© [m.m. botelho] | francisco | 23.06.2008 | 1 dia ainda não completo de vida
23.6.08
22.6.08
a maior e melhor de todas surpresas
Francisco. Hoje. Sem ninguém contar. A maior e melhor de todas surpresas. Sei que terás uma vida boa e bonita. Sei que viverás rodeado de mimos. Sei que serás muito feliz. E sei que és um ser maravilhoso, a quem eu amo com todo o meu coração.
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órbita cemitério
«A 36000 quilómetros da Terra» – leu – «encontra-se uma órbita geoestacionária, fixa à atmosfera porque se move à mesma velocidade da Terra: a Órbita Cemitério, que é como se denomina aquela para onde são enviados os satélites quando perdem a sua vida útil. Todos os satélites dispõem de uma energia de reserva, de modo que, se ocorrer algum problema, este último combustível remanescente será aproveitado para os enviar para essa órbita, onde ficarão fixos no espaço sem necessidade de qualquer motor para os manter na sua posição». Ou seja, para nos entendermos, os pobres satélites são como elefantes que vão morrer na sua necrópole comum. Se pensarmos bem, não deixa de ser poético. Vá lá, Bea: uns trastes velhos enormes cuja função principal era a comunicação, mudos, afastados para sempre, rodeados por um exercito de trastes velhos similares que também nunca mais poderão comunicar. Uma loucura, não achas?
Lúcia Etxebarría, Beatriz e os corpos celestes,
4.ª edição, Lisboa, Editorial Notícias, 1998, p. 14.
4.ª edição, Lisboa, Editorial Notícias, 1998, p. 14.
Fixo-me nesta reflexão de Mónica, a personagem deste extraordinário livro de Lúcia Etxebarría que lê coisas que a sua amiga Bea considera desinteressantes e apelida de «lixo». A existência da «órbita cemitério» torna-se, simultaneamente, tranquilizadora e inquietante. Por um lado, sossega-me saber que, apesar do nome curioso, ela não passa do meio encontrado pela ciência espacial para se livrar dos engenhos inúteis para a função que lhes cabia. Por outro lado, preocupa-me um pouco saber que existem ao redor do nosso planeta artefactos daquela natureza vagueando livremente sem destino nem controle.
Sem que o possa tocar ou sentir, sinto em torno de mim um espaço por onde vagueiam as lembranças de pessoas que outrora fizeram parte da minha vida e que hoje não estão presentes. Quero acreditar que se trata apenas daqueles cuja “função” no meu percurso mudou ou deixou, pura e simplesmente, de fazer sentido. Dentro da memória, tenho centenas e centenas de momentos que subsistem por si só, «sem necessidade de qualquer motor para os manter na sua posição».
Como diz Mónica, não deixa de ser poético. Não deixa de ser poético imaginar que um dia todos nós não passaremos de corpos mudos rodeados de outros tantos corpos mudos, girando à velocidade lenta das horas, para sempre apartados uns dos outros, como se nenhuma importância tivéssemos a não ser para nós mesmos. Afinal, todos nós acabaremos por «morrer» numa «necrópole comum», a da memória de tantos pelas vidas de quem passámos e não ficámos. Provavelmente, porque não tínhamos mesmo de ficar.
Talvez esta mesma dinâmica se aplique a tudo. Talvez tudo seja mesmo temporário, passageiro, cronometradamente estabelecido. Simultaneamente, tranquilizador e inquietante.
Quer se trate de satélites obsoletos ou de pessoas, findo o percurso determinado, a última réstia de forças será sempre destinada a seguir caminho para uma espécie de limbo, situado algures entre o cérebro e o coração, entre a memória e os afectos, entre o que foi e o que já não é nem voltará nunca a ser. Esse limbo, em redor de cada um de nós, onde repousam os restos incomunicáveis de tanto e de tanta gente. Esse limbo, ao qual bem poderíamos chamar «órbita cemitério».
[Também publicado em PNETmulher.]
© Marta Madalena Botelho
Sem que o possa tocar ou sentir, sinto em torno de mim um espaço por onde vagueiam as lembranças de pessoas que outrora fizeram parte da minha vida e que hoje não estão presentes. Quero acreditar que se trata apenas daqueles cuja “função” no meu percurso mudou ou deixou, pura e simplesmente, de fazer sentido. Dentro da memória, tenho centenas e centenas de momentos que subsistem por si só, «sem necessidade de qualquer motor para os manter na sua posição».
Como diz Mónica, não deixa de ser poético. Não deixa de ser poético imaginar que um dia todos nós não passaremos de corpos mudos rodeados de outros tantos corpos mudos, girando à velocidade lenta das horas, para sempre apartados uns dos outros, como se nenhuma importância tivéssemos a não ser para nós mesmos. Afinal, todos nós acabaremos por «morrer» numa «necrópole comum», a da memória de tantos pelas vidas de quem passámos e não ficámos. Provavelmente, porque não tínhamos mesmo de ficar.
Talvez esta mesma dinâmica se aplique a tudo. Talvez tudo seja mesmo temporário, passageiro, cronometradamente estabelecido. Simultaneamente, tranquilizador e inquietante.
Quer se trate de satélites obsoletos ou de pessoas, findo o percurso determinado, a última réstia de forças será sempre destinada a seguir caminho para uma espécie de limbo, situado algures entre o cérebro e o coração, entre a memória e os afectos, entre o que foi e o que já não é nem voltará nunca a ser. Esse limbo, em redor de cada um de nós, onde repousam os restos incomunicáveis de tanto e de tanta gente. Esse limbo, ao qual bem poderíamos chamar «órbita cemitério».
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15.6.08
pelo preço de um «Boca Doce» e de uma desilusão infantil
Há dias, pus-me a fazer um esforço de memória para chegar a esta conclusão: foi muito pouco o que fui proibida de fazer enquanto vivi sobre a alçada familiar. Ainda passaram uns bons minutos até que eu conseguisse lembrar-me de, pelo menos, uma das poucas coisas que me estavam vedadas.
Recordo-me, por exemplo, que lá em casa não havia lugar para os pudins «Boca Doce». A publicidade que passava na televisão entrava-me todos os dias pelos olhos dentro e quase me fazia salivar só de a ver. Sem nunca o ter provado, eu imaginava como seria aquele sabor que andava nas bocas d(e todo)o mundo. Confesso que me fascinava de modo muito especial o pudim de chocolate, não por ser de chocolate – substância da qual não sou grande apreciadora –, mas pela cor e pela textura e, acima de tudo, pelo brilho com que tremelicava em cima do prato.
Um dia, lá tive o atrevimento de pedir que comprassem um pudim «Boca Doce». A minha mãe, que não tinha por hábito negar os meus pedidos só por negar, assegurou-me que eu não haveria de apreciar do sabor, já que aqueles pudins não eram como os que eu estava acostumada a comer. Depois, pacientemente, explicou-me que os ingredientes utilizados para fazer estes pudins eram em pó e não como os que eu via serem misturados nas bacias lá de casa. Eu repliquei que isso já eu sabia, mas não fazia mal. Eu desconhecia por completo o sabor daqueles pudins «da televisão» e começava a ser uma questão de vida ou morte sair daquele estado de ignorância absoluta. Perante a minha insistência, a minha mãe achou que comer umas colheradas de «Boca Doce» ao menos uma vez, nem que fosse só para provar, não haveria de trazer grande mal ao mundo.
E não trouxe. Provei o pudim, mas fiquei-me por aí. Depressa percebi que aquela massa gelatinosa opaca não era parente, nem sequer afastada, dos pudins que eu tinha comido até então. E nem o facto de se tratar do tão desejado pudim de chocolate fez qualquer diferença na apreciação final: um horror. O resto do «Boca Doce» lá ficou, debaixo de uma campânula de vidro, votado à minha total indiferença.
A partir daquele dia, o anúncio publicitário tornou-se cada vez menos fascinante: os pudins tinham uma cor menos bonita, uma textura menos atractiva e o brilho com que tremelicavam em cima do prato desapareceu, até que os «Boca Doce» acabaram por ficar completamente baços e desinteressantes.
E foi assim que, pelo preço de um «Boca Doce» e de uma desilusão infantil, fiquei a saber que o fruto proibido pode até ser o mais apetecido, mas quase nunca é o melhor.
[Também publicado em PNETmulher.]
© Marta Madalena Botelho
Recordo-me, por exemplo, que lá em casa não havia lugar para os pudins «Boca Doce». A publicidade que passava na televisão entrava-me todos os dias pelos olhos dentro e quase me fazia salivar só de a ver. Sem nunca o ter provado, eu imaginava como seria aquele sabor que andava nas bocas d(e todo)o mundo. Confesso que me fascinava de modo muito especial o pudim de chocolate, não por ser de chocolate – substância da qual não sou grande apreciadora –, mas pela cor e pela textura e, acima de tudo, pelo brilho com que tremelicava em cima do prato.
Um dia, lá tive o atrevimento de pedir que comprassem um pudim «Boca Doce». A minha mãe, que não tinha por hábito negar os meus pedidos só por negar, assegurou-me que eu não haveria de apreciar do sabor, já que aqueles pudins não eram como os que eu estava acostumada a comer. Depois, pacientemente, explicou-me que os ingredientes utilizados para fazer estes pudins eram em pó e não como os que eu via serem misturados nas bacias lá de casa. Eu repliquei que isso já eu sabia, mas não fazia mal. Eu desconhecia por completo o sabor daqueles pudins «da televisão» e começava a ser uma questão de vida ou morte sair daquele estado de ignorância absoluta. Perante a minha insistência, a minha mãe achou que comer umas colheradas de «Boca Doce» ao menos uma vez, nem que fosse só para provar, não haveria de trazer grande mal ao mundo.
E não trouxe. Provei o pudim, mas fiquei-me por aí. Depressa percebi que aquela massa gelatinosa opaca não era parente, nem sequer afastada, dos pudins que eu tinha comido até então. E nem o facto de se tratar do tão desejado pudim de chocolate fez qualquer diferença na apreciação final: um horror. O resto do «Boca Doce» lá ficou, debaixo de uma campânula de vidro, votado à minha total indiferença.
A partir daquele dia, o anúncio publicitário tornou-se cada vez menos fascinante: os pudins tinham uma cor menos bonita, uma textura menos atractiva e o brilho com que tremelicavam em cima do prato desapareceu, até que os «Boca Doce» acabaram por ficar completamente baços e desinteressantes.
E foi assim que, pelo preço de um «Boca Doce» e de uma desilusão infantil, fiquei a saber que o fruto proibido pode até ser o mais apetecido, mas quase nunca é o melhor.
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9.6.08
la-ran-ja

piolho d'ouro | porto | 09.06.2008
A ver o jogo de futebol que opôs a Holanda e a Itália no Euro 2008. Vitória da selecção laranja. Isso mesmo, laranja. Ora repete comigo: la-ran-ja! :) E a descoberta da mousse de chocolate do «Piolho». Tão boa!
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8.6.08
bolachas de manteiga
É inexplicável, mas acontece sempre. À medida que me vou aproximando do pueblo, começo a sentir o cheiro a bolachas de manteiga acabadas de cozer. Chego à padaria onde há mais de cem anos um padeiro junta os ingredientes, sempre pela mesma ordem, em grandes bacias de cerâmica para depois os misturar e trabalhar a massa com as próprias mãos. O agora responsável pela feitura destas bolachas que eu adoro já não é propriamente jovem – talvez seja um pouco mais velho do que os meus pais, talvez seja uma daquelas pessoas a quem o trabalho e as dificuldades da vida maltrataram e envelheceram mais depressa – e diz que aprendeu a receita com um tio, que por sua vez a aprendeu com o pai, seu avô, que a inventou e fundou o negócio. À medida que ele vai falando, vou imaginando como seriam o tal tio e o avô, ambos padeiros, calças e camisas imaculadamente brancas, os sapatos peneirados de farinha, as mãos delicadas mas fortes a baterem a manteiga, os ovos, o açúcar, a farinha e um segredo muito bem guardado a sete chaves.
Fui só cumprimentá-lo, como faço sempre. Saio daquela sala enorme e quente e dirijo-me ao sítio onde vou comprar as bolachas. A porta é imediatamente ao lado, mas não há passagem interior de uma divisão para a outra. Bastaram os cinco segundos que demorei para perceber que na rua está ainda mais calor do que junto aos fornos, apesar de o sol já não estar a pique e ter passado a hora da siesta.
Para entrar na tienda é preciso passar uma cortina anti-insectos. O barulho das correntes de alumínio de muitas cores a baterem umas nas outras avisa que entrou um cliente. Atrás do comprido balcão de madeira está uma senhora de baixa estatura que me recebe com um «Hola!» que quase me faz sentir parte daquela família. É casada com o padeiro – tem umas mãos tão delicadas quanto as dele – e juntos têm quatro filhos, todos rapazes e aproximadamente da mesma altura, o que indicia que nasceram com pouco tempo de intervalo entre si. Uma vez, o marido contou-me que sempre quisera ter uma filha e por isso acabou por ter quatro rapazes. Depois corrigiu-se a si próprio para me dizer que não fora bem «por isso», mas «em busca disso». Depois de nascer o mais novo, continuaram a tentar a sorte, mas a mulher nunca mais engravidou. Voltou a corrigir-se para dizer que continuavam a tentar, riu-se, e pediu-me que não levasse a mal a marotice do que disse sem dizer. Não levei, claro. De cada vez que aqui volto vejo que ainda não são pais dessa tão desejada filha. Sempre que lhes pergunto se já perderam a esperança, respondem-me que isso é que nunca.
Encomendo à mulher do padeiro uns dez saquinhos de bolachas para levar. Cada um tem 250 gramas. Enquanto ela os vai separando e contando, penso, como de todas as outras vezes, que se calhar são poucos, atendendo a que nunca sei quando poderei voltar novamente. A aldeia fica longe do resto do mundo, por isso a viagem, que é grande, é propositada. Peço-lhe mais meio quilo porque uma dúzia de saquinhos é conta certa.
Ela sorri, revelando uma fileira de dentes brancos, e pergunta-me se tenho a certeza de que não quero mais. Hesito, mas logo me lembro dos preconceitos da gente da cidade, dos estereótipos que a urbanidade nos impõe, dos conselhos do médico para não engordar, dos artigos das revistas e dos jornais que alertam para os malefícios dos doces. Respondo-lhe que não, que é melhor não, que, caso só regresse dali a um ano, já vou abastecida com um saquinho para cada mês, o que me parece suficiente. Ela volta a sorrir, assente com a cabeça e diz que está bem. Faz-me a conta, eu pago e deixo-lhe o troco, apenas uns poucos euros que não compensam de modo algum a simpatia com que aquele casal me recebe.
Quando chego ao carro conto os saquinhos: são treze. Sei que a mulher não se enganou nas contas, que quis mesmo oferecer-mo, como fez de todas as outras vezes.
Sempre que como uma das suas bolachas de manteiga lembro-me daquele homem que continua a acreditar que há-de ser pai de uma menina e daquela mulher que tem sempre mais uns quantos cabelos brancos desde a última vez que a vi. Recordo-me da sua amabilidade e das mãos de ambos e convenço-me de que o segredo de tanta delicadeza só pode mesmo estar na manteiga com que com tanta mestria fabricam estas deliciosas bolachas.
[Também publicado em PNETmulher.]
© Marta Madalena Botelho
Fui só cumprimentá-lo, como faço sempre. Saio daquela sala enorme e quente e dirijo-me ao sítio onde vou comprar as bolachas. A porta é imediatamente ao lado, mas não há passagem interior de uma divisão para a outra. Bastaram os cinco segundos que demorei para perceber que na rua está ainda mais calor do que junto aos fornos, apesar de o sol já não estar a pique e ter passado a hora da siesta.
Para entrar na tienda é preciso passar uma cortina anti-insectos. O barulho das correntes de alumínio de muitas cores a baterem umas nas outras avisa que entrou um cliente. Atrás do comprido balcão de madeira está uma senhora de baixa estatura que me recebe com um «Hola!» que quase me faz sentir parte daquela família. É casada com o padeiro – tem umas mãos tão delicadas quanto as dele – e juntos têm quatro filhos, todos rapazes e aproximadamente da mesma altura, o que indicia que nasceram com pouco tempo de intervalo entre si. Uma vez, o marido contou-me que sempre quisera ter uma filha e por isso acabou por ter quatro rapazes. Depois corrigiu-se a si próprio para me dizer que não fora bem «por isso», mas «em busca disso». Depois de nascer o mais novo, continuaram a tentar a sorte, mas a mulher nunca mais engravidou. Voltou a corrigir-se para dizer que continuavam a tentar, riu-se, e pediu-me que não levasse a mal a marotice do que disse sem dizer. Não levei, claro. De cada vez que aqui volto vejo que ainda não são pais dessa tão desejada filha. Sempre que lhes pergunto se já perderam a esperança, respondem-me que isso é que nunca.
Encomendo à mulher do padeiro uns dez saquinhos de bolachas para levar. Cada um tem 250 gramas. Enquanto ela os vai separando e contando, penso, como de todas as outras vezes, que se calhar são poucos, atendendo a que nunca sei quando poderei voltar novamente. A aldeia fica longe do resto do mundo, por isso a viagem, que é grande, é propositada. Peço-lhe mais meio quilo porque uma dúzia de saquinhos é conta certa.
Ela sorri, revelando uma fileira de dentes brancos, e pergunta-me se tenho a certeza de que não quero mais. Hesito, mas logo me lembro dos preconceitos da gente da cidade, dos estereótipos que a urbanidade nos impõe, dos conselhos do médico para não engordar, dos artigos das revistas e dos jornais que alertam para os malefícios dos doces. Respondo-lhe que não, que é melhor não, que, caso só regresse dali a um ano, já vou abastecida com um saquinho para cada mês, o que me parece suficiente. Ela volta a sorrir, assente com a cabeça e diz que está bem. Faz-me a conta, eu pago e deixo-lhe o troco, apenas uns poucos euros que não compensam de modo algum a simpatia com que aquele casal me recebe.
Quando chego ao carro conto os saquinhos: são treze. Sei que a mulher não se enganou nas contas, que quis mesmo oferecer-mo, como fez de todas as outras vezes.
Sempre que como uma das suas bolachas de manteiga lembro-me daquele homem que continua a acreditar que há-de ser pai de uma menina e daquela mulher que tem sempre mais uns quantos cabelos brancos desde a última vez que a vi. Recordo-me da sua amabilidade e das mãos de ambos e convenço-me de que o segredo de tanta delicadeza só pode mesmo estar na manteiga com que com tanta mestria fabricam estas deliciosas bolachas.
[Também publicado em PNETmulher.]
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6.6.08
4.6.08
o barulho e o silêncio
Parece que a possibilidade de Hillary Clinton poder vir a ser a próxima candidata do Partido Democrata às eleições presidenciais dos Estados Unidos da América foi um assunto tremendamente importante e que deu imenso que falar pelo facto de se tratar da primeira mulher a poder alcançar tal posto naquele país. Como já é consabido, Clinton não passou, afinal, de uma possibilidade que não resistiu ao furacão Obama e hélas!, ainda não foi desta que uma mulher lá chegou.
Parece que o facto de Manuela Ferreira Leite ter sido, efectivamente, candidata à presidência de um dos maiores partidos portugueses (o outro é o PCTP/MRPP) e, mais do que isso, ter ganho as eleições foi um assunto tremendamente desinteressante e que deu imenso que silenciar, devido - será? - ao facto de se tratar da primeira mulher a alcançar tal posto neste país. Como já é consabido, Ferreira Leite já não é somente uma possibilidade, mas sim um realidade que resistiu ao furacão Santana Lopes e quejandos e hélas, foi mesmo desta que uma mulher lá chegou.
[Dizem que é assim no país onde o partido do Governo aprova uma chamada «Lei das Quotas» mas não a cumpre, esse mesmo país onde há uma mão cheia de associações de defesa dos Direitos das Mulheres que não se insurgem perante o facto e que também acham que não têm nada a dizer sobre a eleição de Manuela Ferreira Leite...]
[Tambéml publicado em PNETmulher.]
© Marta Madalena Botelho
Parece que o facto de Manuela Ferreira Leite ter sido, efectivamente, candidata à presidência de um dos maiores partidos portugueses (o outro é o PCTP/MRPP) e, mais do que isso, ter ganho as eleições foi um assunto tremendamente desinteressante e que deu imenso que silenciar, devido - será? - ao facto de se tratar da primeira mulher a alcançar tal posto neste país. Como já é consabido, Ferreira Leite já não é somente uma possibilidade, mas sim um realidade que resistiu ao furacão Santana Lopes e quejandos e hélas, foi mesmo desta que uma mulher lá chegou.
[Dizem que é assim no país onde o partido do Governo aprova uma chamada «Lei das Quotas» mas não a cumpre, esse mesmo país onde há uma mão cheia de associações de defesa dos Direitos das Mulheres que não se insurgem perante o facto e que também acham que não têm nada a dizer sobre a eleição de Manuela Ferreira Leite...]
[Tambéml publicado em PNETmulher.]
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1.6.08
já lá vai algum tempo desde a última vez que sonhei acordada.
Quando o genérico começou a rolar, ainda me ecoava nos ouvidos uma repetitiva melodia arabesca, ainda sentia no peito o coração a bater ao ritmo das pancadas do durbak. «O Segredo de Um Cuscuz» («La Graine Et Le Mulet», no original), o filme de Abdellatif Kechiche que tive o privilégio de ver na passada quarta-feira, não é um filme de digestão fácil. E o termo «digestão» não cai aqui ao acaso. Uma das cenas mais imponentes do filme – e uma das mais longas, também – tem lugar à mesa, uma mesa em redor da qual se reúne uma família numerosa, comendo, bebendo, conversando em grande animação e diversidade de posturas, cada qual degustando o seu cuscuz de peixe. Pelo meio trocam-se olhares cúmplices e simultaneamente desconfiados, porque todos os presentes têm algo a esconder dos outros: há um recém-casado muito pouco fiel, uma mulher traída que não se sente parte da família, uma irmã que acoberta as traições do irmão, um francês que adora cuscuz mas poucas palavras sabe de árabe, uma jovem em dieta que não resiste a pimentos, uma matriarca separada que ainda não deixou de amar o marido que a abandonou.
Tal como eles, todos temos os nossos pequenos pecados a ocultar, principalmente daqueles que mais amamos. Tememos a rejeição dos que nos são queridos, não estar à altura das suas expectativas, não corresponder ao estereótipo da nossa função nas suas vidas. E estremecemos.
Talvez por isso uma figura como a de Slimane Beiji seja altamente improvável. Trata-se da personagem central do filme, um sexagenário que há trinta e cinco anos trabalha precariamente num estaleiro que o acha velho e lento demais para as funções que desempenha. Até aqui, nada de surpreendente. Mas Slimane guarda dentro do peito um sonho: abrir um restaurante num cargueiro decrépito, um negócio para deixar aos filhos quando morrer. E aqui tudo muda de figura. Acalentar sonhos aos sessenta anos é, por si só, digno de nota; empenhar todo o tempo e esforço para a sua concretização é ainda mais meritório.
Slimane, ao lutar pelo seu sonho até à exaustão, acaba por dar a todos quantos o vêem uma imensa lição de vida. Quantos de nós não desistimos já de algo que queríamos muito só porque algo ou alguém nos colocou um entrave, por minúsculo que tenha sido? Acabar a pensar que talvez não o quiséssemos assim tanto é uma forma de contornar as coisas, mas nem sempre é verdade. Provavelmente, queriamo-lo mesmo muito, simplesmente não tivemos a coragem e a perseverança para lutar por ele.
O filme termina com sugestões e não com afirmações. Não se vê o que aconteceu no fim daquela longa noite, mas intui-se. Cada um dos amados de Slimane – as filhas, a ex-mulher, os amigos músicos, a incansável Rym e a sua mãe –, não obstante o tanto que os separa uns dos outros, contribuiu com a sua parte para a realização de um mesmo objectivo.
Saí da sala com uma amálgama de sons e imagens a latejarem-me na cabeça: os palavrões da conversa entre uma adolescente e a mãe, a expressão desolada e os gritos agonizantes de uma mulher repetidamente traída pelo marido, o zumbido de uma motorizada e a fumaça espessa saindo do escape, os movimentos embriagantes, encantadores e extenuantes do ventre de Rym. E o durbak, sempre o durbak vibrando entre duas mãos enrugadas.
Cheguei à conclusão de que já lá vai algum tempo desde a última vez que sonhei acordada. Pus-me a fazer contas à vida e já lá vai demasiado tempo. «Quando foi a última vez que fizeste algo grandioso?», pensei com os meus botões, enquanto a chuva morrinha ia caindo lentamente sobre o pára-brisas do meu carro.
[Também publicado em PNETmulher.]
© Marta Madalena Botelho
Tal como eles, todos temos os nossos pequenos pecados a ocultar, principalmente daqueles que mais amamos. Tememos a rejeição dos que nos são queridos, não estar à altura das suas expectativas, não corresponder ao estereótipo da nossa função nas suas vidas. E estremecemos.
Talvez por isso uma figura como a de Slimane Beiji seja altamente improvável. Trata-se da personagem central do filme, um sexagenário que há trinta e cinco anos trabalha precariamente num estaleiro que o acha velho e lento demais para as funções que desempenha. Até aqui, nada de surpreendente. Mas Slimane guarda dentro do peito um sonho: abrir um restaurante num cargueiro decrépito, um negócio para deixar aos filhos quando morrer. E aqui tudo muda de figura. Acalentar sonhos aos sessenta anos é, por si só, digno de nota; empenhar todo o tempo e esforço para a sua concretização é ainda mais meritório.
Slimane, ao lutar pelo seu sonho até à exaustão, acaba por dar a todos quantos o vêem uma imensa lição de vida. Quantos de nós não desistimos já de algo que queríamos muito só porque algo ou alguém nos colocou um entrave, por minúsculo que tenha sido? Acabar a pensar que talvez não o quiséssemos assim tanto é uma forma de contornar as coisas, mas nem sempre é verdade. Provavelmente, queriamo-lo mesmo muito, simplesmente não tivemos a coragem e a perseverança para lutar por ele.
O filme termina com sugestões e não com afirmações. Não se vê o que aconteceu no fim daquela longa noite, mas intui-se. Cada um dos amados de Slimane – as filhas, a ex-mulher, os amigos músicos, a incansável Rym e a sua mãe –, não obstante o tanto que os separa uns dos outros, contribuiu com a sua parte para a realização de um mesmo objectivo.
Saí da sala com uma amálgama de sons e imagens a latejarem-me na cabeça: os palavrões da conversa entre uma adolescente e a mãe, a expressão desolada e os gritos agonizantes de uma mulher repetidamente traída pelo marido, o zumbido de uma motorizada e a fumaça espessa saindo do escape, os movimentos embriagantes, encantadores e extenuantes do ventre de Rym. E o durbak, sempre o durbak vibrando entre duas mãos enrugadas.
Cheguei à conclusão de que já lá vai algum tempo desde a última vez que sonhei acordada. Pus-me a fazer contas à vida e já lá vai demasiado tempo. «Quando foi a última vez que fizeste algo grandioso?», pensei com os meus botões, enquanto a chuva morrinha ia caindo lentamente sobre o pára-brisas do meu carro.
[Também publicado em PNETmulher.]
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29.5.08
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algumas notas importantes sobre os direitos de autor
» O âmbito do direito de autor e os direitos conexos incidem a sua protecção sobre duas realidades: a tutela das obras e o reconhecimento dos respectivos direitos aos seus autores.
» O direito de autor protege as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas.
» Obras originais são as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu género, forma de expressão, mérito, modo de comunicação ou objecto.
» Uma obra encontra-se protegida, logo que é criada e fixada sob qualquer tipo de forma tangível de modo directo ou com a ajuda de uma máquina.
» A protecção das obras não está sujeita a formalização alguma. O direito de autor constitui-se pelo simples facto da criação, independentemente da sua divulgação, publicação, utilização ou registo.
» O titular da obra é, salvo estipulação em contrário, o seu criador.
» A obra não depende do conhecimento pelo público. Ela existe independente da sua divulgação, publicação, utilização ou exploração, apenas se lhe impondo, para beneficiar de protecção, que seja exteriorizada sob qualquer modo.
» O direito de autor pertence ao criador intelectual da obra, salvo disposição expressa em contrário.
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