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24.4.19

interdito!

Não tenho andado muito a par de novidades editoriais, nem sequer de promoções, mas hoje, Dia Mundial do Livro, imaginei que houvesse algumas e lá fui desgraçar-me. Na visita às lojas online e livrarias, pude aperceber-me de que há uma profusão de livros com palavras que eu chamo «ordinarices» no título. Ora, «ordinarices», também eu digo algumas, que uma mulher do Norte dificilmente escapa à tentação do alívio cientificamente provado que certos vocábulos em vernáculo puro e duro causam, mas jamais me ocorreria publicar um livro com o título Desenmerda-te* (não sei que mais) - confesso que tenho mais o que decorar do que estes títulos maravilhosos.
Já não bastavam os auto-ajudantes de meia-tigela estrangeiros publicarem livros inteiramente desprovidos de conteúdo com algum interesse cujos títulos não são mais do que soundbytes rascas, agora também temos portugueses a aderir à moda? E eu até falo com algum conhecimento de causa, porque li o A subtil arte de dizer que se f-buraco-de-bala-da da primeira à última página e posso afirmar que foi do tempo mais desperdiçado da minha vida, tanto que de cada vez que me lembro de que li aquilo, só me dão ganas de me autoflagelar com uma disciplina até sangrar.

Por Teutates! Andámos séculos a aprimorar as boas-maneiras, a educação, o saber-estar para virem estes nem-sei-o-que-lhes-chame em pleno século XXI conspurcar as livrarias com isto? Mete dó entrar numa FNAC ou numa Bertrand e olhar para o top de vendas: só livralhada com títulos reles!

Sai um pedido: deixem as livrarias em paz, se fazem favor. Afinal de contas, ainda são um dos poucos redutos de tranquilidade do mundo real realinho que eu vou tendo. Na literatura e na poesia - na arte - aceito tudo, mas na auto-ajuda não. Devia haver locais interditos à mediocridade. Posso sugerir as livrarias?

© [m.m.botelho]

29.10.18

não fraquejarão

O resultado das eleições de hoje no Brasil foi favorável a Bolsonaro, mas a verdade é que a sua ignorância, o seu atavismo, a sua falta de cultura democrática, a sua demagogia, o seu populismo, a sua homofobia, a sua xenofobia, o seu racismo, o seu machismo, a sua violência, o seu extremismo, o seu ódio, o seu isolacionismo, a sua incapacidade, o seu obscurantismo só vencerão alguma coisa no dia em que se calarem as vozes que o denunciam, o desmascaram e o combatem e isso, minhas caras e meus caros, não permitiremos que aconteça. A resistência seguirá e os braços e as gargantas não fraquejarão.

© [m.m.botelho]

25.5.17

«não», sem desculpas e, já agora, com ponto final

A crónica de Mariana Mortágua "O nosso direito ao «não»" que o JN publicou no dia 23.05 começa com o seguinte diálogo (imaginado):
"- Olá, como é que te chamas?
- Desculpa, não te conheço. Estou com os meus amigos.
- Vá lá, diz-me só como te chamas.
- Não quero mesmo falar, desculpa.
- Não? Porquê?
- Não quero...
- Anda lá, eu sei que queres!
- Não, não quero, estou ocupada.
- Achas que és boa, é?"


Não li o resto da crónica. Parei logo aqui, porque isto começa logo mal. Para se livrar do incómodo de quem tenta meter conversa, Mortágua põe na boca de uma jovem/mulher a palavra "desculpa" nas duas primeiras frases. Pedir desculpa de quê e para quê? Acaso não pretender dar conversa é motivo de culpa, para dizer "não" e imediatamente pedir ao interlocutor que nos perdoe?

O problema de muita gente não respeitar o espaço do outro reside muito nesta cultura do pedir desculpa por tudo e por nada, o que tem duas péssimas consequências: por um lado, torna a expressão banal e esvazia-a de conteúdo (hoje em dia, pedir desculpa não significa que se esteja consciente de que se praticou algo com culpa e se pretende que o outro nos releve a falta, para alívio da alminha ou de outra coisa qualquer, senão, basta pensar nos agressores de violência doméstica que imediatamente após a agressão pedem desculpa à vítima, para no mesmo dia ou no seguinte voltarem a socá-la); por outro lado, faz da pessoa que pede desculpa sem ter motivo para tal (porque nada que mereça reparo fez) faça figura de subserviente e a subserviência é, como se sabe, perversa, principalmente se é o próprio que sob ela se coloca.

E depois aquele "Não quero...". Ative-me nas reticência, esse sinal de pontuação tão mal usado, tão exageradamente usado. As reticências servem para dizer que quem fala teria algo mais a dizer, mas não diz, deixa apenas a impressão de que, talvez noutra circunstância o dissesse mas que, naquela, prefere deixar a frase a meio. Se a pessoa não quer, como parece ser o caso no diálogo transcrito, visto que já é a terceira vez que o diz (ainda que nas duas primeiras o faça por outras palavras), para que raio estão ali aquelas reticências? Não dava para dar um tom assertivo à resposta da jovem/mulher? É que o que se pretende, nessas situações, e mesmo assertividade, não deixar margem para dúvidas, pôr termo à conversa que está a desagradar e é contrária à vontade.

Podem parecer pormenores sem importância, mas não são. As palavras e a pontuação escolhidas para este diálogo são reflexo do que está gravado a ferros na grande maioria das pessoas: o "Desculpe lá!", o "Obrigadinha, mas não...", o "Por favor, não me incomode, se não der muito transtorno a V. Exa.". Esta subserviência parva e injustificada que apequena quem quer dizer "Não.", essa palavra tão essencial à sobrevivência porque demarca o limite do consentimento.

A propósito disto, costumo perguntar às pessoas se sabem como se distingue um português de qualquer outra pessoa de qualquer outra nacionalidade num pub em Londres. A resposta é simples: é o único tipo que chama o garçon dizendo "Sorry.". As pessoas, geralmente, riem, mas talvez não fosse má ideia que parassem um pouco e pensassem sobre isto.

© [m.m.b.]

18.6.15

realidades paralelas

«Bartoon» de ©Luís [2015]
[Rir é o único remédio.]

As conclusões relatadas no documento «Acesso aos cuidados de Saúde: um Direito em risco? Relatório de Primavera 2015», elaborado pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde [OPSS], são gravíssimas. Todavia, ontem os telejornais abriram todos com o regresso de férias de Jorge Jesus. Lá no meio das outras notícias, uma reportagenzinha com declarações do Secretário de Estado e Adjunto da Saúde. Ninguém perguntou nada sobre isto ao Primeiro-Ministro, ao Ministro da Saúde, a António Costa.

A malta que se dane a tomar a medicação diária apenas uma vez por semana e que coma os nutrientes do que a terra dá; que acorde às 6h da manhã para conseguir uma senha para ser vista por um médico que dá os ares de sua graça pela terra uma vez por semana; que durma na rua na noite anterior para conseguir uma das trinta senhas que dão acesso à colonoscopia com anestesia no dia seguinte; que espere horas a fio nas urgências, mesmo que a situação seja grave; que passe fome e sede porque não há quem lhe venha trazer comida ou bebida enquanto aguarda; que morra sem ninguém dar por isso numa maca, encostada no corredor das urgências; que dê à luz nas ambulâncias ou nos táxis, em suma, a malta que aguente e não seja piegas!

Os indicadores do Governo são contrários ao do OPSS, alega o Secretário de Estado. «O país está muito melhor», dizem uns, enquanto outros acenam mecanicamente com a cabeça em sinal de assentimento.

Eu e eles vivemos em realidades paralelas, certamente. A deles dourada; a minha escura como as paredes da caverna em que o país está a tornar-se.

© [m.m. botelho]

24.4.14

"nosotras que no somos como las demás"


Lupita Nyong'o por © Christian MacDonald para a «Vogue» [Jan. 2014]
[Talvez o vestido não seja inocente.]

Escreve Tânia Jesus, hoje, no «Público Life&Style», a propósito da distinção de Lupita Nyong'o pela revista "People" como a mulher mais bonita do mundo em 2014: «Este prémio da revista People, lançado em 1990, até 2014, só tinha sido entregue por três vezes a mulheres não caucasianas [...]».

Atente-se na subtileza da linguagem: «mulheres não caucasianas», como se o mundo se dividisse entre «mulheres caucasianas» e todas as outras que o não são. Interrogo-me sobre a necessidade da divisão, sobre a infelicidade da distinção, sobre o preconceito que evidencia a qualificação pela negativa.

Se optaram por definir algo pela negativa, interrogo-me, ainda, porque não optaram também por dizer que o prémio só distingue «não homens», já agora. Seria só mais evidentemente ridículo, mas, pelo menos, mais ridiculamente coerente.

[Nota: «Nosotras que no somos como las demás» é o título de um livro que Lucía Etxebarría publicou em 1999.]

© [m.m.b.]

18.3.14

demagogias parlamentares no dia da Mulher

No passado dia 7 de Março, o Parlamento aprovou para discussão na especialidade o projecto de lei n.º 522/XII, do BE, que, entre outras coisas, propõe a alteração da natureza semipública do crime de violação para pública. A propósito, escrevi um artigo de opinião que o P3 publicou online. Fica a ligação e um excerto.
Deve o Estado impôr a sujeição à investigação e julgamento destes crimes às vítimas, mesmo contra a sua vontade? Alcançar-se-á, assim, o equilíbrio, a concordância prática, entre as três finalidades do processo penal (a realização da justiça e a descoberta da verdade material, a protecção dos direitos fundamentais das pessoas envolvidas no processo e o restabelecimento da paz jurídica), que devem nortear a escolha legislativa sobre a natureza (pública, semi-pública ou particular) dos tipos de crime? A resposta é "não".

© [m.m.b.]

Adenda [em 2014.07.22] - Esta proposta do BE que havia sido aprovada na generalidade foi, em 21.07.2014, chumbada na especialidade.

20.2.14

k.o.


«Cool Hand Luke» [1967], de Stuart Rosenberg
[fonte: web]

A razão pela qual eu não escrevo sobre o referendo sobre a co-adopção em casais de pessoas do mesmo sexo é: não vai realizar-se um referendo sobre a co-adopção em casais de pessoas do mesmo sexo.

© [m.m. botelho]

é tudo adopção, mas não é tudo a mesma coisa

Parece bastante óbvia a razão da escolha do termo "co-adopção" para designar a realidade sobre a qual se pretende legislar em casais de pessoas do mesmo sexo. Não se trata de "adopção" pura e simples, uma vez que o vínculo jurídico que se pretende regular é aquele que só surge na sequência de uma adopção singular ou uma maternidade ou paternidade biológicas pré-existente em relação a um dos membros do casal. Esse vínculo biológico pré-existente com um dos membros do casal, mais a circunstância de haver um casamento ou uma união de facto, serão sempre requisitos obrigatórios para que o membro do casal com quem o menor não tem vínculo de filiação possa "co-adoptar".
Não é juridicamente correcto, por isso, falar em mera "adopção", pois trata-se de realidades distintas. É necessário destrinçar esta realidade como se distingue "adopção singular" e "adopção conjunta", ou seja, a adopção feita por apenas uma pessoa (adopção singular) ou pelos dois membros de um casal em simultâneo (adopção conjunta). Na "co-adopção" há, repito, um vínculo de filiação prévio com um dos membros do casal e será esta característica a marcar a diferença em relação às outras modalidades de adopção.
Parece bastante óbvia a razão da escolha do termo "co-adopção", dizia eu, mas isso não significa que o melhor termo seja, de facto, "co-adopção", palavra com a qual, de resto, sempre embirrei um bocadinho. Não gosto do termo, mas compreendo a necessidade da sua distintiva existência e, por isso, acabei por aceitá-lo, até porque apesar de impróprio, é sempre preferível à mera designação "adopção".
No acórdão n.º 176/2014, divulgado hoje, em que se pronuncia sobre as questões que o PSD propôs integrarem o referendo sobre a questão, o Tribunal Constitucional debruça-se sobre o rigor da terminologia, tão indispensável ao discurso jurídico, e opta por uma designação que subscrevo e julgo ser preferível à de "co-adopção". Fala o acórdão em "adopção sucessiva" (expressão já usada pela doutrina para se referir à adopção do filho do cônjuge prevista no art. 13.º do Regime Jurídico da Adopção). Lê-se, a dado passo, no citado acórdão do TC:
«É evidente que, no âmbito do instituto da adoção, coadoção e adoção conjunta são conceitos distintos. A lei civil faz a distinção entre adoção conjunta e adoção singular, conforme for feita por um casal (por duas pessoas casadas ou que vivam em união de facto) ou por uma só pessoa, casada ou não casada (cfr. artigo 1979.º). Mas a definição de coadoção não resulta da lei, até porque se exclui a possibilidade de em relação ao mesmo adotado coexistirem duas relações de paternidade ou maternidade adotiva (artigo 1975.º). Apenas se permite que um casado ou unido de facto de sexo diferente possa adotar (adoção singular) o filho biológico ou adotivo do seu cônjuge (n.ºs 2 e 5 do artigo 1979.º). Em rigor, coadoção parece ser um conceito inadequado para significar, quer a adoção do filho biológico do cônjuge ou unido de facto, quer a adoção do seu filho adotivo, pois se este já foi adotado, o melhor termo para representar tal realidade parece ser a adoção sucessiva» [s.n.o.].

Seria bom, pois, que o termo "co-adopção" fosse substituído nos discursos pela designação "adopção sucessiva", já que esta permite identificar a realidade diferente a que se refere e é mais rigorosa.

[Imagino que um grande número de pessoas a quem estas precisões técnicas não diga muito ache que é tudo adopção e ponto final!, que as distinções terminológicas são dispensáveis, que só servem para complicar, "nhénhénhé", mas para tipos como eu o Direito é belo também por causa destas suas características, deste seu discurso ímpar, deste constante apelo a fazer pensar. Para tipos como eu há uma ligeiríssima comoção sempre que as peças do puzzle se encaixam um pouco melhor, o mato é desbravado, as linhas ficam mais rectas. No fundo, uma satisfação indizível quando no Direito algo se concretiza, se compreende, se densifica.]

© [m.m. botelho]

16.1.14

e tu, ONU?


uma manifestante a ser agredida durante uma
marcha pelos direitos LGBT em Moscovo, 2013
[fonte: web]

Depois da perseguição que tem vindo a ocorrer na Rússia e de o Uganda, no dia 20/12/2013, ter aprovado uma lei que pune com prisão perpétua a homossexualidade, a Nigéria aprovou na terça-feira uma lei que pune com 10 anos de prisão quem revele publicamente ter um relacionamento amoroso com uma pessoa do mesmo sexo ou faça parte de uma associação LGBT. Já foram detidas dezenas de pessoas.
O que eu espero, muito pouco pacientemente, é que a Assembleia-Geral da ONU reaja firmemente a estas perseguições que atentam contra a dignidade humana e contra os direitos humanos. Espero que as medidas reactivas que a ONU pode tomar sejam tomadas, com a determinação que se espera daquela organização internacional. Espero que sejam suficientemente penalizadoras para que estes países arrepiem caminho na sua política anti-LGBT e que nenhum outro os tente imitar. Espero que o repúdio absoluto por estas políticas persecutórias e discriminatórias seja para lá de qualquer dúvida.
Não espero, portanto, nenhum milagre. Espero apenas que a comunidade internacional organizada saia da sua zona de conforto e aja para defender da morte e da perseguição aqueles por quem diz ter razão de ser e existir: a Humanidade.

© [m.m. botelho]

22.5.13

perigosas concepções


[fonte: web]

«É por perigosíssimas concepções como esta que não pode haver dúvida de que o humanismo e a sensibilidade social fazem toda a diferença na educação das pessoas. Enquanto se der mais valor ao capital financeiro do que ao capital humano, enquanto se der maior importância ao dinheiro do que ao Homem, enquanto se puserem as pessoas ao serviço do vil metal e não este ao serviço daquelas, não haverá outra coisa senão exploradores e explorados, ainda que uns e outros achem que não vem mal algum ao mundo por isso.»

Um excerto de «Empreendedores há muitos, humanistas é que nem por isso», a minha crónica que o «P3» publicou hoje, contendo algumas das minhas reflexões a propósito do sucedido no «Prós e Contras» da passada Segunda-feira.

© [m.m. botelho]

15.2.13

política, semântica, amor.

«O que surpreende na frase de Francisco José Viegas (FJV) não é, pois, a má-educação (de resto, assumida pelo próprio como "evidente"), mas a falta de decoro. É que por muito que possamos ser solidários com a posição defendida, ninguém deixará de notar que, do ponto de vista político, e fazendo a comparação (porque tudo isto vem à tona — coincidência ou não — no Dia de S. Valentim), FJV se mostra um ex- namorado um tanto ressabiado, daqueles que depressa "parte para outr@", sem fazer o luto da praxe à anterior relação, ao que se sabe, bastante amorosa.»

Um excerto de «Francisco José Viegas, serão mágoas de amor?», a minha crónica de estreia, ontem, no «P3».

© [m.m. botelho]

17.3.12

quando o tabuleiro vira

Perante os desaires da existência humana, mal de quem se foca promordialmente em qualquer outra coisa que não nos valores. Quando a vida dá as suas voltas, de muito pouco valerá zurzir contra o facto, clamar que é injusto e que ninguém merecia que tal acontecesse. A única coisa (talvez), a que poderemos agarrar-nos é aos nossos valores, ao nosso carácter e aos nossos princípios, se forem bons, e procurar dar a volta por cima das voltas da vida.

É essa, provavelmente, a grande diferença entre os que tombam do cavalo e se esfolam completamente, às vezes mesmo deixando de ser quem eram e revelando-se irreconhecíveis aos que mais intimamente se mostraram, e os que mantêm a força nas pernas para reagir e prosseguir o caminho a pé, ainda que com as suas limitações, hesitações e lentidão. O percurso é, essencialmente, solitário, pelo que convém que cada um tenha, em si mesmo, as capacidades para reagir. Caso contrário, arrisca-se a ser um fantasma de outros, quando o tabuleiro virar (porque ele vira sempre, mais tarde ou mais cedo), sem capacidade de agir a não ser ancorado nos discursos e nos actos alheios. Quem se escuda no que os outros dizem e fazem por si, argumentando que já alguém explicou o que havia para ser explicado e, por isso, nada mais tem de acrescentar, não tenha dúvidas de que não será capaz de articular palavra ou reacção quando o tabuleiro virar. Talvez, então, se dê conta de que andou a fingir que crescia e se fazia gente, quando, em boa verdade, nada mais fez do que abrigar-se sob a capa dos outros.

Cada um constatará que capacidades (valores, carácter e princípios) tem e cultivou ao longo dos anos no dia em que a vida o puser à prova. A "paralisia", a existir, é visível, por muito que se tente disfarçá-la, e se há verdadeiros mestres do disfarce, também há ingénuos que se comparam a eles quando não passam de canas verdes.

Termino como comecei: mal de quem se agarra a arrazoados. A fibra dos homens vê-se na sua coragem para lutar sob quaisquer que sejam as circunstâncias.

© [m.m. botelho]

10.2.12

artistas

Uma das coisas que eu também aprecio muito (ou não, ou não!) no carácter das pessoas é que elas contem as histórias, digamos, "à maneira delas", omitindo factos importantes e pormenores que fariam uma diferença monumental no entendimento que as outras pessoas (que as ouvem) fazem do sucedido.

É gente muito criativa: como não pode contar a verdade, inventa! No fundo, no fundo, o mundo está cheio de artistas!

© [m.m. botelho]

"pessoazinhas"

Infelizmente, constato a cada passo que há gente muito "pequenina" que aproveita todas as coisinhas, por mais insignificantes que sejam, para se vingar. Essas "pessoazinhas" esquecem é que a vingança só é concretizada se o alvo da mesma der ao vingador o poder de o fazer. Em síntese, não se vinga quem quer, só se vinga quem consegue e o que é evidente à saciedade é que raramente os "pequeninos" conseguem os seus intentos.

© [m.m. botelho]

8.2.12

«amigos para sempre»

«Os amigos cada vez mais se vêem menos. Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E, no maior luxo de todos, há muito perdido: porque não tínhamos mais nada para fazer.
Nesta semana, tenho almoçado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, não vejo há muitos anos. Cada um começa a falar comigo como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos.
Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera - e está - na massa do sangue: a excitação de contar coisas e a alegria de partilhar ninharias; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que estão há que décadas por realizar.
Há grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca concordei, achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas têm a fazer é verem-se cada vez que podem. É verdade que, mesmo tendo passado dez anos, é como se nos tivéssemos visto ontem. Mas, mesmo assim, sente-se o prazer inencontrável de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar. O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há. Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida
Miguel Esteves Cardoso,
«Público», 05.02.2011
.

[O Miguel Esteves Cardoso escreveu este texto, que eu guardei na memória, há mais de um ano. Hoje, continuo a acreditar que será assim com muito poucos amigos de cada um de nós, mas que pode, de facto, ser assim. É por isso que é tão importante que as pessoas não desperdicem os encontros que a vida proporciona, aparentemente por acaso. É por isso que é tão importante que as pessoas não se desperdicem.]

© [m.m. botelho]

9.12.11

t-shirt lisa e branca

fonte: web
[autoria impossível de identificar]

O que eu e John Lennon temos em comum é que morremos (ele) e nascemos (eu) ambos no mesmo ano (1980) e somos (eu, porque ele "era") ambos pacifistas.

De resto, Lennon defendia e sonhava com uma data de coisas com as quais eu não concordo porque não creio que seja através delas que o mundo poderia resolver os seus problemas e se tornaria no local paradisíaco que ele proclamava.

A sua fotografia de que eu mais gosto é a que ilustra este post: Um John jovem, de t-shirt lisa e branca, segurando a cabeça com a mão (uma das minhas posições favoritas para escutar as pessoas) e uns óculos de massa que lhe assentavam tão bem. Ao contrário da maioria das pessoas, eu gosto mais deste Lennon do que do mais velho.

Morreu a 09/12/1980. Faz hoje 31 anos.

© [m.m. botelho]

7.12.11

«o caminho correcto e único não existe»

«"Você tem o seu caminho.
Eu tenho o meu.
O caminho correto e único não existe."

Eis o trecho de um poema de Robert Frost:
"Diante de mim havia duas estradas.
Escolhi a estrada menos percorrida
E isso fez toda a diferença."

Seguindo a mesma linha, M. Scott Peck, em "A trilha menos percorrida", adverte que nada é fácil quando saímos da rota mais comum: "É humano – e sábio – temer o desconhecido, ficar ao menos um pouco apreensivo ao embarcar em uma aventura. No entanto, é somente com as aventuras que aprendemos coisas importantes."

Ele explica, em seu livro, que o crescimento pessoal é uma tarefa árdua e complexa, que dura a vida toda, e um caminho no qual não existem muitos atalhos, basicamente(*) porque os atalhos são construídos, passo a passo, com as pegadas das próprias pessoas. No entanto, essa maneira de caminhar em direção ao desconhecido contém sabedoria e realização.

Para Peck,
"é provável que nossos momentos mais sublimes ocorram quando nos sentirmos profundamente abatidos, infelizes ou descontentes. É somente nesses momentos que, movidos pela insatisfação, seremos capazes de sair da trilha já percorrida e buscar respostas mais verdadeiras em outros caminhos."»
Allan Percy, in «Nietzsche Para Estressados: 99 Doses de Filosofia
para Despertar a Mente e Combater as Preocupações»
[2011],
editora Sextante [Brasil], p. 94, citação 88.

Mesmo em português do "Brasiú" porque (ainda) não foi editado por cá, um livro que vale a pena ler, para rir, chorar e, acima de tudo, relembrar que sob aquele fatalismo (e bigode) todo, Nietzsche era um génio da simplicidade, a genialidade provavelmente mais rara de encontrar e mais fascinante de descobrir.

(*) E o que eu embirro com a expressão "basicamente", senhores? "Basicamente" quer dizer, "basicamente", o quê? Palavra de honra que não estou a ser picuinhas, mas "basicamente" quer dizer, "basicamente", nada ou, como diria o próprio Nietszche, "nihil". Basta dizer a frase sem a palavra para perceber que não altera nada, absolutamente nada, o seu significado. Pois é.

© [m.m. botelho]

descubra as diferenças

Encomenda na loja online da «Apple» em 25/11/2011 (produto imediatamente disponível, com prazo de entrega em cinco dias úteis, dizem eles): entrega em 29/11/2011 (note-se que dias 26 e 27/11 foram sábado e domingo);
Encomenda na loja online da «FNAC» em 25/11/2011 (produto imediatamente disponível, com pedido de entrega por CTT Express, o que equivale a entrega no prazo de um dia útil, dizem eles): entrega em 07/12/2011.

[Parece que não é só no Reino da Dinamarca que algo está podre, caro Hamlet. Na República de Portugal e no que respeita às compras via lojas online, as coisas também já conheceram dias bem melhores.]

© [m.m. botelho]

23.11.11

isto não parece, mas também é um texto sobre moda

Embora isto me custe horrores a admitir, consta que eu e o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa teremos, alegadamente, alguns pontos em comum: somos ambos juristas, somos adeptos do Sporting de Braga, dormimos poucas horas por noite, dizemos bastantes disparates quando nos pomos a falar sobre Direito Penal, lemos bastante e gostamos de usar gravatas azuis.

Agora que o quadro ficou profundamente negro, posso desmentir os factos enunciados em segundo, quarto e sexto lugares, visto que eu nem sei muito bem o que é ser adepta de um clube mas gosto muito do Sporting Clube de Portugal, digo bastante menos tolices do que o Professor Marcelo quando falo de Direito Penal (sigo a regra básica de não falar do que não domino) e não gosto nem uso gravata, seja de que cor for, até porque não assenta bem no meu estilo de rapariga jovem e urbana "hype", "cool", "fashion", "whatever you want to call it because I don't give a damn", como facilmente se compreenderá.

Isto tudo para dizer que durmo pouco e, consequentemente, como não consigo estar mais do que dois ou três minutos parada e na mesma posição a não ser que esteja a dormir (Freud que explique que eu agora não tenho tempo), tenho bastante tendência para ocupar as horas em que o Senhor Morfeu não me quer por sua conta a ler, a estudar, a investigar e a fazer o que me dá na real gana, visto que só há uma TV em minha casa, só tem quatro canais e eu não tenho pachorra para estar sentada ou deitada a olhar para ela (geralmente, quando a tenho ligada, estou também a ler ou no computador) e evito ligá-la depois da meia-noite e meia, a não ser ao sábado, se algum filme da «Sessão Dupla» da RTP2 me interessar e eu estiver por casa (isto eu explico, não é preciso Freud: chama-se "autodisciplina", que é uma coisa que custa imenso, mas tem de ser).

Assim sendo, em algumas dessas horas em que não estou a dormir, passo os olhos por uma variedade enorme de tipos de escrita, entre as quais blogues, claro, e não cesso de me espantar com uma relativamente recente tipologia - vou chamar-lhe assim - de blogues que surgiu e que são os das "dicas para a poupança e para a organização das casas e dos locais de trabalho", tudo com vista a combater a crise e a ter mais uns trocos no bolso, por poucos que sejam, no final do mês.

E não cesso de me espantar com a quantidade de aparentes "novidades" que por ali vejo serem referidas, como grandes descobertas de poupança, em pleno século XXI, como se ainda fosse possível descobrir alguma coisa no século XXI, ainda para mais relacionada com a economia e o capitalismo e afins, mas está bem. Passo a exemplificar:
- comprar garrafões de água e reencher em casa as garrafas que se levam para o trabalho ou se usam nas malas fica mais barato do que comprar garrafas pequenas de água;
- comprar pão e fazer sanduíches em casa para o lanche fica mais barato do que ir lanchar ao café, do que comprar o lanche nas máquinas ou do que comer "barritas", bolachas e outros produtos pré-embalados que se compram no supermercado;
- usar os transportes públicos ou andar de bicicleta fica mais barato do que usar o carro;
- usar esferográficas de recarga fica mais barato do que usar canetas não recarregáveis;
e por aí fora, que o rol de exemplos poderia nunca mais ter fim, desde juntar uma caneca de água ao detergente líquido da máquina de lavar roupa para o fazer render até beber um enorme copo de água antes das refeições para ter menos fome, logo, comer menos, logo, poupar dinheiro na comida.

Todas estas "sugestões" me espantam, por dois motivos: ou porque são coisas que eu já faço há anos e que me foram incutidas desde sempre e não porque "veio a crise"; ou porque são coisas simplesmente absurdas e que não revelam intuito de poupança, mas uma avidez cega de não gastar dinheiro, seja a que custo for.

Acho graça (estou a ser irónica, claro) ao facto de haver tantos artigos em revistas, jornais e blogues com ideias que certamente jamais me ocorreriam (e eu sou muito imaginativa!) sobre "poupança". É que a maior parte dessas ideias são as chamadas ideias do "8", porque são impulsionadas pela crise, já que no resto do tempo, o português gosta de viver no "80", ou seja, como se nunca fosse existir um período menos farto na economia (eu devo ter sido a única alma que estudou Economia e Finanças neste país, eu, que nem sequer sou economista, e por isso devo ser a única que sabe que estes períodos são... cíclicos!). Ora, como a vida do português é vivida sempre no "80", quando chega a necessidade, é preciso ir para o "8", isto é, tomar medidas drásticas, "adicionar água ao detergente da máquina de lavar a roupa" (!) e disparates do género.

Pessoas que foram educadas como eu fui educada, sempre viveram com tudo o que precisaram, mas apenas com o que precisaram. Isto significa que sempre tiveram tudo, mas apenas na exacta medida das suas necessidades, tendo-lhes sido incutida a ideia de que o que não era necessário não deveria ser comprado e o dinheiro teria de ser poupado para alturas em que as coisas viessem a ser necessárias, mas não houvesse liquidez para as comprar. É por isso que uns têm de alterar radicalmente os seus hábitos de vida por causa da crise e outros não. E eu, felizmente, sou das que não tem de os alterar por aí além.

Continuo a comprar o que me é preciso, mas só o que me é preciso. Não poupo mais por estar em crise, poupo exactamente o mesmo que poupava, simplesmente porque eu sempre poupei o máximo que podia poupar (após feitos os gastos exclusivamente necessários aos meus confortos e às minhas necessidades).

Não posso dizer que não sinto os efeitos da crise. É óbvio que sinto, já que consigo poupar menos do que o que poupava e que, porque na minha profissão, dependo da procura e, simplificando a coisa, sou uma prestadora de serviços que, em muitas situações, não são serviços essenciais, a procura diminuiu, afectando os meus dividendos. Todavia, não precisei de alterar comportamentos meus por causa da crise, apenas tive de me adaptar à alteração de factores externos que escapam ao meu controle. Adaptar, que é como quem diz, aceitar, e ponderar e passar a desempenhar outras tarefas que me proporcionem outras fontes de rendimento.

Admito que me choca ler os comentários de pessoas dizendo que ideias como as que citei acima são óptimas e que vão já po-las em prática. Só me ocorre perguntar-lhes se a massa cerebral com que foram presenteadas lhes serve para alguma coisa, se nem para concluir que é mais barato reencher garrafas de água com água do garrafão do que comprar garrafas pequenas lhes serviu até que veio um iluminado e o escreveu num blogue. Imagino a alegria daquela gente quando vier o derradeiro messias anunciar-lhes que se reencherem as garrafas com água da torneira (que é potável!) fica ainda mais barato. Se calhar, nesse dia não comentam: têm uma apoplexia causada pela descoberta e finam-se logo ali. Espero é que se tenham informado previamente sobre o preço dos féretros. É que dizem por aí que até a corriqueira madeira de pinho está pela hora da morte. O melhor, mesmo, é começar a usar a técnica de reenchimento também para os esquifes. Usa-se só para o ofício fúnebre e depois, pelo sim, pelo não, enterra-se só o cadáver e guarda-se a urna em casa, não vá morrer mais alguém e ter-se outra despesa em que, literalmente, "se vai enterrar dinheiro sem retorno". Ah! Se eu comentasse nos blogues de poupança é que era!

Enfim, tudo isto para dizer que a maioria dos portugueses tem características nas quais não me revejo nada, nadinha e que me entristecem muito quando sou confrontada com elas e que a forma como os portugueses lidam com o dinheiro é uma delas pois, como já dizia a minha sábia bisavó Teodosa, «o dinheiro não tem ciência ganhá-lo, mas gastá-lo» e «o dinheiro não é de quem o ganha, mas de quem o poupa».

[Isto não é um post, é um lençol de palavreado. E pensar que tudo começou com uma comparação com o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa. Me-do.]

© [m.m. botelho]

19.11.11

o que para uns é evidente, para outros é insondável

«S
ó não perde amigos
quem não se interessa pelas amizades».
Escrito pelo perspicaz Eremita no «Ouriquense».

Uma questão de sensibilidade. E de bom-senso, claro.

© [m.m. botelho]

eu

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