Mostrar mensagens com a etiqueta prazeres. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta prazeres. Mostrar todas as mensagens

21.12.08

a perfeição do mundo imperfeito

Consta que o Natal é época de excessos alimentares. As mesas costumam estar fartas, os apetites abertos e o convívio incentiva à gula e à digestão. Digo «consta» porque faço parte daquele grupo de pessoas a quem as mesas recheadas e tudo e mais alguma coisa causam sensação de enfartamento imediato, quase como que desincentivando a boca de comer aquilo que o estômago não quer ter a trabalheira de digerir. No fundo, tudo se resume a uma questão de preguiça e ao facto de me entusiasmar muito mais uma boa conversa à lareira na noite de Natal do que a calda de açúcar dos sonhos.

Seja Natal ou não, a verdade é que nunca tive grande queda para os doces. Não vou daqui ali por chocolate, por exemplo. Aliás, bem vistas as coisas, só gosto de um tipo de chocolate (o preto, de leite) e, mesmo desse, não como muito. Do mesmo modo, passo muito bem sem sobremesas, gelados e bolos. Mas é claro que, de vez em quando, me apetece uma fatia de pão-de-ló de Ovar, um travesseiro da Piriquita, um pastel de Belém, uma fatia de pudim Abade de Priscos ou de bolo de chocolate da minha mãe (simplesmente, o melhor do mundo), mas isso são desejos momentâneos e nem por isso muito frequentes.

Ora, por falar em doces, eu acho que nunca aqui escrevi acerca dos éclairs da Leitaria da Quinta do Paço. Mesmo que o tenha feito, todas as palavras são parcas para expressar o sabor daquelas pequenas preciosidades gastronómicas. Do chantilly que os recheia ao chocolate semi-amargo que os cobre, tudo nos éclairs da Leitaria da Quinta do Paço é perfeito e delicioso. Quem nunca provou, faça o favor de ir à Praça Guilherme Gomes Fernandes, no Porto, e experimentar. Também há de caramelo e de morango, mas eu sou uma conservadora, prefiro os tradicionais: não há como os de chocolate, perante os quais eu sucumbo a cada passo.

É verdade: não consigo passar por ali a horas em que a pastelaria esteja aberta sem me render a um éclair. A massa é deliciosa, o chantilly é divinal e a cobertura de chocolate é de comer e chorar por mais, se bem que, as mais das vezes, eu não a coma toda, ao contrário da maioria dos clientes, que até os dedos lambem para não desperdiçar nem um bocadinho!
E tudo isto a propósito do Natal. Sim, do Natal, porque a minha primeira intenção era escrever uma crónica sobre o assunto, neste que é o último domingo antes da data. Pensei falar sobre as ruas da baixa do Porto apinhadas de gente de mãos vazias, das montras atulhadas de coisas que ninguém compra, das reduções e saldos em tempo de festa, das expressões preocupadas de quem tem de fazer contas à vida e das caras de espanto perante os preços que parecem sempre altos. Em suma, o tema, encapotado, era a crise (ai a crise!).

E foi a crise tudo o que me rodeou ontem durante o périplo pelas lojas das redondezas até que entrei na Leitaria da Quinta do Paço e pedi um éclair de chocolate. O resto, é fácil de imaginar: sininhos, anjinhos e música celestial. Por momentos, viajei até ao Paraíso e por lá fiquei até saborear o último pedacinho de éclair. A experiência é indescritível, não há volta a dar-lhe.

Quando voltei à rua, os rostos até pareciam menos carrancudos, o ar menos gelado e a maçada das compras de Natal menos penosa. Tudo com muito menor importância, portanto. E lá comprei o que tinha de comprar para uma mão cheia de pessoas que adoro. A caminho de casa cheguei à conclusão de que, na sua imperfeição, o mundo é perfeito. Afinal de contas, a azáfama natalícia só dura umas semanas, enquanto os éclairs da Leitaria da Quinta do Paço estão lá durante todo o ano.

Já agora, Feliz Natal.

[Também publicado em PnetMulher]

© Marta Madalena Botelho

8.12.08

lembras-te?

nouvelle vague | c.a.e. são mamede | guimarães | 08.12.2007

A sala absolutamente apinhada. Gente, gente, gente e mais gente em redor. Um constante burburinho, o som das costas irrequietas nas cadeiras e dos obturadores das máquinas fotográficas.



«in a manner of speaking
I just want to say
that I could never forget the way
you told me everything
by saying nothing»


De repente, a sala absolutamente vazia. Apenas o escuro em redor. Os teus braços, o calor dos teus braços. Não precisaste que eu te dissesse as palavras.

© [m.m. botelho]

no início da noite

nora do zé da curva | guimarães | 08.12.2007

Há um ano. Lombinhos de porco preto. Migas. Arroz branco. Feijão preto. Farofa. Ananás. Mousse de chocolate. Café. Um par de cigarros. E os teus olhos sempre tão bonitos.

© [m.m. botelho]

21.11.08

excepção à estopada

genoma | matt ridley | gradiva | 2001

Regra geral, os livros que tenho de ler por imposição profissional são uma grande estopada mas, now and then, sucede que um ou outro acaba por constituir grata surpresa e me prende. Com Genoma. Autobiografia de uma espécie em 23 capítulos, de Matt Ridley, assim foi. É uma obra recheada de informações interessantes, algumas hilariantes, outras quase inacreditáveis, tudo sem perder de vista o rigor científico, num discurso muito bem estruturado, sintético, cativante, revelador e, pasme-se, compreensível. Vinte e três capítulos recheados de descobertas sobre mim mesma: nada será como dantes.

© Marta Madalena Botelho

12.11.08

implicância

piolho d'ouro | porto | 11.11.2008

A noite estava fria, as montanhas de papéis e as capas de apontamentos e fotocópias acumulavam-se em cima das secretárias, mas até o mais heróico dos servos do estudo e do trabalho tem de comer. A tentação da francesinha do «Piolho» foi vencida e o prego no pão fez as honras da casa com muito mérito.

Sem esperar, descobri que o barulho sempre ensurdecedor do «Piolho» pode tornar-se a mais agradável das melodias quando tudo o que ouvimos há dias é o som das teclas a afundarem-se debaixo dos dedos ou da caneta a riscar o papel. No fundo, eu até gosto daqueles hinos que os caloiros cantam enquanto se embebedam muito para além do que a dec(ad)ência permite. Se os mando cantar mais baixo é só por implicância: eu queria era voltar a ter a vida despreocupada daquele tempo.

© [m.m. botelho]

11.11.08

armazém do chá

parque carlos alberto | porto | 08.11.2008

Aqui entre nós que ninguém nos lê, agora que já atinas com o nome da casa, sugerir ir lá beber um ou dois ou três ou quatro copos perdeu metade da piada.

[Ai que mentira tão grande: se tu lá estiveres, não há outro sítio onde eu queira estar.]

© [m.m. botelho]

venham mais cinco

o calhambeque | porto | 08.11.2008

A noite de sábado costuma ser sempre produtiva, quer a opção recaia sobre o trabalho ou sobre o lazer. Com meses de intervalo entre hoje e o último dia em que nos cruzámos, os rostos parecem sempre mais preocupados, mais envelhecidos, carregados. Valeu-nos o entusiasmo de quem rompeu barreiras pela primeira vez e repete a história com orgulho para nos encher de boa energia.

A cidade convidava e nós aceitámos o repto: fomos pelas horas dentro com ela, entre cervejas e copos de vinho tinto.

[Os pratos em cima da mesa eram cinco, mas o recibo só refere quatro refeições. No mínimo, curioso. ;)]

© [m.m. botelho]

4.11.08

genuinamente velho

chien qui fume | porto | 03.11.2008

Os recibos do «Chien» são dos poucos que continuam a ser emitidos por uma máquina registadora, sem dúvida um exemplo de, digamos assim, modernidade no meio daquele balcão onde abundam as antiguidades. A máquina está pousada ao lado da grafonola que não toca, tal como os discos pendurados nas paredes. No «Chien» continua a ser assim: salada de galinha com ananás e bifinhos de porco à Zurique ao lado do sempre eterno Romeu&Julieta ou dos figos com vinho do Porto. De um lado os desenhos rabiscados pelos clientes, do outro o vinil emoldurado. O mais fascinante, contudo, continua a ser aquele telefone genuinamente velho, caquético, a precisar de reforma, cujo toque continua a atordoar os comensais das duas salas.

© [m.m. botelho]

2.11.08

tripas e alface dão uma bela sardinhada!

Ao contrário do que possa pensar-se, a proximidade física que tenhamos em relação às cidades pouco diz da paixão que por elas nutrimos. Recordo, por exemplo, que conheço muitas pessoas que vivem em Coimbra e abominam a cidade e outras que não vivem lá e que afiançam que todos os dias choram copiosamente de saudades pelas águas do Mondego. A cidade é a mesma para toda a gente e, no entanto, enquanto uns a amam perdidamente tal como ela é, outros só queriam poder transformá-la. Vá-se lá compreender o ser humano!

A verdade é que eu poderia muito bem começar este texto com uma afirmação colhida numa das canções dos Madredeus de que eu mais gosto: «adoro Lisboa» ou, então, pôr-me aqui a cantarolar o «Porto Sentido» do Rui Veloso até toda a gente ficar convencida de que a Invicta é a cidade do meu coração. Mas a verdade é que eu não sei se quero comprometer-me com uma escolha entre o Porto e Lisboa. É quase o mesmo que ter de escolher entre os rojões à Minhota, a posta à Mirandesa, os ovos moles de Aveiro, os pastéis de Tentúgal, o leitão da Bairrada, os ensopados alentejanos, o arroz de lingueirão algarvio e o bolo de mel da Madeira: impossível! Se me pedissem para seleccionar uma destas cidades em função dos defeitos da outra, seria o mesmo que me perguntarem se me entristecem mais os graffiti do Bairro Alto ou o abandono dos cinemas portuenses, caso em que a resposta só poderia ser uma: dispensaria de bom grado ambos. A tarefa é hercúlea, mais me vale desistir.

Claro que Porto e Lisboa jamais agradarão a gregos e a troianos ou melhor – talvez seja mais apropriado dizê-lo assim – a alfacinhas e tripeiros. Aliás, nem convém que assim seja, pois uma vez feitas as pazes entre «andrades» e «mouros» quem haveriam os amantes da capital apelidar de «provincianos»? E a quem haveriam os tripeiros de chamar «calões», enchendo a boca toda para dizer em brados que «O Porto trabalha, Coimbra estuda e Lisboa dorme»? Se houvesse consenso entre estas duas «espécies», estava morta a alma portuguesa e nem o Fado nos salvaria. No fundo, no fundo, os portuenses nem se importariam de comer as tripas outra vez só para poderem passar o resto da vida a dizer que fizeram um grande sacrifício pela pátria, do mesmo modo que os lisboetas sempre se sentiriam orgulhosos de cada vez que lhes chamassem mouros só para relembrar ao resto do país que, depois de conquistada, aquela fronteira nunca mais foi transposta pelos muçulmanos.

As questiúnculas entre o Porto e Lisboa fazem parte do espírito da nação, tal como o Eusébio, a Amália e a Nossa Senhora de Fátima e sem elas não seríamos os mesmos e Portugal não teria a menor graça, nem à força de muitos copinhos de três. Este minúsculo país é viciado na adrenalina subjacente à eterna luta entre o Norte e o Sul, entre o azul e o vermelho, entre o «à minha beira» e o «ao pé de mim». Nortenho que se preze faz como eu quando vou a Lisboa: desata a falar com pronúncia, não porque queira deixar bem vincada a sua naturalidade, mas simplesmente porque não consegue disfarçá-la. E se for um lisboeta no Norte haverá de fazer questão de começar cada frase por «oiça», não porque ache que o interlocutor é surdo, mas simplesmente porque já passou a fase do «portanto» e só está a um passinho da fase do «olhe».

O que importa, em ambos os casos, é não deixar margem para dúvidas sobre a valentia de defender a sua dama, seja ela a Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto ou a Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa (e ainda dizem os senhores do Norte que os peneirentos são os alfacinhas!...). O resto da sardinhada – sim, não são tripas nem jaquinzinhos fritos com arroz de feijão, é mesmo uma sardinhada! – haverá de vir por arrasto, até porque, num país que produz tão bons vinhos como os nossos, seria um desperdício não os acompanhar com o fruto de tanto mar que nos banha a costa.

[Também publicado em PnetMulher]

© Marta Madalena Botelho

24.10.08

tia aninhas

tia aninhas | porto | 23.10.2008

O arroz de grelos da Tia Aninhas não deve ter rival no Porto inteiro. Enquanto estaciono o carro confesso hesitar entre ganhar coragem e ir novamente ao sushi e o arroz de pato d'«O Carteiro», mas depois lembro-me do incomparável sabor do arroz de grelos da Tia Aninhas e lá vou eu, feita autómato, porta adentro a salivar. A quantidade é absurda, pois daria para matar a fome a três, mas verdade seja dita que pouco sobra na caçarola de barro depois de eu lhe deitar o dente. Não me importa o acompanhamento, ponham-me é em cima da mesa o arroz de grelos, que o resto é conversa.

Espero que a receita se mantenha por muitos e longos anos e que não lhe suceda o mesmo que à máquina registadora que deu lugar ao computador. Os recibos ganharam em definição, mas perderam em encanto. Restam-nos os do «Chien» para nos recordar que ainda há quem não se renda ao «Winrest». Os do «Chien» e todos os antigos do «Tia Aninhas» que eu guardo religiosamente. Assim se prova que nem tudo é mau em ser-se obsessivo-compulsiva.

© [m.m. botelho]

12.10.08

descobrir as semelhanças

il mercatto di pasta / portugália | matosinhos | 12.10.2008

A convergência está na divergência. A semelhança está na diferença. Importa é descobri-las, desejá-las e, claro, aproveitá-las ao máximo. Cada instante. Cada pormenor. Sempre.

© [m.m. botelho]

8.10.08

agora

pasta caffé | vila nova de gaia | 06.10.2008

Quando foi? Ontem, hoje? Que importa o tempo entre os dois ponteiros do relógio se tudo o que interessa se resume àquele instante que não passa e que ainda anda por aqui como se fosse sempre? Quando foi? Ontem, hoje?

Agora.

© [m.m. botelho]

26.9.08

como sempre

chien qui fume | porto | 18.09.2008

Variar um pouco, para não ser sempre o mesmo.
- Mas que mal tem ser sempre o mesmo?
- Nenhum, absolutamente nenhum. Eu sou uma mulher de ideias feitas, um animal de hábitos, uma tipa cheia de manias e costumes.

Naquela noite comeu-se peru, para variar um pouco, para não ser sempre o mesmo.
E a conversa, o flirt dos talheres, o namorico dos copos, o engate dos guardanapos? Excelentes, como sempre.

© [m.m. botelho]

10.9.08

quanto tempo (2)

chien qui fume | porto | 10.09.2008

O tempo do teu corpo se dobrar sobre a cadeira. O tempo do teu gesto acender um cigarro. O tempo da tua perna se cruzar sobre a outra. O tempo da tua língua humedecer os teus lábios. O tempo das tuas mãos abraçarem uma chávena. O tempo dos teus ombros se lançarem para trás. O tempo dos teus pés brincarem com os meus. O tempo dos teus olhos caírem sobre os meus cabelos. O tempo dos teus dedos tamborilarem sobre a mesa. O tempo dos teus braços se enredarem no meu cheiro. O tempo do teu desejo se prender e render ao meu.

© [m.m. botelho]

7.9.08

(manu)[e]screver

Gosto muito de escrever. Do acto de escrever, propriamente dito. De pegar na caneta e no papel e traçar letras. Por isso, também gosto muito de canetas e papéis. E de lápis. Gosto tanto de canetas, papéis e lápis que acho que posso dizer que são os meus objectos favoritos. Isto se é que se pode dizer que se tem objectos favoritos sem parecer muito ridículo.

Guardo meia dúzia de canetas e pequenos cadernos de anotações com muito carinho no meu coração e na minha memória. Alguns deles ocupam esse espaço não apenas porque me fascinam, mas também por causa das pessoas que mos ofertaram. Guardá-los religiosamente é quase como guardar um pouco dessas pessoas. Como se, de cada vez que pego neles e lhes dou uso, garatujando nem que seja a maior das tontarias ou a frase mais desprovida de sentido, estivesse a tocar nessas pessoas, a senti-las mesmo ali ao pé, ao alcance da minha mão. Como se, escrevendo, agitasse a minha relação com elas e juntas andássemos para aí aos traços, que é como quem diz às voltas com as palavras, aos rodopios, numa roda de emoções e caracteres. Mas o Tempo e a Distância – e a modorra que nos impede de os diminuir – têm-se encarregado de manter a caneta dentro do copo
que repousa sobre a secretária e os caderninhos brancos imaculados, as folhas muito certinhas e alinhadas, sem sinais de terem sido tocados. O que (não) escrevo são as nossas conversas, aquelas conversas que não temos porque deixaram de ter sentido, porque as palavras entre nós deixaram de ter o mesmo significado e a transmissão da informação passou a ter ruído, prejudicando a mensagem. Aos poucos, fomos deixando de ter assunto, do mesmo modo que a tinta se acaba nas cargas das canetas.

Cada vez mais uso o teclado do computador em vez das minhas próprias mãos para escrever. Julgo até que a minha caligrafia é cada vez menos acessível à leitura dos outros. Logo a minha caligrafia, tão esmerada na escola primária, por meio da qual granjeei tantos elogios, agora simplesmente esguia e impetuosa, demasiado indefinida, sempre vestida de preto, quase defunta.

Nesta chamada «sociedade da tecnologia e informação» tudo tem de ser normalizado, estilizado, uniformizado, até o desenho das letras. Os cadernos e as canetas caíram em desuso, e em desuso caiu também o hábito de guardar dentro de grandes caixas de papelão as cartas e os postais que em tempos recebemos e que tinham cor, cheiro e textura, cada um deles diferente, único e irrepetível.

Fica tanto por manuscrever. Fica tanto por dizer.

[Também publicado em PNETmulher.]

© Marta Madalena Botelho

6.9.08

providencial

al forno | porto | 2008.09.06

Mesmo completamente às escuras e em cima da hora, tudo sucede providencialmente. A reserva. O percurso. O estacionamento. A mesa bem posicionada. O menu. A sangria. A refeição. A sala à meia-luz.
Quando nos concentramos no Universo, o Universo concentra-se em nós. E tudo se concentra, acontece e importa ao redor da nossa mesa.

© [m.m. botelho]

25.8.08

piolho

piolho d'ouro | porto | 24.08.2008

O «Piolho» estava, como sempre, apinhado. Não admira, era sábado à noite, uma noite de Verão não muito amena mas suficientemente convidativa para uns copos com os amigos. Lá fora, uma sessão improvisada de percussão e o ruído excessivo das vozes que procuravam fazer-se ouvir. Atravessei a porta e fui para a rua. Enfiei as mão nos bolsos e inspirei fundo. A Praça não seria a mesma se estivesse vazia. Toda aquela gente faz falta, cada um à sua maneira, mas nem todos sabem disso.

© [m.m. botelho]

19.8.08

manifesta velocidade excessiva

majestic | porto | 12.01.2008

12 de Janeiro de 2008 foi um sábado. Uma daquelas tardes de Inverno a convidar a ficar em casa e nós resolvemos sair. Eu levava vestido o meu sobretudo bege e um cachecol preto. Tu ias de casaco e ténis pretos. Nessa tarde, depois de tomarmos café [já sem cigarros] no Majestic, passeámos pela baixa. Eu comprei três dvd de filmes do Nanni Moretti para vermos em casa. Pus-me agora a fazer contas. De então para cá passaram exactamente sete meses e sete dias e nós ainda não vimos nenhum desses dvd. Acho que diz alguma coisa acerca desta nossa vida em manifesta velocidade excessiva.

© [m.m. botelho]

18.8.08

o carro em transgressão

reflexo | viana do castelo | 18.08.2008

O carro (indevidamente) estacionado num lugar privativo. Uma noite muito mais fria do que o que a minha t-shirt podia enfrentar. Um passeio junto ao rio com direito a revelações sobre uma adolescência transgressiva. Uma breve dissertação sobre o facto de todas as adolescências serem transgressivas, cada uma à sua maneira. Algumas considerações sobre as luzes, os cheiros, os sons de uma noite de Verão ventosa e, contudo, povoada. A partilha de um cigarro a caminho do carro em transgressão. Algumas gargalhadas perante o tópico «o meu carro não passou da adolescência». Desta vez, escapou.

© [m.m. botelho]

17.8.08

wall-e

wall-e | andrew stanton | 2008 | 17.08.2008

Poucas palavras para invocar o essencial. Apenas dois nomes, Wall-E e Eva, duas siglas que escondem o tanto que fica por dizer. Uma história de amor contada quase em silêncio. Não esquecer:o melhor modo de dizer o amor é o gesto.

© [m.m. botelho]

eu

[m.m. botelho] || Marta Madalena Botelho
blogues: viagens interditas [textos] || vermelho.intermitente [textos]
e-mail: viagensinterditas @ gmail . com [remover os espaços]

blogues

os meus refúgios || 2 dedos de conversa || 30 and broke || a causa foi modificada [off] || a cidade dos prodígios || a cidade surpreendente || a curva da estrada || a destreza das dúvidas || a dobra do grito || a livreira anarquista || a mulher que viveu duas vezes || a outra face da cidade surpreendente || a minha vida não é isto || a montanha mágica || a namorada de wittgenstein || a natureza do mal || a tempo e a desmodo || a terceira noite || as folhas ardem || aba da causa || adufe || ágrafo || ainda não começámos a pensar || albergue dos danados || alexandre soares silva [off] || almocreve das petas [off] || animais domésticos || associação josé afonso || ana de amsterdam || antónio sousa homem || atum bisnaga || avatares de um desejo || beira-tejo || blecaute-boi || bibliotecário de babel || blogtailors || blogue do jornal de letras || bolha || bomba inteligente || cadeirão voltaire || café central || casadeosso || causa nossa || ciberescritas || cibertúlia || cine highlife || cinerama || coisas do arco da velha || complexidade e contradição || córtex frontal [off] || crítico musical [off] || dados pessoais || da literatura || devaneios || diário de sombras || dias assim || dias felizes || dias im[perfeitos] || dias úteis || educação irracional || entre estantes || explodingdog > building a world || f, world [guests only] || fogo posto || francisco josé viegas - crónicas || french kissin' || gato vadio [livraria] || guilhermina suggia || guitarra de coimbra 4 [off] || húmus. blogue rascunho.net || il miglior fabbro || imitation of life || indústrias culturais || inércia introversão intusiasmo || insónia || interlúdio || irmão lúcia || jugular || lei e ordem || lei seca [guests only] || leitura partilhada || ler || literatura e arte || little black spot || made in lisbon || maiúsculas [off] || mais actual || medo do medo || menina limão || menino mau || miss pearls || modus vivendi || monsieur|ego || moody swing || morfina || mundo pessoa || noite americana || nuno gomes lopes || nu singular || o amigo do povo || o café dos loucos || o mundo de cláudia || o que cai dos dias || os livros ardem mal || os meus livros || oldies and goldies || orgia literária || ouriquense || paulo pimenta diários || pedro rolo duarte || pequenas viagens || photospathos || pipoco mais salgado || pó dos livros || poesia || poesia & lda. || poetry café || ponto media || poros || porto (.) ponto || postcard blues [off] || post secret || p.q.p. bach || pura coincidência || quadripolaridades || quarta república || quarto interior || quatro caminhos || quintas de leitura || rua da judiaria || saídos da concha || são mamede - cae de guimarães || sem compromisso || semicírculo || sem pénis nem inveja || sem-se-ver || sound + vision || teatro anatómico || the ballad of the broken birdie || the sartorialist || theoria poiesis praxis || theatro circo || there's only 1 alice || torreão sul || ultraperiférico || um amor atrevido || um blog sobre kleist || um voo cego a nada || vida breve || vidro duplo || vodka 7 || vontade indómita || voz do deserto || we'll always have paris || zarp.blog

cultura e lazer

agenda cultural de braga || agenda cultura de évora || agenda cultural de lisboa || agenda cultural do porto || agenda cultural do ministério da cultura || agenda cultural da universidade de coimbra || agenda de concertos - epilepsia emocional || amo.te || biblioteca nacional || CAE figueira da foz || café guarany || café majestic || café teatro real feitorya || caixa de fantasia || casa agrícola || casa das artes de vila nova de famalicão || casa da música || centro cultural de belém || centro nacional de cultura || centro português de fotografia || cinecartaz || cinema 2000 || cinema passos manuel || cinema português || cinemas medeia || cinemateca portuguesa || clube de leituras || clube literário do porto || clube português artes e ideias || coliseu do porto || coliseu dos recreios || companhia nacional de bailado || culturgest || culturgest porto || culturporto [rivoli] || culturweb || delegação regional da cultura do alentejo || delegação regional da cultura do algarve || delegação regional da cultura do centro || delegação regional da cultura do norte || e-cultura || egeac || era uma vez no porto || europarque || fábrica de conteúdos || fonoteca || fundação calouste gulbenkian || fundação de serralves || fundação engenheiro antónio almeida || fundação mário soares || galeria zé dos bois || hard club || instituto das artes || instituto do cinema, audiovisual e multimédia || instituto português da fotografia || instituto português do livro e da biblioteca || maus hábitos || mercado das artes || mercado negro || museu nacional soares dos reis || o porto cool || plano b || porto XXI || rede cultural || santiago alquimista || são mamede - centro de artes e espectáculos de guimarães || sapo cultura || serviço de música da fundação calouste gulbenkian || teatro académico gil vicente || teatro aveirense || teatro do campo alegre || theatro circo || teatro helena sá e costa || teatro municipal da guarda || teatro nacional de são carlos || teatro nacional de são joão || teatropólis || ticketline || trintaeum. café concerto rivoli

leituras e informação

365 [revista] || a cabra - jornal universitário de coimbra || a oficina [centro cultural vila flor - guimarães] || a phala || afrodite [editora] || águas furtadas [revista] || angelus novus [editora] || arquitectura viva || arte capital || assírio & alvim [editora] || associação guilhermina suggia || attitude [revista] || blitz [revista] || bodyspace || book covers || cadernos de tipografia || cosmorama [editora] || courrier international [jornal] || criatura revista] || crí­tica || diário de notícias [jornal] || el paí­s [jornal] || el mundo [jornal] || entre o vivo, o não-vivo e o morto || escaparate || eurozine || expresso [jornal] || frenesi [editora] || goldberg magazine [revista] || granta [revista] || guardian unlimited [jornal] || guimarães editores [editora] || jazz.pt || jornal de negócios [jornal] || jornal de notí­cias [jornal] || jusjornal [jornal] || kapa [revista] || la insignia || le cool [revista] || le monde diplomatique [jornal] || memorandum || minguante [revista] || mondo bizarre || mundo universitário [jornal] || os meus livros || nada || objecto cardí­aco [editora] || pc guia [revista] || pnethomem || pnetmulher || poets [AoAP] || premiere [revista] || prisma.com [revista] || público pt [jornal] || público es [jornal] || revista atlântica de cultura ibero-americana [revista] || rezo.net || rolling stone [revista] || rua larga [revista] || sol [jornal] || storm magazine [revista] || time europe [revista] || trama [editora] || TSF [rádio] || vanity fair [revista] || visão [revista]

direitos de autor dos textos

Os direitos de autor dos textos publicados neste blogue, com excepção das citações com autoria devidamente identificada, pertencem a © 2008-2019 Marta Madalena Botelho. É proibida a sua reprodução, ainda que com referência à autoria. Todos os direitos reservados.

direitos de autor das imagens

Os direitos de autor de todas as imagens publicadas neste blogue cuja autoria ou fonte não sejam identificadas como pertencendo a outras pessoas ou entidades pertencem a © 2008-2019 Marta Madalena Botelho. É proibida a sua reprodução ainda que com referência à autoria. Todos os direitos reservados.

algumas notas importantes sobre os direitos de autor

» O âmbito do direito de autor e os direitos conexos incidem a sua protecção sobre duas realidades: a tutela das obras e o reconhecimento dos respectivos direitos aos seus autores.
» O direito de autor protege as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas.
» Obras originais são as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu género, forma de expressão, mérito, modo de comunicação ou objecto.
» Uma obra encontra-se protegida, logo que é criada e fixada sob qualquer tipo de forma tangível de modo directo ou com a ajuda de uma máquina.
» A protecção das obras não está sujeita a formalização alguma. O direito de autor constitui-se pelo simples facto da criação, independentemente da sua divulgação, publicação, utilização ou registo.
» O titular da obra é, salvo estipulação em contrário, o seu criador.
» A obra não depende do conhecimento pelo público. Ela existe independente da sua divulgação, publicação, utilização ou exploração, apenas se lhe impondo, para beneficiar de protecção, que seja exteriorizada sob qualquer modo.
» O direito de autor pertence ao criador intelectual da obra, salvo disposição expressa em contrário.