Emil Frankl.O homem em busca de um sentido [trad. do inglês de Artur J. Gonçalves], 6.ª ed. Lisboa: Lua de Papel, 2017, p. 132.

26.5.15

uma possibilidade de definição [13]

«Elizabethtown» [2005]. Argumento e direcção de Cameron Crowe.
daqui

5.11.14

cool & calm

«[T he successful person] is always prepared. Even in failure, he is composed. He is not easily discouraged. [He] considers his struggles to be a kind of sport, and he approaches them as he would a game. He contends with life's difficulties in a relaxed and pleasant manner. He keeps a clear head even when things go wrong. And please believe me when I tell you: successful people are never sore losers; they're the ones who don't whine and give up after every failure. Indeed, they are the ones who keep their chins up, weather life's misfortunes, and live to fight another day. Who will be first to fail the test? The timid and the faint of heart. The whiners, the complainers. He who goes to the exam cool and calm is already halfway there. Such people are in great demand today. That is, I believe, the secret of success

Water Benjamin cit. in
Rosenthal, Lecia (ed.) - Radio Benjamin (Jonathan Lutes (trad.)). London: Verso, 2014
.

22.4.14

razões para abril [2]

Da direita para a esquerda, vê-se um elemento da PIDE, um padre da Igreja Católica e cinco populares, cuja identidade não foi possível identificar. Portugal. s.d. [durante o período do "Estado Novo"]
fonte: web

«O professor hoje, em Portugal, vive com dificuldade de vida e com medo, esse terrível medo que se apoderou da quase totalidade da população portuguesa. [...]
A coisa vai mesmo mais longe - a política do medo não atingiu apenas uma determinada camada social ou profissão. Não, essa política foi a todos os sectores da vida nacional e a todos os núcleos da actividade privada e pública, procurando transformar-nos num povo aterrado, reduzido à condição deprimente de passarmos a vida a desconfiar uns dos outros. Mas o que é mais curioso, nesta questão, é que, ao fim e ao cabo, não se conseguiu apenas que os pequenos tenham medo uns dos outros e dos grandes, ou os indivíduos tenham medo das instituições. O próprio Estado foi vítima do seu jogo e acabou por ser tomado de medo dos cidadãos. Pois não é verdade que é a Polícia política quem supervisa, hoje, o recrutamento dos funcionários e até dos investigadores científicos? Porque é senão por medo, que se gasta mais com a segurança do que com a instrução primária? E porque é ainda, senão por medo, que se fazem eleições livres? De forma que, temos de o concluir, a primeira coisa a fazer para sermos gente é extrair o medo dos corações dos portugueses, fazendo deles homens generoso e fortes, libertados da grilheta da mais aviltante das escravidões

Bento de Jesus Caraça - Aspectos do Problema Cultural Português.
Sessão realizada pelo MUD em 30 de Novembro de 1946
.

7.4.14

nunca como os outros

Os colóquios dos penalistas nunca foram como os outros. No "Medalha Beccaria: entrega a Jorge de Figueiredo Dias", que decorreu na sexta-feira, o Professor Arroyo Zapatero referiu expressamente o fado que Patxi Andión compôs e canta com Ana Moura e citou Pessoa:

Vaga, no azul amplo solta,
vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta
não é o que estou chorando.


Depois de uns segundos em suspenso, retomou-se o tema das sanções penais. Os colóquios dos penalistas nunca serão como os outros.

© [m.m. botelho]. 2014.
A mesa do Colóquio "Medalha Beccaria: entrega a Jorge de Figueiredo Dias", 04.04.2014, FDUC. Da esquerda para a direita, vêem-se: Luigi Foffani (Professore Ordinario na Università di Modena e Reggio Emilia e Secretário-Geral-Adjunto da SIDS), Stella Maris Martínez (Defensora General de la Nación Argentina), José de Faria Costa (Provedor de Justiça e Professor Catedrático na FDUC), António dos Santos Justo (Presidente e Professor Catedrático na FDUC), Joaquim Ramos de Carvalho (vice-Reitor da UC e Professor Auxiliar na FLUC), Jorge de Figueiredo Dias (Professor Catedrático na FDUC), Luis Arroyo Zapatero (Professor Catedrático na Facultad de Derecho y Ciencias Sociales da Universidad de Castilla La Mancha e Presidente da SIDS) e Anabela Miranda Rodrigues (Presidente do IDPEE e Professora Catedrática na FDUC).

© [m.m.b.]

26.3.14

razões para abril [1]


Parada da «Mocidade Portuguesa», 1 de Dezembro de 1940, Lisboa.
[fonte: Fototeca do Palácio Foz, Lisboa]
In Fernando Rosas (coord.) - Estado Novo. Lisboa: Editorial Estampa, 1994

«[Q]uando o deus tonitroante e dogmático dos exércitos, das pátrias, dos profetas salvíficos e dos caudilhos desce à terra, a atmosfera da liberdade fica rarefeita e estiola até à asfixia.
E quando morre a atmosfera da liberdade, da política como experiência humana do erro e da sua rectificação, morrem também os cidadãos, transformados em átomos, em membros de um rebanho social pronto a oferecer-se em imolação pelas mais sórdidas e vazias das causas

Viriato Soromenho-Marques - A Era da Cidadania.
Mem Martins: Publicações Europa-América, 1996, p. 38
.

20.2.14

é tudo adopção, mas não é tudo a mesma coisa

Parece bastante óbvia a razão da escolha do termo "co-adopção" para designar a realidade sobre a qual se pretende legislar em casais de pessoas do mesmo sexo. Não se trata de "adopção" pura e simples, uma vez que o vínculo jurídico que se pretende regular é aquele que só surge na sequência de uma adopção singular ou uma maternidade ou paternidade biológicas pré-existente em relação a um dos membros do casal. Esse vínculo biológico pré-existente com um dos membros do casal, mais a circunstância de haver um casamento ou uma união de facto, serão sempre requisitos obrigatórios para que o membro do casal com quem o menor não tem vínculo de filiação possa "co-adoptar".
Não é juridicamente correcto, por isso, falar em mera "adopção", pois trata-se de realidades distintas. É necessário destrinçar esta realidade como se distingue "adopção singular" e "adopção conjunta", ou seja, a adopção feita por apenas uma pessoa (adopção singular) ou pelos dois membros de um casal em simultâneo (adopção conjunta). Na "co-adopção" há, repito, um vínculo de filiação prévio com um dos membros do casal e será esta característica a marcar a diferença em relação às outras modalidades de adopção.
Parece bastante óbvia a razão da escolha do termo "co-adopção", dizia eu, mas isso não significa que o melhor termo seja, de facto, "co-adopção", palavra com a qual, de resto, sempre embirrei um bocadinho. Não gosto do termo, mas compreendo a necessidade da sua distintiva existência e, por isso, acabei por aceitá-lo, até porque apesar de impróprio, é sempre preferível à mera designação "adopção".
No acórdão n.º 176/2014, divulgado hoje, em que se pronuncia sobre as questões que o PSD propôs integrarem o referendo sobre a questão, o Tribunal Constitucional debruça-se sobre o rigor da terminologia, tão indispensável ao discurso jurídico, e opta por uma designação que subscrevo e julgo ser preferível à de "co-adopção". Fala o acórdão em "adopção sucessiva" (expressão já usada pela doutrina para se referir à adopção do filho do cônjuge prevista no art. 13.º do Regime Jurídico da Adopção). Lê-se, a dado passo, no citado acórdão do TC:
«É evidente que, no âmbito do instituto da adoção, coadoção e adoção conjunta são conceitos distintos. A lei civil faz a distinção entre adoção conjunta e adoção singular, conforme for feita por um casal (por duas pessoas casadas ou que vivam em união de facto) ou por uma só pessoa, casada ou não casada (cfr. artigo 1979.º). Mas a definição de coadoção não resulta da lei, até porque se exclui a possibilidade de em relação ao mesmo adotado coexistirem duas relações de paternidade ou maternidade adotiva (artigo 1975.º). Apenas se permite que um casado ou unido de facto de sexo diferente possa adotar (adoção singular) o filho biológico ou adotivo do seu cônjuge (n.ºs 2 e 5 do artigo 1979.º). Em rigor, coadoção parece ser um conceito inadequado para significar, quer a adoção do filho biológico do cônjuge ou unido de facto, quer a adoção do seu filho adotivo, pois se este já foi adotado, o melhor termo para representar tal realidade parece ser a adoção sucessiva» [s.n.o.].

Seria bom, pois, que o termo "co-adopção" fosse substituído nos discursos pela designação "adopção sucessiva", já que esta permite identificar a realidade diferente a que se refere e é mais rigorosa.

[Imagino que um grande número de pessoas a quem estas precisões técnicas não diga muito ache que é tudo adopção e ponto final!, que as distinções terminológicas são dispensáveis, que só servem para complicar, "nhénhénhé", mas para tipos como eu o Direito é belo também por causa destas suas características, deste seu discurso ímpar, deste constante apelo a fazer pensar. Para tipos como eu há uma ligeiríssima comoção sempre que as peças do puzzle se encaixam um pouco melhor, o mato é desbravado, as linhas ficam mais rectas. No fundo, uma satisfação indizível quando no Direito algo se concretiza, se compreende, se densifica.]

© [m.m. botelho]

29.1.14

disciplina de veto


«The hustler» [1961], de Robert Rossen
[fonte: web]
«N
ada é mais forte do que uma ideia cujo tempo chegou».
Provérbio alemão

9.1.14

compreender


Paul McCartney. 25.03.1966. Vale Studios, Londres.
[fonte: web]

«Repito: compreender não significa negar o revoltante, deduzir o inaudito dos precedentes ou explicar fenómenos por meio de analogias e generalidades tais que se deixa de sentir o impacte da realidade e o choque da experiência. Significa antes examinar e suportar conscientemente o fardo que os acontecimentos colocaram sobre nós - sem negar a sua existência nem vergar humildemente com o seu peso, como se tudo o que de facto aconteceu não pudesse ter acontecido de outra forma. Compreender significa, em suma, encarar a realidade, espontânea e atentamente, e resistir a ela - qualquer que ela seja ou possa ter sido.»

Hannah Arendt - As origens do totalitarismo, 4.ª ed.
Lisboa: Publicações D. Quixote, 2010, p. XVIII.

6.5.13

«sê todo em cada coisa.»


© FBA. e Almedina [2013]

Este é um momento de grande satisfação académica e pessoal para mim. A minha dissertação de Mestrado, intitulada «Utilização das técnicas de ADN no âmbito jurídico. Em especial, os problemas jurídico-penais da criação de uma base de dados de ADN para fins de investigação criminal em Portugal», foi agora publicada pela Almedina, na colecção «Monografias». A partir de hoje, está à venda no site da editora e ainda esta semana estará disponível nas livrarias e em todo o mercado livreiro.

Trabalhei muito para esta dissertação, cujo projecto foi apresentado e aprovado pelo Conselho Científico da Universidade do Minho no tempo em que a Reforma de Bolonha não existia. Sabia que o esforço teria de ser enorme e que era uma empreitada investigar este assunto.

Parti praticamente do zero no que à produção científica nacional nesta área dizia respeito (havia partes de obras que referiam a «prova científica» e uns quantos artigos em publicações periódicas sobre o tema). Fui às bibliotecas e pesquisei nos catálogos sozinha. Fartei-me de tirar cópias e apontamentos. Li muito. Trabalhei horas a fio, dias seguidos, noites inteiras, para produzir um texto do qual me orgulhasse e muito próximo do que foi dado à estampa (este, foi obviamente melhorado aqui e ali, como explico em «Nota Prévia»). Abdiquei de muitos prazeres para poder fazer esta dissertação sem nunca parar de trabalhar como Advogada, estudar e sujeitar-me a exames de outras muitas matérias jurídicas em simultâneo. Passei férias de laptop e livros atrás, estive muitas vezes em muito lado com a cabeça no que tinha para ler e escrever, senti algumas angústias e o receio de não ser capaz de fazer isto com o nível de exigência que eu mesma me impunha. Sobrevivi a tudo isso.

À conclusão da escrita da dissertação, seguiu-se a entrega do texto e o aval do Conselho Científico da EDUM, que designou júri para a defesa. Depois, veio a defesa em prova oral pública, na qual a Arguente, a Professora Doutora Helena Moniz, de quem eu já havia sido aluna de Direito Penal em Coimbra e a quem conhecia bem a exigência, além de um rigorosíssimo juízo crítico, me colocou cerca de sessenta questões (embora eu não tenha podido responder a todas, em face da limitação temporal). Após uma prova de noventa minutos, seguiram-se alguns outros de espera pela decisão final. E no dezassete por unanimidade que me foi atribuído começou o sentimento do dever cumprido e a alegria da meta alcançada. Mas eu não queria ficar por ali.

Revi o texto e apresentei-o à Almedina. O trabalho teve de passar por todos os crivos editoriais e, ainda, por aquele que o actual estado da economia do País impõe a uma monografia desta natureza: a consideração dos riscos económicos do investimento. E passou. Seguiram-se três revisões do texto, o convite ao Professor Mário Monte para redigir o «Prefácio» e aguardar o tempo que leva a impressão e o acabamento de uma obra.

Finalmente, vi descer a luz sobre um livro de capa preta, com uma barra verde-água, escrito por mim. Eis a minha dissertação de Mestrado, com a qual espero poder contribuir, ainda que seja de forma mínima, para o avanço do «estado das artes». A minha maior satisfação, sem dúvida alguma, será poder assistir a isso.

Por isso, não sei quem serão, mas não posso deixar de agradecer, desde já, a todos quantos venham a adquirir e a ler a obra e, também, a todos quantos entendam ser a mesma meritória de divulgação entre os potenciais interessados que conheçam: muito obrigada.

© [m.m. botelho]


«Para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive.»
Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa.
Odes [1.ª publ. in «Atena» , n.º 1. Lisboa: Out. 1924.]

25.4.13

«esta é a madrugada que eu esperava»


caligrafia e © [m.m. botelho]

«Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.
Sophia de Mello Breyner Andresen
O nome das coisas [1977]

12.3.13

«that sounds crazy»


[visto aqui]

«Every medical advancement started with the statement "that sounds crazy".»
Derek Shepherd [interpretado por Patrick Dempsey], em Grey's Anatomy

O mesmo poderá dizer-se de alguns desafios que aceitamos e a que nos propomos, de algumas reviravoltas que imprimimos à nossa vida e que nos fazem ficar de pernas para o ar. Oxalá sejam avanços, quando tudo o que desejamos é que sejam, mais do que tudo, avanços.

© [m.m. botelho]

12.2.13

«faltará procura dentro do teu ser» [?/.]


«somos a fachada de uma coisa morta
e a vida como que a bater à nossa porta
quando formos velhos, se um dia formos velhos
quem irá querer saber quem tinha razão
de olhos na falésia espera pelo vento
ele dá-te a direcção

ninguém é quem queria ser
eu queria ser
ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém

a idade é oca e não pode ser motivo
estás a ver o mundo feito um velho arquivo
eu caminho e canto pela estrada fora
e o que era mentira pode ser verdade agora
se o cifrão sustenta a química da vida
porque tens ainda medo de morrer
faltará dinheiro
faltará cultura
faltará procura dentro do teu ser

ninguém é quem queria ser
eu queria ser
ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém

diz-me se ainda esperas encontrar o sentido
mesmo sendo avesso a vê-lo em ti vestido
não tens de olhar sem gosto
nem de gostar sem ver
ninguém é quem queria ser

ninguém é quem queria ser
eu queria ser
ninguém é quem queria ser
eu queria ser ninguém»


«Foge Foge Bandido», projecto de Manel Cruz. «Ninguém é quem queria ser».
Do álbum «O amor dá-me tesão/Não fui eu que estraguei» [2008].

Bom Carnaval, hoje e sempre.
Amen.
[Porque não é preciso dizer mais nada.]

© [m.m. botelho]

5.7.12

instantâneos [52]

[a afirmação é de Conan O'Brien]
[visto aqui]

Seguindo as instruções e acreditando que assim será.

© [m.m. botelho]

29.6.12

se consegues imaginá-lo, consegues fazê-lo

«I
magination
is the foundation of reality
do Simple Diary, Volume One, Taschen [2011].

10.6.12

no homicídio como nas relações humanas

«O conceito de meio insidioso abrange [...] várias situações envolventes de meios ou expedientes com relevante carga de perfídia, bem como os particularmente perigosos que tornam difícil ou impossível a defesa da vítima. Abrange a espera, a emboscada, o disfarce, a surpresa, a traição, a aleivosia, o excesso de poder, o abuso de confiança ou qualquer fraude [...]. Entre os meios insidiosos conta-se a traição, entendida como ataque súbito e sorrateiro, atingindo a vítima descuidada ou confiante que, assim, fica praticamente impossibilitada de esboçar qualquer gesto de defesa, pois não se apercebe de que está a ser objecto de um atentado.»

[excertos de três acórdãos do STJ sobre o homicídio qualificado]

[No homicídio, como nas relações humanas, mutatis mutandis, como nós, juristas, gostamos de dizer - para os que forem de opinião de que há alguma coisa a adaptar. Com a nota de que no homicídio, como nas relações humanas, ainda ninguém foi capaz de elaborar eficazmente o modo de cometimento do chamado crime perfeito.]

© [m.m. botelho]

30.4.12

lágrimas

«A

s lágrimas são um sentimento, não são uma debilidade.»

Paulo de Sacadura Cabral Portas, em 29.04.2012,
no discurso que proferiu na sessão evocativa em memória do irmão,
Miguel, falecido em 24.04.2012, aos 53 anos, vítima de cancro no pulmão.

[Não podia concordar mais. Chorar nunca me pareceu sinal de fraqueza, mas antes de dor e a dor é, efectivamente, um sentimento. Todavia, para dar lugar às lágrimas é necessário admitir que se sente, que algo nos magoa, que o corpo ou a alma nos dói e isso exige coragem. Talvez seja por isso que apenas alguns deixam rolar o choro, enquanto outros o evitam. Cada um é como é e sobre isso não há muito a fazer. O que importa é que se tenha a dignidade de admitir que existe, de facto, uma diferença entre uns e outros.]

© [m.m. botelho]

21.2.12

carnaval

«I
f one does only what needs to be done,
one most likely shall never have fun
do Simple Diary, Volume One, Taschen [2011].

8.2.12

«amigos para sempre»

«Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer.
Nesta semana, tenho almoçado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, não vejo há muitos anos. Cada um começa a falar comigo como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos.
Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera - e está - na massa do sangue: a excitação de contar coisas e a alegria de partilhar ninharias; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que estão há que décadas por realizar.
Há grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca concordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas têm a fazer é verem-se cada vez que podem. É verdade que, mesmo tendo passado dez anos, é como se nos tivéssemos visto ontem. Mas, mesmo assim, sente-se o prazer inencontrável de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar. O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há. Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida
Miguel Esteves Cardoso,
«Público», 05.02.2011
.

[O Miguel Esteves Cardoso escreveu este texto, que eu guardei na memória, há mais de um ano. Hoje, continuo a acreditar que será assim com muito poucos amigos de cada um de nós, mas que pode, de facto, ser assim. É por isso que é tão importante que as pessoas não desperdicem os encontros que a vida proporciona, aparentemente por acaso. É por isso que é tão importante que as pessoas não se desperdicem.]

© [m.m. botelho]

eu

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