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24.4.19

interdito!

Não tenho andado muito a par de novidades editoriais, nem sequer de promoções, mas hoje, Dia Mundial do Livro, imaginei que houvesse algumas e lá fui desgraçar-me. Na visita às lojas online e livrarias, pude aperceber-me de que há uma profusão de livros com palavras que eu chamo «ordinarices» no título. Ora, «ordinarices», também eu digo algumas, que uma mulher do Norte dificilmente escapa à tentação do alívio cientificamente provado que certos vocábulos em vernáculo puro e duro causam, mas jamais me ocorreria publicar um livro com o título Desenmerda-te* (não sei que mais) - confesso que tenho mais o que decorar do que estes títulos maravilhosos.
Já não bastavam os auto-ajudantes de meia-tigela estrangeiros publicarem livros inteiramente desprovidos de conteúdo com algum interesse cujos títulos não são mais do que soundbytes rascas, agora também temos portugueses a aderir à moda? E eu até falo com algum conhecimento de causa, porque li o A subtil arte de dizer que se f-buraco-de-bala-da da primeira à última página e posso afirmar que foi do tempo mais desperdiçado da minha vida, tanto que de cada vez que me lembro de que li aquilo, só me dão ganas de me autoflagelar com uma disciplina até sangrar.

Por Teutates! Andámos séculos a aprimorar as boas-maneiras, a educação, o saber-estar para virem estes nem-sei-o-que-lhes-chame em pleno século XXI conspurcar as livrarias com isto? Mete dó entrar numa FNAC ou numa Bertrand e olhar para o top de vendas: só livralhada com títulos reles!

Sai um pedido: deixem as livrarias em paz, se fazem favor. Afinal de contas, ainda são um dos poucos redutos de tranquilidade do mundo real realinho que eu vou tendo. Na literatura e na poesia - na arte - aceito tudo, mas na auto-ajuda não. Devia haver locais interditos à mediocridade. Posso sugerir as livrarias?

© [m.m.botelho]

8.11.18

«o Homem como ele realmente é»

«AAcabámos por conhecer o Homem como ele realmente é. Afinal, o homem é aquele ser que inventou as câmaras de gás de Auschwitz; contudo, é igualmente aquele ser que entrou nas câmaras de gás de cabeça erguida, com um «Pai-Nosso» ou «Shemá Israel» nos lábios.»

__ Viktor Emil Frankl.O homem em busca de um sentido [trad. do inglês de Artur J. Gonçalves], 6.ª ed. Lisboa: Lua de Papel, 2017, p. 132.

29.10.18

não fraquejarão

O resultado das eleições de hoje no Brasil foi favorável a Bolsonaro, mas a verdade é que a sua ignorância, o seu atavismo, a sua falta de cultura democrática, a sua demagogia, o seu populismo, a sua homofobia, a sua xenofobia, o seu racismo, o seu machismo, a sua violência, o seu extremismo, o seu ódio, o seu isolacionismo, a sua incapacidade, o seu obscurantismo só vencerão alguma coisa no dia em que se calarem as vozes que o denunciam, o desmascaram e o combatem e isso, minhas caras e meus caros, não permitiremos que aconteça. A resistência seguirá e os braços e as gargantas não fraquejarão.

© [m.m.botelho]

25.5.17

«não», sem desculpas e, já agora, com ponto final

A crónica de Mariana Mortágua "O nosso direito ao «não»" que o JN publicou no dia 23.05 começa com o seguinte diálogo (imaginado):
"- Olá, como é que te chamas?
- Desculpa, não te conheço. Estou com os meus amigos.
- Vá lá, diz-me só como te chamas.
- Não quero mesmo falar, desculpa.
- Não? Porquê?
- Não quero...
- Anda lá, eu sei que queres!
- Não, não quero, estou ocupada.
- Achas que és boa, é?"


Não li o resto da crónica. Parei logo aqui, porque isto começa logo mal. Para se livrar do incómodo de quem tenta meter conversa, Mortágua põe na boca de uma jovem/mulher a palavra "desculpa" nas duas primeiras frases. Pedir desculpa de quê e para quê? Acaso não pretender dar conversa é motivo de culpa, para dizer "não" e imediatamente pedir ao interlocutor que nos perdoe?

O problema de muita gente não respeitar o espaço do outro reside muito nesta cultura do pedir desculpa por tudo e por nada, o que tem duas péssimas consequências: por um lado, torna a expressão banal e esvazia-a de conteúdo (hoje em dia, pedir desculpa não significa que se esteja consciente de que se praticou algo com culpa e se pretende que o outro nos releve a falta, para alívio da alminha ou de outra coisa qualquer, senão, basta pensar nos agressores de violência doméstica que imediatamente após a agressão pedem desculpa à vítima, para no mesmo dia ou no seguinte voltarem a socá-la); por outro lado, faz da pessoa que pede desculpa sem ter motivo para tal (porque nada que mereça reparo fez) faça figura de subserviente e a subserviência é, como se sabe, perversa, principalmente se é o próprio que sob ela se coloca.

E depois aquele "Não quero...". Ative-me nas reticência, esse sinal de pontuação tão mal usado, tão exageradamente usado. As reticências servem para dizer que quem fala teria algo mais a dizer, mas não diz, deixa apenas a impressão de que, talvez noutra circunstância o dissesse mas que, naquela, prefere deixar a frase a meio. Se a pessoa não quer, como parece ser o caso no diálogo transcrito, visto que já é a terceira vez que o diz (ainda que nas duas primeiras o faça por outras palavras), para que raio estão ali aquelas reticências? Não dava para dar um tom assertivo à resposta da jovem/mulher? É que o que se pretende, nessas situações, e mesmo assertividade, não deixar margem para dúvidas, pôr termo à conversa que está a desagradar e é contrária à vontade.

Podem parecer pormenores sem importância, mas não são. As palavras e a pontuação escolhidas para este diálogo são reflexo do que está gravado a ferros na grande maioria das pessoas: o "Desculpe lá!", o "Obrigadinha, mas não...", o "Por favor, não me incomode, se não der muito transtorno a V. Exa.". Esta subserviência parva e injustificada que apequena quem quer dizer "Não.", essa palavra tão essencial à sobrevivência porque demarca o limite do consentimento.

A propósito disto, costumo perguntar às pessoas se sabem como se distingue um português de qualquer outra pessoa de qualquer outra nacionalidade num pub em Londres. A resposta é simples: é o único tipo que chama o garçon dizendo "Sorry.". As pessoas, geralmente, riem, mas talvez não fosse má ideia que parassem um pouco e pensassem sobre isto.

© [m.m.b.]

18.6.15

realidades paralelas

«Bartoon» de ©Luís [2015]
[Rir é o único remédio.]

As conclusões relatadas no documento «Acesso aos cuidados de Saúde: um Direito em risco? Relatório de Primavera 2015», elaborado pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde [OPSS], são gravíssimas. Todavia, ontem os telejornais abriram todos com o regresso de férias de Jorge Jesus. Lá no meio das outras notícias, uma reportagenzinha com declarações do Secretário de Estado e Adjunto da Saúde. Ninguém perguntou nada sobre isto ao Primeiro-Ministro, ao Ministro da Saúde, a António Costa.

A malta que se dane a tomar a medicação diária apenas uma vez por semana e que coma os nutrientes do que a terra dá; que acorde às 6h da manhã para conseguir uma senha para ser vista por um médico que dá os ares de sua graça pela terra uma vez por semana; que durma na rua na noite anterior para conseguir uma das trinta senhas que dão acesso à colonoscopia com anestesia no dia seguinte; que espere horas a fio nas urgências, mesmo que a situação seja grave; que passe fome e sede porque não há quem lhe venha trazer comida ou bebida enquanto aguarda; que morra sem ninguém dar por isso numa maca, encostada no corredor das urgências; que dê à luz nas ambulâncias ou nos táxis, em suma, a malta que aguente e não seja piegas!

Os indicadores do Governo são contrários ao do OPSS, alega o Secretário de Estado. «O país está muito melhor», dizem uns, enquanto outros acenam mecanicamente com a cabeça em sinal de assentimento.

Eu e eles vivemos em realidades paralelas, certamente. A deles dourada; a minha escura como as paredes da caverna em que o país está a tornar-se.

© [m.m. botelho]

12.5.15

um pouco mais de pudor, por favor

Cyanide and Happiness © Explosm.net

Imaginemos. Imaginemos que alguém tem pretensão de concorrer a um concurso público. Imaginemos que esse alguém é licenciado em Direito. Imaginemos que esse alguém questiona se o prazo de 15 dias (fixado no aviso de abertura do tal concurso público) para envio das candidaturas se conta em dias seguidos ou em dias úteis.

Agora, cessemos de imaginar e vamos a factos. Um aviso de abertura de um concurso público é um acto administrativo. Direito e Processo Administrativo é uma cadeira do 2.º ano da licenciatura em Direito. Nessa cadeira, estuda-se o modo de contagem dos prazos fixados por acto administrativo. É suposto que alguém que seja aprovado nessa cadeira (e isso é imprescindível para se ser licenciado em Direito) saiba contar os prazos. Aliás, a contagem dos prazos é o básico-mais-básico-do-mais-basicozinho-que-há das cadeiras de direito processual.

Continuemos nos factos. O tal alguém de que falei acima usa o Facebook para dizer que pretende concorrer ao concurso público e para questionar num grupo de juristas como é que se conta o prazo, de modo a saber até quando pode concorrer. Duas almas piedosas respondem-lhe, uma delas fazendo mesmo a contagem do prazo e dizendo-lhe que tem de enviar a candidatura até ao dia "x". O alguém agradece a resposta da alma caridosa, com ponto de exclamação e tudo.

O que é que me incomoda nesta situação? Não, não é o facto de alguém licenciado em Direito não saber contar um prazo administrativo. O que me incomoda é o despudor que esse alguém tem em exibir essa sua ignorância num grupo do Facebook, à vista de qualquer membro que o integre. Uma pesquisa no Google por "como se contam os prazos em direito administrativo" ter-lhe-ia dado a resposta e eu não teria de ser confrontada com aquela tristeza de comentário/pergunta.

Já não chega eu ter de levar com gente que come de boca aberta, com gente que pousa os talheres no prato para fora, com gente que arrota no meio da rua, com gente que cospe para o chão, com gente que não toma banho, com gente que deita lixo para o chão, com gente que estaciona o carro a ocupar dois lugares, com tipos que urinam para as paredes das casas que não são deles, já não me basta ter de levar com o despudor da exibição de uma gigantesca falta de educação desta gente, ainda tenho de levar com o despudor da exibição da ignorância de aspectos básicos por parte de juristas com demasiada preguiça para ir ler a lei (ou pesquisar no Google, D'us meu!)?

Recuso-me. Recuso-me a assistir a estas demonstrações de ignorância e de preguiça intelectual. Por favor, fazei como eu: quando não souberdes alguma coisa (e são incontáveis as que eu não sei), procurai a resposta por vós mesmos, nos livros, na internet, perguntai à Mãe, ao cão, ao gato, ao periquito, mas não me obrigueis a assistir ao espectáculo decadente do vosso desavergonhado comodismo mental.

© [m.m.b.]

3.2.15

instantâneos [55]

© JM Lopez/AFP/Getty Images
fonte: The Dark Room. The Baltimore Sun [photo 7]

Uma boneca abandonada entre os escombros.
Bairro de Saif al-Dawla, Aleppo, Síria.
2013.09.19

1.5.14


As maias, flores das giestas.
Para bloquear o que se não quer.
[fonte: web]

24.4.14

"nosotras que no somos como las demás"


Lupita Nyong'o por © Christian MacDonald para a «Vogue» [Jan. 2014]
[Talvez o vestido não seja inocente.]

Escreve Tânia Jesus, hoje, no «Público Life&Style», a propósito da distinção de Lupita Nyong'o pela revista "People" como a mulher mais bonita do mundo em 2014: «Este prémio da revista People, lançado em 1990, até 2014, só tinha sido entregue por três vezes a mulheres não caucasianas [...]».

Atente-se na subtileza da linguagem: «mulheres não caucasianas», como se o mundo se dividisse entre «mulheres caucasianas» e todas as outras que o não são. Interrogo-me sobre a necessidade da divisão, sobre a infelicidade da distinção, sobre o preconceito que evidencia a qualificação pela negativa.

Se optaram por definir algo pela negativa, interrogo-me, ainda, porque não optaram também por dizer que o prémio só distingue «não homens», já agora. Seria só mais evidentemente ridículo, mas, pelo menos, mais ridiculamente coerente.

[Nota: «Nosotras que no somos como las demás» é o título de um livro que Lucía Etxebarría publicou em 1999.]

© [m.m.b.]

22.4.14

razões para abril [2]

Da direita para a esquerda, vê-se um elemento da PIDE, um padre da Igreja Católica e cinco populares, cuja identidade não foi possível identificar. Portugal. s.d. [durante o período do "Estado Novo"]
fonte: web

«O professor hoje, em Portugal, vive com dificuldade de vida e com medo, esse terrível medo que se apoderou da quase totalidade da população portuguesa. [...]
A coisa vai mesmo mais longe - a política do medo não atingiu apenas uma determinada camada social ou profissão. Não, essa política foi a todos os sectores da vida nacional e a todos os núcleos da actividade privada e pública, procurando transformar-nos num povo aterrado, reduzido à condição deprimente de passarmos a vida a desconfiar uns dos outros. Mas o que é mais curioso, nesta questão, é que, ao fim e ao cabo, não se conseguiu apenas que os pequenos tenham medo uns dos outros e dos grandes, ou os indivíduos tenham medo das instituições. O próprio Estado foi vítima do seu jogo e acabou por ser tomado de medo dos cidadãos. Pois não é verdade que é a Polícia política quem supervisa, hoje, o recrutamento dos funcionários e até dos investigadores científicos? Porque é senão por medo, que se gasta mais com a segurança do que com a instrução primária? E porque é ainda, senão por medo, que se fazem eleições livres? De forma que, temos de o concluir, a primeira coisa a fazer para sermos gente é extrair o medo dos corações dos portugueses, fazendo deles homens generoso e fortes, libertados da grilheta da mais aviltante das escravidões

Bento de Jesus Caraça - Aspectos do Problema Cultural Português.
Sessão realizada pelo MUD em 30 de Novembro de 1946
.

26.3.14

razões para abril [1]


Parada da «Mocidade Portuguesa», 1 de Dezembro de 1940, Lisboa.
[fonte: Fototeca do Palácio Foz, Lisboa]
In Fernando Rosas (coord.) - Estado Novo. Lisboa: Editorial Estampa, 1994

«[Q]uando o deus tonitroante e dogmático dos exércitos, das pátrias, dos profetas salvíficos e dos caudilhos desce à terra, a atmosfera da liberdade fica rarefeita e estiola até à asfixia.
E quando morre a atmosfera da liberdade, da política como experiência humana do erro e da sua rectificação, morrem também os cidadãos, transformados em átomos, em membros de um rebanho social pronto a oferecer-se em imolação pelas mais sórdidas e vazias das causas

Viriato Soromenho-Marques - A Era da Cidadania.
Mem Martins: Publicações Europa-América, 1996, p. 38
.

20.2.14

k.o.


«Cool Hand Luke» [1967], de Stuart Rosenberg
[fonte: web]

A razão pela qual eu não escrevo sobre o referendo sobre a co-adopção em casais de pessoas do mesmo sexo é: não vai realizar-se um referendo sobre a co-adopção em casais de pessoas do mesmo sexo.

© [m.m. botelho]

29.1.14

disciplina de veto


«The hustler» [1961], de Robert Rossen
[fonte: web]
«N
ada é mais forte do que uma ideia cujo tempo chegou».
Provérbio alemão

16.1.14

e tu, ONU?


uma manifestante a ser agredida durante uma
marcha pelos direitos LGBT em Moscovo, 2013
[fonte: web]

Depois da perseguição que tem vindo a ocorrer na Rússia e de o Uganda, no dia 20/12/2013, ter aprovado uma lei que pune com prisão perpétua a homossexualidade, a Nigéria aprovou na terça-feira uma lei que pune com 10 anos de prisão quem revele publicamente ter um relacionamento amoroso com uma pessoa do mesmo sexo ou faça parte de uma associação LGBT. Já foram detidas dezenas de pessoas.
O que eu espero, muito pouco pacientemente, é que a Assembleia-Geral da ONU reaja firmemente a estas perseguições que atentam contra a dignidade humana e contra os direitos humanos. Espero que as medidas reactivas que a ONU pode tomar sejam tomadas, com a determinação que se espera daquela organização internacional. Espero que sejam suficientemente penalizadoras para que estes países arrepiem caminho na sua política anti-LGBT e que nenhum outro os tente imitar. Espero que o repúdio absoluto por estas políticas persecutórias e discriminatórias seja para lá de qualquer dúvida.
Não espero, portanto, nenhum milagre. Espero apenas que a comunidade internacional organizada saia da sua zona de conforto e aja para defender da morte e da perseguição aqueles por quem diz ter razão de ser e existir: a Humanidade.

© [m.m. botelho]

22.5.13

perigosas concepções


[fonte: web]

«É por perigosíssimas concepções como esta que não pode haver dúvida de que o humanismo e a sensibilidade social fazem toda a diferença na educação das pessoas. Enquanto se der mais valor ao capital financeiro do que ao capital humano, enquanto se der maior importância ao dinheiro do que ao Homem, enquanto se puserem as pessoas ao serviço do vil metal e não este ao serviço daquelas, não haverá outra coisa senão exploradores e explorados, ainda que uns e outros achem que não vem mal algum ao mundo por isso.»

Um excerto de «Empreendedores há muitos, humanistas é que nem por isso», a minha crónica que o «P3» publicou hoje, contendo algumas das minhas reflexões a propósito do sucedido no «Prós e Contras» da passada Segunda-feira.

© [m.m. botelho]

15.2.13

política, semântica, amor.

«O que surpreende na frase de Francisco José Viegas (FJV) não é, pois, a má-educação (de resto, assumida pelo próprio como "evidente"), mas a falta de decoro. É que por muito que possamos ser solidários com a posição defendida, ninguém deixará de notar que, do ponto de vista político, e fazendo a comparação (porque tudo isto vem à tona — coincidência ou não — no Dia de S. Valentim), FJV se mostra um ex- namorado um tanto ressabiado, daqueles que depressa "parte para outr@", sem fazer o luto da praxe à anterior relação, ao que se sabe, bastante amorosa.»

Um excerto de «Francisco José Viegas, serão mágoas de amor?», a minha crónica de estreia, ontem, no «P3».

© [m.m. botelho]

17.3.12

quando o tabuleiro vira

Perante os desaires da existência humana, mal de quem se foca promordialmente em qualquer outra coisa que não nos valores. Quando a vida dá as suas voltas, de muito pouco valerá zurzir contra o facto, clamar que é injusto e que ninguém merecia que tal acontecesse. A única coisa (talvez), a que poderemos agarrar-nos é aos nossos valores, ao nosso carácter e aos nossos princípios, se forem bons, e procurar dar a volta por cima das voltas da vida.

É essa, provavelmente, a grande diferença entre os que tombam do cavalo e se esfolam completamente, às vezes mesmo deixando de ser quem eram e revelando-se irreconhecíveis aos que mais intimamente se mostraram, e os que mantêm a força nas pernas para reagir e prosseguir o caminho a pé, ainda que com as suas limitações, hesitações e lentidão. O percurso é, essencialmente, solitário, pelo que convém que cada um tenha, em si mesmo, as capacidades para reagir. Caso contrário, arrisca-se a ser um fantasma de outros, quando o tabuleiro virar (porque ele vira sempre, mais tarde ou mais cedo), sem capacidade de agir a não ser ancorado nos discursos e nos actos alheios. Quem se escuda no que os outros dizem e fazem por si, argumentando que já alguém explicou o que havia para ser explicado e, por isso, nada mais tem de acrescentar, não tenha dúvidas de que não será capaz de articular palavra ou reacção quando o tabuleiro virar. Talvez, então, se dê conta de que andou a fingir que crescia e se fazia gente, quando, em boa verdade, nada mais fez do que abrigar-se sob a capa dos outros.

Cada um constatará que capacidades (valores, carácter e princípios) tem e cultivou ao longo dos anos no dia em que a vida o puser à prova. A "paralisia", a existir, é visível, por muito que se tente disfarçá-la, e se há verdadeiros mestres do disfarce, também há ingénuos que se comparam a eles quando não passam de canas verdes.

Termino como comecei: mal de quem se agarra a arrazoados. A fibra dos homens vê-se na sua coragem para lutar sob quaisquer que sejam as circunstâncias.

© [m.m. botelho]

10.2.12

artistas

Uma das coisas que eu também aprecio muito (ou não, ou não!) no carácter das pessoas é que elas contem as histórias, digamos, "à maneira delas", omitindo factos importantes e pormenores que fariam uma diferença monumental no entendimento que as outras pessoas (que as ouvem) fazem do sucedido.

É gente muito criativa: como não pode contar a verdade, inventa! No fundo, no fundo, o mundo está cheio de artistas!

© [m.m. botelho]

"pessoazinhas"

Infelizmente, constato a cada passo que há gente muito "pequenina" que aproveita todas as coisinhas, por mais insignificantes que sejam, para se vingar. Essas "pessoazinhas" esquecem é que a vingança só é concretizada se o alvo da mesma der ao vingador o poder de o fazer. Em síntese, não se vinga quem quer, só se vinga quem consegue e o que é evidente à saciedade é que raramente os "pequeninos" conseguem os seus intentos.

© [m.m. botelho]

16.12.11

«esta história não é tua»

Hesitei muito entre contar ou não aqui a história que me levou a escrever os posts «amargo de boca» e «instantâneos [42]», mas optei por fazê-lo, agora que tudo chegou ao fim e que me resigno com o lamentável desfecho que isto teve. Cá vai ela.

No início de Novembro, celebrei com a TMN um contrato que me permitia adquirir um iPhone a um preço reduzido, desde que subscrevesse um determinado tarifário e me vinculasse a ele durante o período de 24 meses. Na loja informaram-me que, caso repensasse a situação e quisesse voltar atrás na decisão, bastaria devolver o equipamento na caixa original e com os acessórios originais, tudo em excelente estado de conservação, no prazo de 30 dias e que o montante que eu tinha pago me seria devolvido e o contrato resolvido.

Passados sete dias, quis resolver o contrato com a TMN. Dirigi-me à loja e, junto do mesmo funcionário, apresentei o iPhone tal como me tinha sido dito uma semana antes e disse que queria resolver o contrato. O funcionário verificou o equipamento, pegou nas cópias dos contratos e dirigiu-se ao interior da loja. Passados 40 minutos, regressou e informou-me de que eu não poderia devolver o equipamento à TMN, mas teria de o fazer junto da Apple, pois a TMN só poderia aceitar a devolução caso a Apple a aceitasse previamente.

Fiquei muito espantada e disse-lhe que isso era ridículo, visto que a Apple era um terceiro alheio ao meu contrato com a TMN. Se eu tinha celebrado o contrato com a TMN, era com a TMN que tinha de o resolver e não com a Apple. Perante a recusa do funcionário, apresentei uma reclamação por escrito.

Passados 2 dias, fui informada telefonicamente de que deveria contactar a Apple, ou seja, repetiram a informação dada pelo funcionário na loja. Então, eu escrevi um e-mail ao "Apoio a Clientes Comerciais da PT" (que é o que eu sou), expondo toda a situação e pedindo uma resposta por escrito. Como resposta, recebi um daqueles e-mails automáticos que dizem que o e-mail foi recebido e a situação será analisada e respondida no prazo de 10 dias.

Passados 10 dias, nenhuma informação me havia sido dada. Voltei à loja para devolver o equipamento, mas uma vez mais a TMN "empurrou" o assunto para a Apple. Insisti via e-mail e a resposta lá veio: teria de contactar a Apple. A contragosto, contactei a Apple e eis que a Apple me informa, via e-mail, de que a informação prestada pela TMN é falsa e de que a Apple é absolutamente alheia aos contratos celebrados entre as operadoras e os seus clientes e que as normas desses contratos são estabelecidas exclusivamente pelas operadoras, ou seja, a Apple veio dizer aquilo que eu já havia antecipado logo no primeiro dia em que a TMN tentou "empurrar" a resolução da questão para a Apple.

Então, eu enviei por e-mail à TMN o e-mail da Apple e pedi que se pronunciassem agora, perante este novo facto, sobre como pretendiam resolver a situação. E regressei à loja onde, pela terceira vez e sempre junto do mesmo funcionário, tentei resolver o contrato e devolver o iPhone. Uma vez mais, da parte do "Apoio a Clientes Comerciais da PT" obtive silêncio e da parte do funcionário da loja obtive espanto, que eram as informações que lhe tinham dado, que não sabia que a Apple não tinha intervenção no processo de resolução dos contratos, que sempre pensou que os equipamentos tinham de ser devolvidos à Apple, que ia enviar o e-mail da Apple para um departamento da TMN que me daria uma resposta definitiva em 48 horas.

E eu, pela terceira vez, farta de ser enganada, pedi ao funcionário que chamasse o gerente de loja e, então, chamei "mentirosa" e "falsária" à TMN, disse-lhes que a TMN tinha inventado aquela patranha da necessidade da autorização prévia da Apple apenas para me enganar, para prolongar o procedimento de resolução do contrato, para me impedir de exercer o meu direito que o próprio funcionário da loja me havia dito que eu podia exercer durante 30 dias.

E eis que ele, o funcionário, que até ali sempre havia fingido ser um totó que se limitava a cumprir ordens superiores, se volta para mim e diz que o prazo para troca e devolução dos equipamentos só existe nas vendas online e não nas vendas presenciais e que, como eu tinha adquirido o equipamento na loja, não tinha direito a qualquer resolução do contrato a não ser no dia em que o celebrei.

Ele, que me tinha dito que eu tinha o prazo de 30 dias para devolver o equipamento e resolver o contrato, estava agora a dizer-me que não, que eu não tinha direito a qualquer prazo para o fazer! Isto é: a dar o dito por não dito, a mentir, a falsear, a "fugir com o rabo à seringa", a dizer que não disse o que disse!

Fiquei transtornada, como é óbvio. Cheguei a casa, procurei todos os talões e condições gerais. Em nenhum consta expressamente que posso devolver o equipamento ou resolver o contrato. De acordo com a legislação vigente, isso fica ao critério de cada loja, logo, a TMN, depois de ter tentado "empurrar" a culpa da impossibilidade de resolução para a Apple sem sucesso (apenas para branquear a sua imagem, claro, ainda que isso "queime" a imagem da Apple), admite, só porque é obrigada, que afinal não resolve o contrato e não aceita o equipamento porque essa é a sua política de vendas, ao contrário daquilo que diz aos clientes, mas apenas verbalmente.

Em suma, os funcionários das lojas TMN dão informações falsas aos clientes no que respeita ao processo de trocas e/ou resoluções dos contratos e ficam impunes por isso, porque a grande questão que se coloca aqui é a da prova: como tudo se passou verbalmente e, ainda por cima, eu não tinha testemunhas na altura da compra, não tenho como provar que o funcionário da TMN me disse expressamente que eu poderia resolver o contrato no prazo de 30 dias, visto que ele mesmo nega tê-lo dito. Não tendo como fazer a prova, nada mais me resta senão resignar-me.

É por isso que toda esta situação que veio a lume no dia 8 de Dezembro poderia estar resolvida três semanas antes se a TMN tivesse admitido logo que não resolveria o contrato comigo porque não resolve contratos feitos presencialmente e não tivesse andado a inventar patranhas para me "enrolar". Talvez nesse caso eu tivesse compreendido e não me tivesse sentido enganada. E talvez assim a TMN tivesse conseguido salvar uma relação com uma cliente, o que não conseguiu, porque findo o período de vinculação, a operadora em causa não verá nem mais um cêntimo da minha parte [percebe-se melhor agora o post «amargo de boca»?].

De igual modo, também não vou esquecer que o funcionário da loja, que terá a minha idade ou muito perto disso, negou nos meus olhos o que me tinha dito um mês antes com a voz a tremer, o rosto vermelho como um pimento, os olhos raiados como os de um puto que quase vai chorar enquanto o lábio inferior lhe tremia. É dos espectáculos mais deprimentes a que podemos assistir: ver alguém já crescidinho (com mais de 10 anos, vá) mentir [percebe-se melhor agora o post «instantâneos [42]»?]

E pronto. Pode ser que agora, que está contada a história, se leiam os referidos posts com os olhos com que têm de ser lidos e sem deturpações. Afinal, não passam de posts sobre a minha triste aventura com a TMN e nada mais.

É como canta o Jorge Palma: «Deixa-me rir, esta história não é tua». Se calhar, até podia ser, mas não é. É minha e da TMN, só isso. Valha-me a santinha dos iPhones.

© [m.m. botelho]

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algumas notas importantes sobre os direitos de autor

» O âmbito do direito de autor e os direitos conexos incidem a sua protecção sobre duas realidades: a tutela das obras e o reconhecimento dos respectivos direitos aos seus autores.
» O direito de autor protege as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas.
» Obras originais são as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu género, forma de expressão, mérito, modo de comunicação ou objecto.
» Uma obra encontra-se protegida, logo que é criada e fixada sob qualquer tipo de forma tangível de modo directo ou com a ajuda de uma máquina.
» A protecção das obras não está sujeita a formalização alguma. O direito de autor constitui-se pelo simples facto da criação, independentemente da sua divulgação, publicação, utilização ou registo.
» O titular da obra é, salvo estipulação em contrário, o seu criador.
» A obra não depende do conhecimento pelo público. Ela existe independente da sua divulgação, publicação, utilização ou exploração, apenas se lhe impondo, para beneficiar de protecção, que seja exteriorizada sob qualquer modo.
» O direito de autor pertence ao criador intelectual da obra, salvo disposição expressa em contrário.