16.9.08

a culpa é do soneto

Num excepcional texto publicado na PNETliteratura, Jorge Reis-Sá ironiza sobre as maiúsculas, as secretárias rectas dos anos 80, os inerentes problemas de costas que advém do seu uso por pessoas muito crescidas, a distinção inaceitável entre os poetas e o resto da matilha, a necessidade do uso de muletas para caminhar, um par de quadras para engatar cachopas, Florbela Espanca e saudosismos inconsequentes. E conclui: a culpa deste país estar desequilibrado é, afinal, de um soneto. Está cheio de razão.

© Marta Madalena Botelho

15.9.08

comer (com) a vida

A vida come-se quando é boa; come-nos quando é má. E às vezes, quando menos esperamos, também comemos com ela.
Em Portugal, antes de todas as coisas, está o tempo. Este tempo. Este que ninguém nos pode tirar e a que os povos com tempos piores chamam, à falta de melhor, clima.
Depois, há coisas que crescem por causa do tempo. Como o tempo é bom, são boas. E como as coisas são boas, os portugueses querem comê-las. E comem-nas bem comidas, o mais perto que possam ficar da nascença. Ou da cozinha. O resto bem pode ser do pior que pode haver no mundo. Não é. Mas pode ser, à vontade do freguês, conforme se quiser.
Que se lixe esse resto. Quando se come bem – quando se come a vida à nossa volta, com Portugal inteiro à nossa volta, a comer connosco – esse resto também não parece grande por aí além.
Que fique por saber como realmente se vive em Portugal. Mas que fique claro que comer, não se come mal. Que sirva este meu livro de gordo desmentido.
E o resto é como o resto. Ah, Portugal, nosso restaurante! Mas, quando se come bem e se está com a barriga cheia, o resto que está mal é como o resto de um bom almoço.
Alguma coisa há-de fazer-se com ele. Porventura deliciosa, se faz favor.

Miguel Esteves Cardoso
sinopse do livro Em Portugal Não Se Come Mal | Assírio & Alvim | 2008
nas livrarias a partir de hoje [ler as primeiras 24 páginas do livro]

14.9.08

o que é que Madonna tem?

Esta noite, Madonna pisará pela terceira vez um palco em Portugal. À sua frente, 75.000 fanáticos pela sua música, mas não só. Madonna tem «seguidores», «idólatras», gente que está onde a sua «diva» está. Madonna não prende pela música ou, pelo menos, não só pela música. A ousadia, a postura de confronto, o constante desafio aos poderes instituídos, as subliminares mensagens de sátira política, social e religiosa levam a que uma legião de pessoas de todo o mundo a venere. Por ela, pagam-se pequenas fortunas no mercado negro dos bilhetes para concertos, passam-se noites ao relento a dormir na calçada dura e fria, percorrem-se quilómetros, atravessam-se fronteiras, sufoca-se entre milhares de pessoas para ser um dos sete mil que estão mais próximos do palco. Por ela, tudo isto fazem os súbditos da rainha da música pop.

O que é que Madonna tem? Tem tudo como ninguém. Aos cinquenta anos continua a ter mais versatilidade do que muitas cantoras com metade da sua idade. Madonna assume e adora o trono da personificação de tudo o que seja «contra a corrente». É, por tudo o que fez e a que se sujeitou, uma sobrevivente.

Lembro-me perfeitamente do quão piroso era gostar de Madonna nos meus tempos de liceu. Acreditem, era muito, muito piroso. Os véus, os crucifixos, as rendas, os colares chegados ao pescoço eram conotados com tudo o que de mais parolo podia existir debaixo dos céus (é preciso ter em conta que nos anos 90 estávamos todos ultra-sensíveis: andávamos a ressacar de uma década com laca nos cabelos, chumaços nos blasers e tecidos com padrões de figuras geométricas...). Mas Madonna é uma camaleoa e, como tal, soube percorrer o caminho que muitos deixam a meio e consolidar definitivamente a sua carreira alicerçando-a na diferença. Nos nossos dias deixou de ser piroso gostar de Madonna e Madonna – convenhamos – está ela mesma muito menos pirosa.

Não há alminha que nunca tenha cantarolado «Like a virgin» tentando imitar a voz delico-doce com que ela canta essa canção. Mas de virgem, inocente e doce a autora do polémico Sex tem muito pouco. É precisamente por estarem conscientes disso que tantos a adoram: porque Madonna encarna muito daquilo que não ousam ser.

[Também publicado em PNETmulher.]

© Marta Madalena Botelho

nem com pauzinhos de canela

Raramente bebo café fora de casa. Antes de mais, porque acho obsceno o preço de um café expresso em Portugal. No Majestic, por exemplo, um café, quer seja expresso, quer seja de saco, custa a bela quantia de 1,75€. Um café simples, daqueles pretos, básicos, que sabe a café e não sabe a mais nada, repito, custa a bela quantia de 1,75€. Mas a coisa não se fica por aqui. Na Casa do Livro, um local muito agradável para conversar e estar com os amigos, custa, se a memória me não atraiçoa, 1,50€. E que dizer do Piolho D’Ouro, esse ex libris da Baixa do Porto que, para servir ao cliente um café na esplanada, cobra nada mais, nada menos do que 0,80€?

Ainda me lembro da primeira vez que me insurgi contra o aumento do preço do café. Foi há já uns anos, andava eu pelos bancos da Faculdade, naqueles tempos em que o dinheiro era sempre pouco e o tempo sempre curto para tudo o que havia para fazer e comprar, incluindo o café, ao menos depois do almoço, para a cabeça não tombar sobre a sebenta durante as animadas tardes de douta prelecção. No local onde eu costumava beber café, a reboque da cedência de lugar do escudo ao Euro, o aumento foi de quase 50%. Quando, ao longe, o empregado me atirou com o novo preço – «Cinquenta cêntimos!» – pus-me a fazer contas rápidas de cabeça: «Cinquenta cêntimos são cem escudos, ora de sessenta para cem vão quarenta...». Indignada, levantei-me da cadeira e, chegando ao balcão, disparei: «Olha lá, mas está tudo doido?! Então ainda no Natal o café custava sessenta "paus" e agora em Janeiro custa mais quarenta?». Do outro lado, a explicação: «Ah pois! O que esperavas? Se fosses tu a ter uma casa aberta para um bando de tipos que andam sempre a contar os tostões que mal lhes dá para os copos, que só abancam aqui para beber a bica, também aproveitavas a oportunidade para mexer no preço!». Obviamente, paguei o café e pirei-me. Julgo que nem preciso dizer que comecei a beber muito menos café fora de casa do que bebia até então.

Ao cabo de todo este tempo, continuo a considerar que aquela resposta foi injusta. Quem fixa os preços dos bens que vende é, claro está, o comerciante. Mas não me parece honesto para com o cliente que se inflacione o preço de determinado produto muito acima do seu valor real apenas porque é um produto muito consumido (ou mesmo o mais consumido). É indubitável que a maior parte das pessoas que lê o jornal nas esplanadas deste país consome um café ou pouco mais, mas das três uma: (1) ou se incentiva o consumo de outro tipo de produtos, nomeadamente, divulgando-os (porque é que são tão raros os locais onde é fornecida ao consumidor a informação sobre os produtos ao seu dispor sem que aquele tenha de a pedir?) ou baixando-lhes o preço; (2) ou passa a comercializar-se apenas aquilo que é procurado; (3) ou se interioriza definitivamente que a palavra «negócio» pode ter dois significados: «lucro» e «prejuízo». Onerar o consumidor de um determinado produto de modo a compensar o investimento em produtos menos procurados e dos quais, portanto, o retorno apenas será alcançado a médio prazo é no mínimo injusto e no máximo desonesto para com o cliente.

Sorrateiramente, o fenómeno do aumento excessivo e injustificado do preço do café quando o mesmo passou a ser pago em Euros ocorreu em todo o lado, mesmo em espaços onde a justificação que me foi dada naquele dia frio de Janeiro nos meus tempos de faculdade não colhe, já que comercializam em larga escala outro tipo de bens, como são bons exemplos os que referi no início deste texto. Porém, se, aqui e ali, confronto amigos e conhecidos com o facto, perguntam-me o que haverão de fazer e logo se apressam a dizer que na vizinha Espanha, em França ou em Itália o café é ainda mais caro e quase nunca de melhor qualidade. Que me importa a mim que um expresso custe 2,50€ em Barcelona ou mesmo 3,00€ em Copenhaga?!

Eu, pela minha parte, sei o que fiz. Uma vez que não queria privar-me do consumo de café (uma das minhas bebidas preferidas) comprei uma máquina de café expresso e passei a bebê-lo em casa. Posso assegurar que o trabalho de limpar/carregar o manípulo e lavar a chávena é largamente compensado pela poupança monetária e que o retorno do investimento financeiro se alcança ao fim de escassos meses.

Além disso, fazer e beber o café em casa tem uma suprema vantagem: ninguém é obrigado a levar com os malfadados pauzinhos de canela que pululam por toda a parte e que todos os proprietários de estabelecimentos de restauração acham que são apreciados pelos clientes, mesmo quando não são**. Se, ao menos, nos dessem a possibilidade de escolher entre a canela e o metal das velhinhas colheres que dobrávamos para fazer alfinetes de gravata para os trajes académicos!... Sim, isto já é a saudade do tempo de estudante a falar por mim... A saudade do tempo em que a bica depois de almoço custava apenas sessenta "paus"...
_______________________

* Se bem que, às vezes, a prelecção causasse sonolência, não se pense que a culpa era sempre imputável aos Mestres, por quem, aliás, na sua maioria, tenho elevada consideração académica. A estafa era, as mais das vezes, a própria matéria...

** A minha indignação é suscitada por solidariedade, já que eu não adoço nem mexo o café.

[Também publicado em PNETmulher.]

© Marta Madalena Botelho

10.9.08

quanto tempo (2)

chien qui fume | porto | 10.09.2008

O tempo do teu corpo se dobrar sobre a cadeira. O tempo do teu gesto acender um cigarro. O tempo da tua perna se cruzar sobre a outra. O tempo da tua língua humedecer os teus lábios. O tempo das tuas mãos abraçarem uma chávena. O tempo dos teus ombros se lançarem para trás. O tempo dos teus pés brincarem com os meus. O tempo dos teus olhos caírem sobre os meus cabelos. O tempo dos teus dedos tamborilarem sobre a mesa. O tempo dos teus braços se enredarem no meu cheiro. O tempo do teu desejo se prender e render ao meu.

© [m.m. botelho]

quanto tempo (1)

leitaria quinta do paço | porto | 10.09.2008

Quanto tempo demora um parquímetro a emitir um recibo? Quanto tempo demora uma criança a atravessar a rua? Quanto tempo demora uma roda a descrever uma volta inteira? Quanto tempo demora abrir um livro de banda desenhada? Quanto tempo demora manchar com café uma página? Quanto tempo demora uma gaivota a sobrevoar um telhado? Quanto tempo demora desapertar um atacador? Quanto tempo demora uma nuvem a fundir-se noutra? Quanto tempo demora uma chave a abrir uma fechadura? Quanto tempo demora um passo a seguir outro? Quanto tempo demora a noite a cair sobre nós?

© [m.m. botelho]

9.9.08

dupla personalidade

Ninguém vai exigir que eu explique pois, na verdade, creio que ninguém terá o interesse bastante em saber porquê. Mas, ainda que eu tivesse de explicar porquê, não saberia como fazê-lo. Se tivesse de justificar com a primeira ideia que me ocorre diria: não resisti.
Não resisti a espreitar as diferenças que o site Web Pages As Graphs poderia encontrar entre o viagens interditas e o voo-inclinado, os dois blogues onde escrevo. Embora sem certezas, eu não ficaria surpreendida se o resultado fosse algo diferente, uma vez que o cariz dos dois espaços é bem diverso. O que eu nunca imaginei é que a diferença pudesse ser tão grande.



Pus-me a pensar que talvez estes desenhos não passem de indícios da existência de duas personalidades dentro de mim: uma mais complexa, impenetrável, proibida; outra mais liberta, em constante movimento, quantas vezes acelerado e vertiginoso. Em ambos os blogues e em ambas as imagens sou eu e apenas eu: viagem interdita em voo inclinado.

Post scriptum: as cores e a construção das imagens com pontinhos está explicada ao fundo da página Web Pages as Graphs e nada tem que ver com o conteúdo escrito dos blogues propriamente dito, mas com a linguagem HTML utilizada para o aspecto gráfico daqueles. Este texto não passa, por isso, de um mero exercício de fantasia, construído a partir da coincidência entre o modo como eu mesma vejo os dois blogues e o modo como eles foram representados. A coincidência, essa sim, foi a parte inesperada de tudo isto. E aquele ponto preto solitário num imenso mar branco não poderia dizer mais do que o que diz.

© [m.m. botelho]

8.9.08

«deixa-me cometer esse erro.»

Alguns de nós tentam escapar-lhe e, com maior ou menor esforço, lá vão conseguindo. Outros, porém, rendem-se como se de uma evidência se tratasse. Será que a idade é mesmo a justificação para que o desejo de ter filhos desperte ou aumente? Já todos sabemos que, como escreveu o António Variações e cantaram os Humanos, «a culpa é da vontade» e que sem vontade não há idade que lhe valha. Então, será que a idade nos muda a vontade?
Eu não sei, não tenho certezas de nada, mas desde ontem que ando a matutar nisso, depois deste inesperado diálogo:

- Mas estás a pensar nisso a sério?
- Em quê? Ter filhos?
- Sim, em ter filhos.
- Estou, estou. Não é coisa que tenha de fazer já, mas é algo que quero fazer. Já tenho 28 anos e a idade tem-me feito pensar mais nisso a sério.
- Espera lá. Tu só és vinte e poucos dias mais velho do que eu. Eu também tenho 28 anos e não sinto nada disso, por isso não me venhas com coisas: a idade não tem influência! Se, ao menos fosse eu com essa conversa, a escudar-me atrás da contagem decrescente do relógio biológico das mulheres, ainda percebia. Agora tu, que podes ter filhos até aos noventa anos... Apanhaste-me de surpresa!
- Ó, vá lá. Deixa-me querer ter filhos aos 28 anos. Deixa-me cometer esse erro. Eu ainda sou novo, ainda tenho muitos erros para cometer pela vida fora.
- Não sei se deixo. Mas prometo pensar nisso.


Sim, meu caro amigo. Este texto é, claramente, uma provocação.

© Marta Madalena Botelho

7.9.08

(manu)[e]screver

Gosto muito de escrever. Do acto de escrever, propriamente dito. De pegar na caneta e no papel e traçar letras. Por isso, também gosto muito de canetas e papéis. E de lápis. Gosto tanto de canetas, papéis e lápis que acho que posso dizer que são os meus objectos favoritos. Isto se é que se pode dizer que se tem objectos favoritos sem parecer muito ridículo.

Guardo meia dúzia de canetas e pequenos cadernos de anotações com muito carinho no meu coração e na minha memória. Alguns deles ocupam esse espaço não apenas porque me fascinam, mas também por causa das pessoas que mos ofertaram. Guardá-los religiosamente é quase como guardar um pouco dessas pessoas. Como se, de cada vez que pego neles e lhes dou uso, garatujando nem que seja a maior das tontarias ou a frase mais desprovida de sentido, estivesse a tocar nessas pessoas, a senti-las mesmo ali ao pé, ao alcance da minha mão. Como se, escrevendo, agitasse a minha relação com elas e juntas andássemos para aí aos traços, que é como quem diz às voltas com as palavras, aos rodopios, numa roda de emoções e caracteres. Mas o Tempo e a Distância – e a modorra que nos impede de os diminuir – têm-se encarregado de manter a caneta dentro do copo
que repousa sobre a secretária e os caderninhos brancos imaculados, as folhas muito certinhas e alinhadas, sem sinais de terem sido tocados. O que (não) escrevo são as nossas conversas, aquelas conversas que não temos porque deixaram de ter sentido, porque as palavras entre nós deixaram de ter o mesmo significado e a transmissão da informação passou a ter ruído, prejudicando a mensagem. Aos poucos, fomos deixando de ter assunto, do mesmo modo que a tinta se acaba nas cargas das canetas.

Cada vez mais uso o teclado do computador em vez das minhas próprias mãos para escrever. Julgo até que a minha caligrafia é cada vez menos acessível à leitura dos outros. Logo a minha caligrafia, tão esmerada na escola primária, por meio da qual granjeei tantos elogios, agora simplesmente esguia e impetuosa, demasiado indefinida, sempre vestida de preto, quase defunta.

Nesta chamada «sociedade da tecnologia e informação» tudo tem de ser normalizado, estilizado, uniformizado, até o desenho das letras. Os cadernos e as canetas caíram em desuso, e em desuso caiu também o hábito de guardar dentro de grandes caixas de papelão as cartas e os postais que em tempos recebemos e que tinham cor, cheiro e textura, cada um deles diferente, único e irrepetível.

Fica tanto por manuscrever. Fica tanto por dizer.

[Também publicado em PNETmulher.]

© Marta Madalena Botelho

6.9.08

providencial

al forno | porto | 2008.09.06

Mesmo completamente às escuras e em cima da hora, tudo sucede providencialmente. A reserva. O percurso. O estacionamento. A mesa bem posicionada. O menu. A sangria. A refeição. A sala à meia-luz.
Quando nos concentramos no Universo, o Universo concentra-se em nós. E tudo se concentra, acontece e importa ao redor da nossa mesa.

© [m.m. botelho]

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[m.m. botelho] || Marta Madalena Botelho
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» O âmbito do direito de autor e os direitos conexos incidem a sua protecção sobre duas realidades: a tutela das obras e o reconhecimento dos respectivos direitos aos seus autores.
» O direito de autor protege as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas.
» Obras originais são as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu género, forma de expressão, mérito, modo de comunicação ou objecto.
» Uma obra encontra-se protegida, logo que é criada e fixada sob qualquer tipo de forma tangível de modo directo ou com a ajuda de uma máquina.
» A protecção das obras não está sujeita a formalização alguma. O direito de autor constitui-se pelo simples facto da criação, independentemente da sua divulgação, publicação, utilização ou registo.
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» A obra não depende do conhecimento pelo público. Ela existe independente da sua divulgação, publicação, utilização ou exploração, apenas se lhe impondo, para beneficiar de protecção, que seja exteriorizada sob qualquer modo.
» O direito de autor pertence ao criador intelectual da obra, salvo disposição expressa em contrário.