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23.10.16

as minhas aventuras nos tribunais portugueses [9]

Escreve o Advogado, nas suas nadas doutas alegações: «Finalmente, não junta a Requerente qualquer extracto de contas bancárias, pelo que nenhuma prova existe de que inexistem contas bancárias».

© [m.m. botelho]

31.1.15

«so incredibly high»

© John Atkinson
fonte: wrong hands

[m. is listening to The Beatles.]

1.5.14

ainda por cima, num feriado


«Hum?!» The Beatles. 1965.
[fonte: web]

Percebes que andas demasiado absorvida pelo trabalho quando tens a seguinte conversa:
F. - Ontem li um artigo...
Eu - De que Código?
F. - ... da «Visão», mesmo.

© [m.m.b.]

9.7.12

amor e processo penal

Uma possível declaração de amor entre dois juristas [de preferência, penalistas]: «Como ensina o Professor Doutor Costa Andrade, eu e tu somos como as proibições de prova e o regime das nulidades: realidades distintas e autónomas, mas com uma "imbricação íntima".»

© [m.m. botelho]

6.7.12

«a vida não é uma droga»

Humor negro é um tipo usar um saco com a inscrição «A vida não é uma droga!», disponibilizado gratuitamente pelo Instituto da Droga e Toxicodependência, para guardar... pastilhas de ectasy.

[Não parece, mas é mesmo verídico: trata-se de um objecto apreendido pela PJ numa busca. Se em vez de ectasy fosse cocaína, seria "humor branco".]

© [m.m. botelho]

14.1.12

poesia escatológica

«Neste lugar sagrado
Onde a vaidade acaba
Todo o cobarde faz força,
Todo o valente se caga.»


[Lido num dos WC para homens - sim, sou muito distraída - da FDUC. Resta acrescentar que o poema teria cabimento em qualquer sala desta casa onde se realizem provas orais.]

© [m.m. botelho]

7.12.11

descubra as diferenças

Encomenda na loja online da «Apple» em 25/11/2011 (produto imediatamente disponível, com prazo de entrega em cinco dias úteis, dizem eles): entrega em 29/11/2011 (note-se que dias 26 e 27/11 foram sábado e domingo);
Encomenda na loja online da «FNAC» em 25/11/2011 (produto imediatamente disponível, com pedido de entrega por CTT Express, o que equivale a entrega no prazo de um dia útil, dizem eles): entrega em 07/12/2011.

[Parece que não é só no Reino da Dinamarca que algo está podre, caro Hamlet. Na República de Portugal e no que respeita às compras via lojas online, as coisas também já conheceram dias bem melhores.]

© [m.m. botelho]

23.11.11

isto não parece, mas também é um texto sobre moda

Embora isto me custe horrores a admitir, consta que eu e o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa teremos, alegadamente, alguns pontos em comum: somos ambos juristas, somos adeptos do Sporting de Braga, dormimos poucas horas por noite, dizemos bastantes disparates quando nos pomos a falar sobre Direito Penal, lemos bastante e gostamos de usar gravatas azuis.

Agora que o quadro ficou profundamente negro, posso desmentir os factos enunciados em segundo, quarto e sexto lugares, visto que eu nem sei muito bem o que é ser adepta de um clube mas gosto muito do Sporting Clube de Portugal, digo bastante menos tolices do que o Professor Marcelo quando falo de Direito Penal (sigo a regra básica de não falar do que não domino) e não gosto nem uso gravata, seja de que cor for, até porque não assenta bem no meu estilo de rapariga jovem e urbana "hype", "cool", "fashion", "whatever you want to call it because I don't give a damn", como facilmente se compreenderá.

Isto tudo para dizer que durmo pouco e, consequentemente, como não consigo estar mais do que dois ou três minutos parada e na mesma posição a não ser que esteja a dormir (Freud que explique que eu agora não tenho tempo), tenho bastante tendência para ocupar as horas em que o Senhor Morfeu não me quer por sua conta a ler, a estudar, a investigar e a fazer o que me dá na real gana, visto que só há uma TV em minha casa, só tem quatro canais e eu não tenho pachorra para estar sentada ou deitada a olhar para ela (geralmente, quando a tenho ligada, estou também a ler ou no computador) e evito ligá-la depois da meia-noite e meia, a não ser ao sábado, se algum filme da «Sessão Dupla» da RTP2 me interessar e eu estiver por casa (isto eu explico, não é preciso Freud: chama-se "autodisciplina", que é uma coisa que custa imenso, mas tem de ser).

Assim sendo, em algumas dessas horas em que não estou a dormir, passo os olhos por uma variedade enorme de tipos de escrita, entre as quais blogues, claro, e não cesso de me espantar com uma relativamente recente tipologia - vou chamar-lhe assim - de blogues que surgiu e que são os das "dicas para a poupança e para a organização das casas e dos locais de trabalho", tudo com vista a combater a crise e a ter mais uns trocos no bolso, por poucos que sejam, no final do mês.

E não cesso de me espantar com a quantidade de aparentes "novidades" que por ali vejo serem referidas, como grandes descobertas de poupança, em pleno século XXI, como se ainda fosse possível descobrir alguma coisa no século XXI, ainda para mais relacionada com a economia e o capitalismo e afins, mas está bem. Passo a exemplificar:
- comprar garrafões de água e reencher em casa as garrafas que se levam para o trabalho ou se usam nas malas fica mais barato do que comprar garrafas pequenas de água;
- comprar pão e fazer sanduíches em casa para o lanche fica mais barato do que ir lanchar ao café, do que comprar o lanche nas máquinas ou do que comer "barritas", bolachas e outros produtos pré-embalados que se compram no supermercado;
- usar os transportes públicos ou andar de bicicleta fica mais barato do que usar o carro;
- usar esferográficas de recarga fica mais barato do que usar canetas não recarregáveis;
e por aí fora, que o rol de exemplos poderia nunca mais ter fim, desde juntar uma caneca de água ao detergente líquido da máquina de lavar roupa para o fazer render até beber um enorme copo de água antes das refeições para ter menos fome, logo, comer menos, logo, poupar dinheiro na comida.

Todas estas "sugestões" me espantam, por dois motivos: ou porque são coisas que eu já faço há anos e que me foram incutidas desde sempre e não porque "veio a crise"; ou porque são coisas simplesmente absurdas e que não revelam intuito de poupança, mas uma avidez cega de não gastar dinheiro, seja a que custo for.

Acho graça (estou a ser irónica, claro) ao facto de haver tantos artigos em revistas, jornais e blogues com ideias que certamente jamais me ocorreriam (e eu sou muito imaginativa!) sobre "poupança". É que a maior parte dessas ideias são as chamadas ideias do "8", porque são impulsionadas pela crise, já que no resto do tempo, o português gosta de viver no "80", ou seja, como se nunca fosse existir um período menos farto na economia (eu devo ter sido a única alma que estudou Economia e Finanças neste país, eu, que nem sequer sou economista, e por isso devo ser a única que sabe que estes períodos são... cíclicos!). Ora, como a vida do português é vivida sempre no "80", quando chega a necessidade, é preciso ir para o "8", isto é, tomar medidas drásticas, "adicionar água ao detergente da máquina de lavar a roupa" (!) e disparates do género.

Pessoas que foram educadas como eu fui educada, sempre viveram com tudo o que precisaram, mas apenas com o que precisaram. Isto significa que sempre tiveram tudo, mas apenas na exacta medida das suas necessidades, tendo-lhes sido incutida a ideia de que o que não era necessário não deveria ser comprado e o dinheiro teria de ser poupado para alturas em que as coisas viessem a ser necessárias, mas não houvesse liquidez para as comprar. É por isso que uns têm de alterar radicalmente os seus hábitos de vida por causa da crise e outros não. E eu, felizmente, sou das que não tem de os alterar por aí além.

Continuo a comprar o que me é preciso, mas só o que me é preciso. Não poupo mais por estar em crise, poupo exactamente o mesmo que poupava, simplesmente porque eu sempre poupei o máximo que podia poupar (após feitos os gastos exclusivamente necessários aos meus confortos e às minhas necessidades).

Não posso dizer que não sinto os efeitos da crise. É óbvio que sinto, já que consigo poupar menos do que o que poupava e que, porque na minha profissão, dependo da procura e, simplificando a coisa, sou uma prestadora de serviços que, em muitas situações, não são serviços essenciais, a procura diminuiu, afectando os meus dividendos. Todavia, não precisei de alterar comportamentos meus por causa da crise, apenas tive de me adaptar à alteração de factores externos que escapam ao meu controle. Adaptar, que é como quem diz, aceitar, e ponderar e passar a desempenhar outras tarefas que me proporcionem outras fontes de rendimento.

Admito que me choca ler os comentários de pessoas dizendo que ideias como as que citei acima são óptimas e que vão já po-las em prática. Só me ocorre perguntar-lhes se a massa cerebral com que foram presenteadas lhes serve para alguma coisa, se nem para concluir que é mais barato reencher garrafas de água com água do garrafão do que comprar garrafas pequenas lhes serviu até que veio um iluminado e o escreveu num blogue. Imagino a alegria daquela gente quando vier o derradeiro messias anunciar-lhes que se reencherem as garrafas com água da torneira (que é potável!) fica ainda mais barato. Se calhar, nesse dia não comentam: têm uma apoplexia causada pela descoberta e finam-se logo ali. Espero é que se tenham informado previamente sobre o preço dos féretros. É que dizem por aí que até a corriqueira madeira de pinho está pela hora da morte. O melhor, mesmo, é começar a usar a técnica de reenchimento também para os esquifes. Usa-se só para o ofício fúnebre e depois, pelo sim, pelo não, enterra-se só o cadáver e guarda-se a urna em casa, não vá morrer mais alguém e ter-se outra despesa em que, literalmente, "se vai enterrar dinheiro sem retorno". Ah! Se eu comentasse nos blogues de poupança é que era!

Enfim, tudo isto para dizer que a maioria dos portugueses tem características nas quais não me revejo nada, nadinha e que me entristecem muito quando sou confrontada com elas e que a forma como os portugueses lidam com o dinheiro é uma delas pois, como já dizia a minha sábia bisavó Teodosa, «o dinheiro não tem ciência ganhá-lo, mas gastá-lo» e «o dinheiro não é de quem o ganha, mas de quem o poupa».

[Isto não é um post, é um lençol de palavreado. E pensar que tudo começou com uma comparação com o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa. Me-do.]

© [m.m. botelho]

21.11.11

como, por exemplo, a de coveira

Sabes que estás perto de alcançar um elevadíssimo estado de paciência e autossacrifício quando estás consciente de que terás uma semana q.b. atribulada [porque a tua agenda to "grita" de cada vez que a abres] e há alguém que, depois de te ter enchido os ouvidos com coisas que não interessam a ninguém em "repeat mode" numa reunião que poderia ter demorado 15 minutos mas demorou duas horas [e só terminou porque tu te levantaste da cadeira e vieste para as escadas numa óbvia mensagem de «está na hora de te pores a andar daqui para fora»], se despede de ti sorrindo e dizendo «bom fim-de-semana» como quem diz «gostei muito deste bocadinho».

É nesse momento que não consegues conter as lágrimas e choras abundantemente e te ocorre, por breves momentos, que talvez devesses ter escolhido outra profissão como, por exemplo, a de coveira, porque talvez mais valha estar rodeada de mortos que nada dizem, do que de pessoas que te desejam «bom fim-de-semana» com toda a descontracção do mundo... à segunda-feira.

© [m.m. botelho]

10.11.11

«quando são maus é porque são bons»

Quase vinte e cinco minutos depois de estar a tentar convencer-me a comprar um gadget que faz biliões de coisas e de eu ter desconstruído todos os seus argumentos com grande facilidade usando apenas três contra-argumentos, que são estes:
1. o gadget que eu ia à loja comprar (muito mais barato, claro) desempenhava as funções que eu queria (não biliões, mas as que eu queria) na exacta medida da minha necessidade;
2. eu não precisava da função "x" naquele gadget que estava a ser-me impingido porque já tinha outro gadget que a fazia;
3. apesar de gadgetfreak eu só faço bons negócios, já que, como qualquer gadgetfreak que se preze eu sei quando é que vai sair a nova versão daquele gadget e também sei se posso comprá-lo online por metade do preço da comercialização das lojas portuguesas;
a funcionária da loja vira-se para mim e enceta o seguinte diálogo:

Ela - Ok, já vi que não vou conseguir convencê-la. Posso fazer-lhe uma pergunta?
Eu - Além dessa que acabou de fazer?
Eu - Sim, além desta (e sorri; eu consinto com a cabeça).
Ela - A senhora é Advogada?
Eu - Sou, sim.
Ela - Logo vi.
Eu - E viu como?
Ela - Porque é osso duro de roer. É má.
Eu - Má, eu? Olhe, que não, olhe que não.
Ela - É má, por isso é que é boa.
Eu - Se explicasse o que acabou de dizer, eu cá não me importava nada.
Ela - Eu explico. Olhe, infelizmente, já precisei de Advogados duas vezes na vida. A primeira vez foi quando fui despedida da loja onde trabalhava antes desta e a segunda foi por causa de um acidente de viação que tive. Por isso, os meus conhecidos pedem-me muitas vezes conselhos quando precisam e têm de escolher um Advogado e o que eu lhes digo sempre é: escolhe um que seja mau, porque quando são maus é porque são bons. É o que eu costumo dizer às pessoas.
Eu - Olhe, não sei se hei-de considerar isso como um elogio. É que eu não acho que seja má.
Ela - Quando eu digo "maus" é daqueles que são duros de roer, daqueles que dão luta. Claro que é um elogio. Ganhou-me por 1-0. Não vai levar o que eu lhe queria vender, mas o que veio cá comprar. Tem dúvidas de que é um elogio?
Eu - Tirarei as dúvidas por completo quando me aparecer alguém no escritório que me diga que vai recomendado pela Senhora.
Ela - 2-0! Pronto! Ganhou-me por 2-0! Eu não digo que se vê logo? Eu bem digo!

Moral da história: Não te metas com uma Advogada gadgetfreak que é boa porque é má, porque acabas a perder 2-0. Ou isso, ou outra coisa qualquer que agora não me ocorre, mas alguma moral isto deve ter.

© [m.m. botelho]

11.10.11

a "lasca no ponto"

Há coisas muito estranhas que podem acontecer-nos quando estamos numa loja a fazer compras (por acaso, estávamos a comprar lingerie), como, por exemplo, entrar a Mãe de um colega nosso da escola primária, senhora essa que nos conhece desde miúda (é importante frisar isto, meu Deus) e dizer-nos - a dita senhora - que nem estava a reconhecer-nos porque nós estamos "uma lasca", para depois comentar com a senhora da loja que o filho mais novo dela deveria era ter-se casado connosco, que nós "estamos... no ponto"!

[Palavra de honra que eu não acho isto normal! Não acho mesmo nada normal que uma mãe de família (que até já é avó) me classifique como "lasca" que está "no ponto". Se calhar nunca lhe ocorreu é que se estou assim, talvez seja porque nunca casei com o filho dela, aquele rapaz muito esforçado, que comprou e me ofereceu todos os cromos da única colecção que cheguei a completar - a d'«Os Caça-Fantasmas») na esperança de que eu, um dia, lhe agradecesse a oferenda com um beijinho, o que nunca sucedeu. A vida é mesmo assim: umas recebem os cromos das colecções e tornam-se "lascas", as outras... bom, as outras casam-se com eles e não é preciso dizer mais nada. Já sei, já sei, vou para o Inferno, mas pelo menos, vou... "no ponto".]

© [m.m. botelho]

30.4.11

«uma riqueza» e «muitas alegrias»

Sete e meia da manhã, dia de semana. Entro numa pastelaria na companhia de uma Amiga para experimentar uns famosos croissants da terra. Numa mesa, dois rapazes, provavelmente na década dos 20, visivelmente ainda sob o efeito do álcool ingerido madrugada fora.

Dirijo-me de imediato ao WC para lavar as mãos. Enquanto isso, ouço os dois sujeitos a tentar entabular conversa com a minha Amiga que, muito bem disposta, remata o assunto dizendo logo que nós não somos dali, que somos do Algarve. Um deles, aproveita logo para dizer à minha Amiga que a avó dele sempre lhe disse que ele era «uma riqueza». «Uma riqueza», repetia ela às gargalhadas quando me contou isto que eu já não ouvi.

Eu regresso à mesa. A minha Amiga levanta-se e é a vez dela de ir ao WC. Os dois totós desatam, então, a falar daquilo que conheciam sobre o Algarve, enquanto eu vou acenando pacientemente com a cabeça como se estivesse a sorver cada uma das suas palavras, fazendo apelo ao meu «lado Madre Teresa de Calcutá». É então que um dos sujeitos se levanta, vem ao pé de mim e pergunta se somos de Portimão. A minha Amiga, entretanto regressada, responde: «Qual Portimão! Somos de Faro!» e eu, completamente a leste do que ela lhes havia dito mais sobre nós enquanto eu estivera ausente, limito-me a sorrir.

O sujeito diz que Faro é uma terra linda, onde se pode ver isto e aquilo e que já lá esteve algumas vezes a passar férias e mais não sei o quê. A minha Amiga entra na brincadeira e fala-lhe da Ilha. Ele diz logo que já lá esteve. Eu continuo a sorrir, pensando já só nos elogiados croissants que em breve nos serão servidos.

Eis senão quando o tipo que está em pé me pergunta o meu nome. Eu, que não tenho queda para a mentira nem estou habituada a ter de lidar com estes marmelos logo de manhã, respondo «Marta». O outro fulano, sentado na outra mesa, pergunta «Marta quê?». Surpreendida pela questão, esbugalho os olhos e ele acrescenta «Sim, Marta é o primeiro, mas o último, como é o teu último nome?». Eu, feita parva, em vez de dizer «Silva» ou «Costa» ou outra coisa qualquer, digo mesmo «Botelho», enquanto a minha Amiga se ri e acha imensa graça à situação e me pergunta se eu não podia ter inventado um nome qualquer.

Entretanto, entra na pastelaria um amigo dos dois sujeitos e diz-lhes que paguem a conta para irem embora, que ele já ali está e tem o carro mal parado. O tipo que estava sentado pergunta-me se, por acaso, eu não quero dar-lhe o meu número de telemóvel. Eu sorrio e respondo «Claro que não». Ele pergunta se eu quero o dele e leva com a mesma explícita resposta.

É então que o tipo que estava em pé, junto à nossa mesa, se volta para mim e pede que olhe para ele, o que, meio-contrariada, lá faço. E sai-se com esta: «Marta Botelho, eu sou o Nuno [qualquer coisa que eu não percebi]. Fixa o meu nome, Marta Botelho. Sou o Nuno [outra vez o sobrenome que eu não percebi]. Fixa bem o meu nome, Marta Botelho, porque o meu nome ainda te vai dar muitas alegrias».

E foram-se embora. Eu e a minha Amiga ficámos atónitas com a situação [ela, obviamente, aproveitando-se da mesma para troçar de mim às gargalhadas e me lembrar que o rapaz era «uma riqueza», porque a avó dele lhe estava sempre a dizer que ele era «uma riqueza»]. Finalmente, lá vieram os afamados croissants e não houve mais conversa, só mesmo tempo para os devorar, deliciosos que são.

Nunca me tinha acontecido tal, mas bem diz o povo que «há sempre uma vez para tudo». A única coisa que me preocupa verdadeiramente, é que, pelos vistos, o tal «Nuno» ainda me vai dar muitas alegrias e eu nem sequer sei o sobrenome dele. Enfim, resta-me a esperança de que ele, que sabe o meu nome e o meu sobrenome, venha ao meu encontro para me mostrar que alegrias serão essas. Em todo o caso, sempre me fica uma hilariante história para contar aos netos: as coisas que podem acontecer-nos nas pastelarias daquela terra às sete e meia da manhã de um dia de semana.

© [m.m. botelho]

12.11.10

decrescente


Curiosa, a data de hoje, quando escrita.

© [m.m. botelho]

13.5.10

do fundo do baú

[clicar para aumentar]

O texto foi escrito por Carlos Quevedo, com a colaboração de Miguel Esteves Cardoso, para a extinta revista «K», a propósito da viagem que o Papa João Paulo II fez a Portugal (Fátima) nos dias 11 a 13 de Maio de 1991.

A fotografia é de uma página do livro «Já não em lembrava: Os delírios da K».

© [m.m. botelho]

19.4.10

as minhas aventuras nos tribunais portugueses [7]

O juiz - Então, o senhor é daqui?
O arguido - Ora bem, eu nasci em Cedofeita, mas fui feito em Angola.

23.1.10

«pior do que o governo»

© explodingdog [27.11.2009]

Para mal dos meus pecados, descobri que entre mim e o Governo existe, momentaneamente, um ponto comum: um prazo para terça-feira. O do Governo é para a apresentação do Orçamento de Estado, o meu é para uma revisão de um texto académico (e só foi definido ontem). Existem, depois, as grandes diferenças entre os métodos de trabalho. Para bem dos meus pecados, eu dependo só de mim, do meu empenho, das minhas capacidades. O Governo, pelo contrário, depende dos outros partidos, de acordos, de conveniências.

Nota: este exercício inútil de comparação serve o propósito de me autoconvencer de que a minha situação actual não é tão má quanto isso. É uma técnica como qualquer outra e teve como ponto de partida a célebre expressão popular «estou pior do que o Governo», usada em contexto financeiro. Até terça-feira, será suficientemente tranquilizador concluir que não estou pior do que o Governo. Necessito, apenas, de uma boa dose de dedicação, o que, convenhamos, é muito melhor do que precisar do CDS.

© Marta Madalena Botelho

17.12.09

sismo

© explodingdog [04.12.2006]

Há instantes (1h37), um sismo de intensidade 5.7 na escala de Richter foi sentido em todo o território nacional.
Já estou mesmo a ouvir os defensores do referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo a dizerem que a terra tremeu porque o Governo vai aprovar hoje a medida em Conselho de Ministros e, como escreveu a Margarida Rebelo Pinto, «não há coincidências».

Tenham medo, tenham muito medo.

© Marta Madalena Botelho

11.8.09

flag wars: o império contra-ataca

Era já dia 10 de Agosto de 2009 (passavam uns minutos da meia-noite) quando um grupo de quatro indivíduos do sexo masculino envergando máscaras de Darth Vader, numa acção conjunta, lograram substituir a bandeira do município de Lisboa pela da monarquia, no mastro do edifício dos Paços do Concelho. Munidos de um escadote e de uma boa dose de ousadia, subiram pela fachada do prédio até à varanda, galgaram para dentro, retiraram a bandeira com as armas da cidade e fizeram hastear aquele que foi o estandarte do país até ao dia 4 de Outubro de 1910.

O facto foi objecto de ampla cobertura mediática um pouco por todos os jornais, televisões, blogues e redes sociais. Afinal de contas, tratou-se de uma iniciativa de pessoas ligadas ao blogue «31 da Armada» (nomeadamente, Rodrigo Moita de Deus, um co-autor que assumiu publicamente ter idealizado e concretizado o momento), com direito a comunicado ao estilo MFA.

Há quem tenha visto isto com uma enorme preocupação: um bando de jovens sem qualquer respeito pelas instituições republicanas e democráticas tomou uma atitude inaceitável e que atenta contra os símbolos nacionais, profanando-os. «Crime!» – exclamam, insurgindo-se.

Outros conotaram o sucedido com o esplendor da silly season: com o país a banhos e sem motivo para olhos alerta e ouvidos à escusa a não ser o tema «Gripe A», a juventude precisa de se entreter com alguma coisa além de festivais de Verão e das touradas (sim, que também há sub-35 que gostam de ver lidar os toiros). Vai daí, inventam-se actos pseudo-heróicos que têm mais de divertimento do que de propósito político. «Coisa de pouca monta!» – pensam, enquanto espalham o bronzeador pelo corpo.

Em suma, onde uns encontram valentia, outros acham cobardia; onde uns vêem seriedade, outros notam inconsequência; onde uns vislumbram terrorismo, outros descortinam mero entretenimento de quatro enfants terribles; o que uns temem ter sido um perigoso episódio que abre precedentes, é por outros reduzido a um fait diver próprio de uma forte imaginação e excesso de tempo livre.

Bem vistas as coisas, o que aconteceu foi um pouco de todas estas coisas.e por um lado se tratou de um acto condenável e até criminoso, por outro lado, no que toca ao plano das motivações, parece que mais não foram do que a expressão de apoio à causa monárquica no ano de preparação das comemorações do centenário da República. Ainda que os próprios autores da façanha queiram estabelecer um paralelismo entre este acto e o modo como foi implantada a República em Portugal, é quase certo que bem sabiam que um e outro não teriam os mesmos efeitos.

O que ninguém poderá pôr em causa é o facto de este episódio ter permitido ao blogue «31 da Armada» beneficiar, por poucos dias que fosse, de um tremendo marketing à boleia dos blogues, do Twitter, da comunicação social e das próprias instituições (note-se que a Câmara Municipal apresentou queixa na PSP, o que irá dar necessariamente lugar a uma investigação criminal tutelada pelo Ministério Público). Desconheço quais serão os números de visitas ao blogue desde que a notícia foi veiculada, mas atrevo-me a dizer que tenham sido em sobejo número, muitas mais do que é costume.

Todos conhecemos como operam estes fenómenos e como a profusão de posts e links em blogues fazem muito mais pela movimentação de interesses do que uma manifestação de 5.000 pessoas. Um pouco de imaginação e arrojo são suficientes para dar início à engrenagem, já que tudo sucede por si mesmo, com a ressalva de que se o objectivo é mesmo derrubar a República será necessário bem mais do hastear de uma bandeira, com ou sem telegrama, com ou sem internet.

Aos que, como eu, consideraram o episódio pouco mais do que um mote para uma crónica, resta o consolo de saber que mais motivos de inspiração se aproximam, já estão prometidas outras acções anti-republicanas com o cunho do «31 da Armada» até Outubro de 2010.

E termino resumindo numa frase tudo o que penso sobre o acto protagonizado pelos quatro membros da "ala monárquica" do «31 da Armada»: «The Force is with you, young Skywalker, but you are not a Jedi yet».

Adenda (em 12.08.2009)

1. De acordo com a Agência Lusa, o Movimento do 31 da Armada (assim designado na notícia) quer agora proceder à troca da bandeira do município de Lisboa pela bandeira monárquica que foi hasteada. Eis mais uma demonstração da notória astúcia com que o grupo rendibiliza em termos mediáticos (e humorísticos) o acontecimento.

2. D. Duarte, pretendente ao trono português, pronunciou-se deste modo sobre o sucedido: «Estou muito satisfeito. Apoio todas as acções que se traduzam no reforço do sentimento de patriotismo e da divulgação do que é a história de Portugal». Assim ficámos a saber que, para D. Duarte, este episódio consiste numa acção patriótica e de divulgação da história nacional (!). O que o leva a assim pensar será, certamente, o pormenor do uso de máscaras de Darth Vader, sem dúvida muito históricas e tremendamente portuguesas...

[Também publicado em PNETcrónicas.]

© Marta Madalena Botelho

19.1.09

as minhas aventuras nos tribunais portugueses [5]

O juiz [dirigindo-se aos advogados] - Senhores doutores, quero dizer-lhes que vou dar os quesitos todos como provados, embora com uma ligeira alteração aqui e ali. Mas quero dizer-lhes também que só vou julgar a acção procedente porque me convenci sem margem para dúvidas do truca-truca. É que, nestas acções, é fundamental provar o truca-truca, porque tudo assenta nisto: sem truca-truca, não há direito.

© [m.m. botelho]

15.1.09

as minhas aventuras nos tribunais portugueses [3]

O juiz - Mas eles dormiam na mesma cama?
A testemunha - Dormiam, sim.
O juiz - E como é que a senhora sabe isso?
A testemunha - Porque vi.
O juiz - Ai viu?
A testemunha - Vi, sim. Eu cheguei a ir a casa deles e eles estarem na cama. Eu tinha chave, entrava, deixava as coisas e saía.
O juiz - E eles na cama?
A testemunha - Exactamente, e eles na cama.
O juiz - Mas ele podiam dormir juntos e não fazer sexo...
A testemunha - Faziam sexo, faziam, que eu sei que faziam.
O juiz - Ai sabe? Como é que sabe? Não me diga que também viu!
A testemunha - Ver nunca vi, mas eu sei que faziam e se o senhor doutor juiz quiser saber [baixando o tom de voz para surdina] eu até lhe explico porque é que ela nunca quis ter filhos dele!
O juiz - Não, deixe estar, não é preciso. Eu já estou convicto de que a senhora efectivamente pode afiançar que eles dormiam juntos e faziam sexo um com o outro, não precisa de contar mais nada. Afinal de contas, não queremos estar aqui a devassar a intimidade das pessoas...

© Marta Madalena Botelho

eu

[m.m. botelho] || Marta Madalena Botelho
blogues: viagens interditas [textos] || vermelho.intermitente [textos]
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algumas notas importantes sobre os direitos de autor

» O âmbito do direito de autor e os direitos conexos incidem a sua protecção sobre duas realidades: a tutela das obras e o reconhecimento dos respectivos direitos aos seus autores.
» O direito de autor protege as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas.
» Obras originais são as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu género, forma de expressão, mérito, modo de comunicação ou objecto.
» Uma obra encontra-se protegida, logo que é criada e fixada sob qualquer tipo de forma tangível de modo directo ou com a ajuda de uma máquina.
» A protecção das obras não está sujeita a formalização alguma. O direito de autor constitui-se pelo simples facto da criação, independentemente da sua divulgação, publicação, utilização ou registo.
» O titular da obra é, salvo estipulação em contrário, o seu criador.
» A obra não depende do conhecimento pelo público. Ela existe independente da sua divulgação, publicação, utilização ou exploração, apenas se lhe impondo, para beneficiar de protecção, que seja exteriorizada sob qualquer modo.
» O direito de autor pertence ao criador intelectual da obra, salvo disposição expressa em contrário.