10.5.09

as razões de veronica

Silvio Berlusconi não é um homem qualquer, nem no modo de fazer política, nem na aparência, nem no modo como se expressa e muito menos no branco lívido da dentição. Oscila entre o excessivo e o disparatado, entre o indiscreto e o ofuscante, entre o piroso e o inconveniente. Não podia esperar-se que o seu divórcio fosse nada menos do que aparatoso.

Berlusconi faz questão de propagandear aos sete ventos que aprecia mulheres bonitas. Até aqui, nada de anormal nem de novo, não fosse o modo como o faz. Berlusconi é mais do que óbvio, é ostensivo na afirmação do facto, de tal forma que o mundo inteiro dele tem conhecimento e sabe até quem são as suas preferidas.

Veronica suportou tudo isto (e, quem sabe, algo mais) em silêncio durante cerca de trinta anos. Provavelmente, mentalizou-se de que tinha um marido mulherengo e deixou os dias e a tinta dos jornais correrem. É intrigante, por isso, que tenha vindo agora, alegadamente por causa das vinte e cinco beldades que Berlusconi e o seu partido escolheram para integrarem as listas como candidatas ao Parlamento Europeu, dizer que quer divorciar-se. Terá Veronica temido que Silvio se antecipasse a ela nessa intenção? Terá Veronica encontrado um novo amor? Ou estará Veronica, simplesmente, farta do modo como o marido se revela insensível perante a vergonha e humilhação que ela sofre sempre que as eleitas de Silvio têm direito a mais umas parangonas?

Ninguém sabe e, prevê-se, ninguém saberá, até porque após a bombástica revelação tanto o Primeiro-Ministro italiano como a sua (ainda) mulher se remeteram ao silêncio e não parecem muito dispostos a alimentar curiosidades.

Porém, Berlusconi, mais do que todos os adjectivos com que o caracterizei no início deste texto, é imprevisível e o desfecho desta história parece distante e afigura-se rocambolesco. Recostemo-nos, pois, na cadeira porque, como o velho Silvio já nos habituou, os melhores (e mais belos) episódios, com certeza, ainda estão para vir.

[Também publicado em PnetCrónicas.]

© Marta Madalena Botelho

3.5.09

a multidão é perversa

Há momentos da nossa vida que nunca haveremos de esquecer. Não estou a referir-me a datas em que fizemos coisas importantes como, por exemplo, o dia em que acabámos o curso ou nos casámos, mas a acontecimentos que teriam tudo para serem do mais corriqueiro que possa imaginar-se mas que, contra todas as probabilidades, se tornaram marcantes.

Um desses momentos foi a minha primeira aula de Filosofia. Eu tinha quinze anos e à minha frente estava uma das professoras mais brilhantes de quem tive o privilégio de ser aluna e que tinha por hábito não mostrar os dentes nas aulas, muito menos na primeira. Aquela professora tinha por costume – há já vários anos - inaugurar o ano lectivo escolhendo uma vítima a quem colocava uma questão, vítima essa que, invariavelmente, era o desgraçadinho que respondia pelo seu número favorito, o doze.

Naquele ano eu era a tal desgraçadinha. A professora, do alto dos seus metro e oitenta, escreveu no velho quadro de lousa preta uma frase: «a multidão é perversa». Depois, olhando-me sobre os óculos, disse: «Explique, por favor».

Não me lembro exactamente do que pensei, mas sei que me senti ruborescer. Seguiu-se um profundo silêncio apenas entrecortado pelo som abafado das pancadas que a professora dava com o ponteiro no estrado enquanto percorria toda a extensão da sala. Eu bem que engolia em seco, lia e relia a frase escrita no quadro, olhava para o tampo da secretária, para a porta da sala, para as fissuras da parede, mas da minha boca não saiu qualquer som.

Estivemos naquilo uma enormidade de tempo até que, quando faltavam cinco minutos para soar a sineta, a professora perguntou: «Número doze, sabe ou não sabe explicar o sentido daquela frase?». Eu, num misto de alívio e de vergonha, respondi que não, que não sabia. Entre dentes, do estrado soou um «Já podia ter dito», mas ninguém se atreveu sequer a sorrir. No fundo queríamos todos saber o que era isso da Filosofia, o que raio queria dizer «a multidão é perversa» e como se lidava com uma professora que era capaz de nos deixar em suspenso durante quarenta e cinco minutos.

Em duas penadas ficámos elucidados: «Quando inseridas em grupos grandes, principalmente em grupos que lhes permitam manter o anonimato, as pessoas fazem coisas que jamais fariam se estivessem sozinhas ou em grupos pequenos.» Depois perguntou: «Percebeu, número doze?». Eu, a voz quase sumida, lá respondi a medo que sim. A aula terminou com uma exortação que, se mergulhar dentro da minha cabeça, quase consigo ouvir: «Então se percebeu, veja lá se nunca mais se esquece, está bem?».

Eu nunca mais me esqueci, como está bom de ver, e não apenas porque a minha memória para isso contribuiu mas, principalmente, porque a vida se encarregou de mo lembrar inúmeras vezes.

Ainda esta semana me recordei de que a multidão é perversa porque, nas manifestações do 1.º de Maio, num país que ainda há menos de uma semana comemorava a liberdade e a democracia a propósito de uma revolução que teve de excepcional o facto de ser pacífica, um cabeça-de-lista de um partido numas eleições foi insultado e agredido de forma vil e cobarde. Na verdade, como poderia esquecer-me de que a multidão é perversa se, num país que se diz um Estado de Direito, há quem pratique estes actos e ache que daí não vem grande mal ao mundo (porque no fundo ele até merecia umas boas bordoadas pelo que fez) e fique de bem com a sua consciência, no conforto de que está oculto numa turba que lhe garante o anonimato?

De facto, dificilmente poderia esquecer-me de que a perversidade da multidão é o somatório da perversidade de cada um de nós, que continuamos a encolher os ombros e a fingir que não é nada connosco sempre que episódios destes acontecem.

[Banda sonora: The Doors. «People are strange». Do álbum «Strange days». 1967.]

[Também publicado em PnetCrónicas.]

© Marta Madalena Botelho

26.4.09

foste embora num cravo vermelho

NNaquela noite não vieste para casa. Nem naquela noite, nem nesta. Bebi, comi, dormi, acordei, tomei banho, saí para o trabalho, voltei para casa, sempre à tua espera. Tudo fiz, estes três dias, à tua espera, sempre à tua espera. Mas tu não voltaste, nem para casa, nem para lado nenhum onde eu esteja.

A revolução foi na madrugada de ontem. A vida lá fora continua agora num sereno reboliço. Ouvi dizer que no Alentejo já falam em tomar propriedades e ocupar moradias vagas, cheias de poeira sobre lençóis brancos e fiapos de sol a espreitar das frinchas das persianas e que ninguém acha estranho que assim seja. Alheado de tudo isto, hoje fiquei em casa. Cheguei mesmo a pensar que valeu a pena ter sido pobre toda a vida para viver estes dias com alguma calma. Pela primeira vez na vida dei por mim a dar graças, não sei a quê ou a quem, por viver numa casa que não é minha e por ir a pé todos os dias para o trabalho. Não tenho nada que me possam tirar, já não tenho nada que me possam tirar.

Disseram-me que te viram ontem no Largo do Carmo em cima de uma chaimite, abraçada a um homem. Disseram-me que estavam ambos a fumar o mesmo cigarro. Nós costumávamos fumar o mesmo cigarro, à varanda, nas noites quentes de Estio. Eu abraçava-te, a minha mão na tua cintura, a tua mão sobre a minha, o cheiro dos teus cabelos misturado com o do tabaco, o fumo a escapar-se por entre os teus dentes e a preencher de névoa a negridão do céu da nossa varanda. Eu de olhos pousados em ti, inebriado de ti, dos teus caracóis, do fio de ouro que te afagava o pescoço, do pingente onde brilhavam discretamente as nossas iniciais entrançadas. Eu perdido no teu perfil, no teu nariz pequenino, eu encontrado nas nossas mãos juntas na tua cintura.

Disseram-me que rias muito, que gritavas, que aplaudias, que ele te olhava com admiração, que se beijaram muitas vezes. Talvez um preso político, talvez um estudante, talvez o dono de uma loja. Ninguém soube dizer-me quem ele é. Não é que faça qualquer diferença que eu saiba quem ele é. Faz-me diferença é aquela porta muda e queda. E os teus brincos de filigrana em cima da cómoda do nosso quarto. Dizias muitas vezes que aqueles brincos eram a coisa mais valiosa que tinhas. Faz-me diferença o leite a azedar em cima da mesa, o teu avental pendurado atrás da porta, abanado pelo vento. Faz-me diferença os teus chinelos debaixo da nossa cama, pousados um sobre o outro, descalçados à pressa na última manhã em que te vi. E o frasco de perfume quase vazio no armário da casa de banho.

No Carmo já não está ninguém a gritar, a aplaudir e a rir muito. Já só se vêem militares. Nas poucas imagens que vi na televisão do café não apareceste. Esperava ver-te de cravo vermelho ao peito, ou preso na orelha, um cravo vermelho nas imagens a preto e branco que a televisão do café irradiava. Mas não, tudo a preto e branco, nada de cravos vermelhos presos na orelha.

Disseram-me que não voltas, que fugiste com ele. Mas tu não fugiste, eu sei. Tu nunca te deixaste prender. Dormíamos na mesma cama, mas tão separados quanto é possível que duas pessoas que não se amam estejam. Nunca gostaste do arroz que eu sempre fiz com tanto empenho. Sabia há muito que não poderias, portanto, amar-me. E eu sempre achei que o teu arroz sabia a arroz, que tinha o mesmo sabor dos demais. E não tinha.

Tantas coisas que eu achei sempre iguais às demais e não eram. Até aquela madrugada em que te esperei eu julguei ser como as demais. E não foi. Tu não voltaste e eu deixei-me afundar em copos de um vinho mau, de um vinho francamente mau. Esta espera não é como as demais, porque tu não voltas. Disseram-me que não voltas e eu sei que não voltarás. Foste embora naquela risada, naquele grito, naquele aplauso, naquele cravo vermelho que eu em vão procurei nas imagens da televisão. Foste embora e eu não te vi ir, como nunca fui capaz de te ver enquanto estavas aqui.

[Também publicado em PNETcrónica.]

© Marta Madalena Botelho

19.4.09

a bela e os monstros


«Diz-me os teus preconceitos, dir-te-ei quem és.»

Se há uma semana me perguntassem se o nome Susan Boyle me dizia alguma coisa, provavelmente, não hesitaria muito mais do que trinta segundos antes de responder «não». Hoje, não só sei quem é Susan Boyle como já ouvi várias conversas em torno da sua descoberta.

Invariavelmente, a primeira referência fica-se pelo aspecto físico. Não há quem não realce o facto de Boyle ostentar um mais que visível buço abaixo do nariz. O choque aumenta quando se diz que ela nem sequer se dá ao trabalho de o descolorar.

A pergunta que se segue é se depila as sobrancelhas, mas também aqui a resposta é negativa. Exibindo um par de farfalhudas tiras de pêlo sobre os olhos, Boyle, uma vez mais, revela-se indisposta a ceder a suplícios faciais. É fácil antever onde a conversa conduz: bocas escancaradas, esgares de nojo, drama.

Ao que parece, uma mulher do século XXI simplesmente não pode optar livremente por não se depilar. Caso opte, para além de ser vista como se de extra-terrestre se tratasse, é imediatamente catalogada de feia, já para não falar de mimos como desleixada e masculina. Segundo consta, nos tempos que correm, os pêlos são privilégio masculino mas, mesmo assim, apenas de alguns homens, isto porque até eles devem submeter-se ao laser, à cera ou à pinça se os pêlos não tiverem um crescimento homogéneo e orientado na mesma direcção (de acordo com os doutos ensinamentos que colhi numa revista dita «fashion»).

Não estou certa de que a palavra «ridículo» seja suficiente para caracterizar o que penso de tudo isto. Às vezes dou por mim a pensar nos sacrifícios tremendos – que fazem o arrancar dos pêlos parecer o maior dos prazeres – que foram necessários para chegarmos onde estamos em matéria de liberdade. O ser humano passou séculos a lutar contra qualquer forma de opressão, quer ela viesse do Estado, quer do seu semelhante. Alguns seres humanos continuam a ter de travar essa luta todos os dias. Mas por cá, no mundo dito «civilizado», a opressão deixou de ser externa para passar a ser interna, porque as mulheres e os homens dos nossos dias, tão seguros de si se encontravam que transferiram os aguilhões que condicionam os seus movimentos, as suas escolhas e o seu tempo para dentro de si mesmos. Outra coisa não são os preconceitos, os complexos e os esteriótipos a que, sem nos darmos conta, nos vergamos diariamente. Da depilação ao vestuário, da linguagem à decoração das casas, tudo parece obedecer a regras bem delimitadas que ninguém viola sob pena de ser excluído do «grupo». Na ânsia de se manter dentro de um (cada vez mais pequeno) rectângulo identitário, um esmagador número de pessoas toma determinado perfil como sendo o ideal e tenta a todo o custo reproduzi-lo em si mesmo (nem que para isso tenha de padecer torturas que nem sempre são físicas), reduzindo assim a sua autonomia e a expressão da sua individualidade à mera imitação.

Quem não se enquadra é relegado para plano inferior e depreciado. Só isso, aliás, poderá explicar as caras de espanto que uma voz como a de Susan Boyle provocou, só porque não era suposto que alguém com o seu aspecto pudesse cantar tão maravilhosamente. Isto, claro, como se a voz dependesse da aparência das pessoas...

O essencial continua e haverá de ser sempre invisível aos olhos. Não depende, por isso, do tratamento que damos ao nosso exterior, dos esteriótipos a que os nossos preconceitos nos submetem. Talvez o fenómeno Boyle tenha surgido não apenas para deleite musical, mas também para nos fazer pensar um pouco mais sobre isso.

[É irónico o facto de o momento televisivo em que Susan Boyle derrubou preconceitos ter tido início com as estas palavras «There was a time when men were kind».]

[Texto integral publicado em PnetCrónicas.]

© Marta Madalena Botelho

12.4.09

por trinta dinheiros ou menos

Por muito que uns gostem e outros odeiem Portugal, terra de aparições, consagrações e dedicações, é, antes de mais, um país devoto. Poderia acrescentar-se ao manguito do «Zé Povinho» uma velinha na mão direita que a imagem do português típico não ficaria muito comprometida e, ao invés, muito mais completa. Por algum motivo esta nação foi dedicada à Imaculada Conceição. Por algum motivo a azinheira escolhida por Nossa Senhora para alertar para os males do comunismo e a imperatividade da recitação do rosário tem raízes em Fátima. Por algum motivo vivemos inebriados durante quarenta anos pelo impacto da trilogia «Deus, Pátria, Família».

Muito poucos devem ser os feriados municipais que não sejam em honra de um santo católico. Terra que se preze tem sempre como padroeiro um santo, de preferência mártir. A toponímia, por seu turno, está cheia de referências aos eleitos da Igreja Católica. E nem a doçaria escapa a baptismos abençoados.

Porém, tanta religiosidade não implica sempre e só sacrifício. Bem vistas as coisas, até tem as suas vantagens. A par das festas religiosas andam sempre os festejos profanos. Enquanto as primeiras obrigam a jejuns, arrependimentos e penitências, as segundas primam pelos desregramentos, exageros e diversão. A Páscoa e as manifestações que a cercam são o exemplo paradigmático disso.

No sábado que a Igreja chama «de Aleluia» é costume, em diversas localidades, fazer-se a «Queima do Judas». Depois de uma encenação mais ou menos complexa (conforme os costumes locais), que consiste num auto-de-fé popular, o boneco representando o traidor de Cristo é queimado em chamas altas, sob forte regozijo dos que assistem ao espectáculo.

A cerimónia da «Queima do Judas», mais do que a expressão colectiva do desejo de pôr fim ao período de tormenta imposto pela Quaresma, é a concretização da vingança da abstinência de tudo aquilo a que se releva o mal que faz pelo bem que sabe, entre os excessos dos insultos ao «maldito» e o espalhafato das carpideiras.

Mas Judas é, também, um providencial bode expiatório de todos males e de todas as críticas que, numa tentativa de desculpabilização, todos reconhecem necessários, tão imprescindíveis quanto o beijo que o discípulo delator deu ao Mestre na hora em que o entregou, tudo para que se cumprisse o que tinha sido escrito pelos Profetas.

O Judas que se queima na noite que antecede o dia da Ressurreição poderia muito bem simbolizar tantos que, como ele, se vendem por trinta dinheiros ou até por bem menos, agora como dantes, mas que não vêem grande mal nisso, já que acreditam que haverá sempre quem venha depois para redimir o mal feito.

Segundo certas tradições, o boneco que arde no alto da forca tem ao peito uma sábia inscrição: «Aqui jaz Judas Iscariote / Aquele que a Cristo vendeu / Todos os que daí me olham / São mais Judas do que eu». Dizem alguns que é a parte que o fogo mais trabalho tem para consumir. Certamente, não é por acaso.

[Também publicado em PnetCrónicas.]

© Marta Madalena Botelho

5.4.09

«I've got you under my skin»

Cá por casa sempre me chamaram «rabinho do gato». Como sou a filha mais nova e a neta mais nova e, além disso, tenho uma certa tendência (saudável) para a mimalhice, o nome assentava-me bem.

Isto foi assim durante 28 anos, até que em Junho passado nasceu o meu sobrinho que, como está bom de ver, veio descaradamente apoderar-se das atenções que antes eram todas minhas. Ora eu, que apesar de mimada sou sensata, tentei mentalizar-me de que aquela era a evolução natural das coisas, que a vida era mesmo assim, feita de cedências e que eu, como tia responsável e crescidinha, teria mesmo de partilhar o mimo com aquele pequenino rebento. Parecia evidente: havia alguém mais novo na família e eu corria o risco de deixar de ser o «rabinho do gato».

Mas eu não estava assim tão disposta a abdicar da minha posição e, por isso, cedo fiz questão de estruturar uma argumentação que me permitisse invocar o estatuto especial. Afinal de contas, o meu sobrinho era o «rabinho de um outro gato» que entretanto se havia iniciado com o casamento dos pais dele. Por mim, ele poderia ser rei de tudo e mais alguma coisa, desde que deixasse intocável a minha esfera e, principalmente, o meu gatinho.

Pouco tempo levaria, porém, até que o meu sobrinho conquistasse o meu coração e me fizesse apaixonar por ele ao ponto de quase esquecer a questão. Acreditem que é muito difícil resistir: o sacaninha tem charme até mais não. Nunca o vi acordar mal-disposto e até as birrinhas que vai fazendo (que nunca vi demorarem mais do que um minuto) têm graça. Deve ser qualquer coisa que lhe põem no leite para o fazer assim tão querido e simpático (digo eu, que não percebo nada de alimentação infantil).

Mas mesmo tendo em conta este meu estado de completa rendição aos encantos daquela pequena porção de gente, quando ontem à tarde a minha irmã requisitou os meus serviços de babysitter por um par de horas, eu estava longe de imaginar que seria tudo tão especial.

Como o meu sobrinho tem uma relação algo atribulada com cadeiras, espreguiçadeiras e todos os artefactos humanos que o confinem a uma sensação de aprisionamento (bem como com sapatos e sapatilhas, diga-se en passant), obrigou-me a andar com ele ao colo para todo o lado. Foi assim que descobri que até nem me safo mal a escrever no computador, a ler o jornal e a mudar os canais de televisão só com uma mão. Mais complicado, porém, é suportar alguns puxões de cabelos e o modo destemido e decidido com que me aperta o nariz, as bochechas e o queixo, mas com paciência, tudo se aguenta (agora que me lembro disso, é absolutamente incrível a força que aquelas mãozinhas têm, meu D'us).

Ainda assim, não pode dizer-se senão que passei uma tarde deliciosa na companhia do meu sobrinho-afilhado-concorrente-directo-ao-posto-de-«rabinho-do-gato», que acabou por adormecer no meu colo e dormir o sono dos justos durante um bom bocado. Para o adormecer dancei com ele e cantei-lhe o «I’ve got you under my skin», metade com letra, metade com murmúrios (precisamente naquelas partes em que não me lembrava da letra). Foi assim que dali a poucos minutos ele foi encostando a cabecita ao meu peito e desistindo de lutar contra o sono. Não sei se foi da minha voz melodiosa, se da verdade da declaração de amor que lhe fiz. Tudo o que importa é que resultou.

© Marta Madalena Botelho

29.3.09

coisas pequenas

Esta semana cumpriu-se um ano sobre o lançamento da rede Pnet tal como a conhecemos hoje e, especificamente, sobre o lançamento da PnetMulher e da PnetHomem, dois sites de crónicas onde 14 vozes vão dizendo, ao longo dos dias da semana, de sua justiça.

Tenho o privilégio de estar no «projecto cor-de-rosa» (por favor, permitam que eu me refira assim a este site) desde o arranque. Digo «privilégio» porque para mim o foi verdadeiramente e por vários motivos. Em primeiro lugar, porque eu nunca tinha sido parte integrante de um espaço de escrita colectivo (se exceptuarmos algumas coisas escritas a quatro mãos, mas de cariz muito diverso do que por cá se faz); depois, porque eu não fazia ideia de como se estruturava um site com estas características e foi muito bom ver e aprender; por último, porque eu estava longe de imaginar o quão gratificante seria pertencer a uma equipa escrevente tão diversificada em tantos aspectos.

Sobre o que é a PnetMulher não vale a pena escrever: isso vê-se e as minhas palavras sempre ficariam aquém do dinamismo que esta página contém. Por isso, prefiro falar sobre as minhas crónicas semanais.

Uma das minhas canções favoritas dos Madredeus chama-se «Coisas pequenas». Gosto dela por vários motivos mas, acima de tudo, porque se debruça mais sobre o desejo do que sobre a concretização, o que é raro alguém fazer e percebe-se bem porquê: é muito mais difícil falar do desejo de amar do que do próprio amor, por exemplo.

Quando releio as minhas crónicas costumo pensar mais no que elas poderiam ter sido do que naquilo que são. São, como diz a letra do Pedro Ayres de Magalhães sobre as palavras, «coisas pequenas» e «coisas pequenas são / coisas pequenas». Dentro de mim está sempre o desejo de que essas «coisas pequenas» que por aqui vou deixando escritas sejam o bastante para dizer o quanto eu gosto de as escrever. Não sei se este meu desejo se concretiza sempre - é esta a diferença entre o que as minhas crónicas são e o que elas poderiam ter sido – mas provavelmente não é suposto saber. As crónicas só são minhas enquanto as escrevo, porque depois são do leitor, do mesmo modo que só são o que eu queria que fossem enquanto as escrevo, porque depois são o que o leitor quiser que elas sejam.

Estas crónicas só existem porque um dia a Maria do Céu Brojo teve a amabilidade de me endereçar um convite inteiramente inesperado. Esse convite só existiu porque os responsáveis pela rede Pnet quiseram criar este site. Este projecto só se concretizou porque um grupo de pessoas aceitou o desafio de assumir o cumprimento de cada uma das tarefas. A PnetMulher só se mantém online há um ano porque desse lado há quem nos leia e nos faça sentir que vale a pena continuar.

Por isso, na comemoração deste primeiro ano de existência da PnetMulher, importa felicitar e agradecer a todos, sem excepção, mas principalmente a ti, que neste momento me lês. Sabes, sem alguém desse lado do monitor isto por aqui, por muito bom que fosse, não teria graça nenhuma, acredita. Isto que aqui deixo escrito é só um «obrigada». Sim, caro leitor, «coisas pequenas», talvez, mas «são tudo o que eu te quero dar».

[Ouvir: Madredeus. «Coisas pequenas». Do álbum «Paraíso». 1997.]

[Também publicado em PnetCrónicas.]

[Nota: em 01/07/2009 operou a fusão dos sites PnetMulher e PnetHomem, o que deu origem ao site PnetCrónicas.]

© Marta Madalena Botelho

22.3.09

um paradoxo por explicar

Durante o seu pontificado, João Paulo II fez questão de definir a posição oficial da Igreja Católica sobre o uso do preservativo. Insistentemente, sublinhou que o seu uso era pecado para os crentes, apressando-se a condenar os apelos e as campanhas de divulgação dos não crentes e os esforços de organizações e associações humanitárias, bem como dos Estados, que apontassem o preservativo como meio de controle das doenças sexualmente transmissíveis. Bento XVI, por seu turno, adoptou a mesma orientação do seu antecessor, o que fez questão de sublinhar esta semana.

Em visita aos Camarões, o Papa afirmou que «A SIDA não se resolve com preservativos que, ao contrário, aumentam os problemas». A afirmação não mereceria total descrédito caso se tivesse ficado pela primeira parte. Sem mais, todos estaríamos de acordo que a SIDA só se resolverá com a cura e que, nessa medida, o preservativo não resolve o problema. Contudo, considerando o desenvolvimento das declarações, parece claro que o Papa Bento XVI pretendeu acentuar não a incapacidade plena do preservativo para acabar com o flagelo da SIDA, mas antes os pretensos malefícios do seu uso. Em suma, procurou estabelecer uma ligação entre o uso do preservativo e a propagação da doença.

Tal como João Paulo II, também Bento XVI e os que alinham no mesmo racioncínio sobre a matéria acreditam que o preservativo equivale a um passaporte para o sexo irresponsável. Esquecem, porém, que há uma diferença abissal entre "irresponsável" e "inconsequente". Como parece óbvio, o preservativo não incentiva ninguém à prática do sexo, muito menos à prática de mais sexo ou de sexo com um maior número de parceiros. Com efeito, o preservativo destina-se unicamente a impedir que da prática da relação sexual advenham consequências gravosas (como são exemplo uma gravidez indesejada porque não planeada ou a transmissão de uma doença sexualmente transmissível, seja ela incurável ou não).

A SIDA tem flagelado o continente africano como nenhuma outra parte do mundo. A percentagem de infectados reflecte números que deixaram há muito de ser preocupantes para passarem a ser assustadores. A dimensão do problema ultrapassa a questão da morte dos doentes, para ganhar contornos muito mais sérios e que ninguém pode ignorar. Em decorrência do alarmante número de mortos pela SIDA, a malha social africana alterou-se profundamente. São inúmeras as crianças órfãs de ambos os progenitores e muitas as que não têm qualquer família. A sociedade civil desestrutura-se em ritmo acelerado. Em consequência, a economia ressente-se, porque a população activa é também a mais afectada. O continente afunda-se em dívidas externas, hipotecando o presente e o futuro. Os efeitos das mortes provocadas pela doença atravessarão gerações.

O uso do preservativo não pode senão ser encarado como uma medida auxiliar da intervenção médica para conter o avanço galopante da SIDA. É, em última análise, um meio de defesa da vida (dos que praticam o sexo protegido e de todos os que deles dependem). Isto, por si só, deveria ser suficiente para o tornar impermeável a qualquer juízo moral. Condenar ou proibir o preservativo, por oposição, é fazer a apologia da propagação da doença e da morte. Ao fazê-lo, a Igreja cai num paradoxo que nenhum Papa foi ainda capaz de explicar: de que modo se compagina esta posição com a manutenção de uma Igreja que se diz (e é, continuamos a crer) verdadeiramente comprometida com a dignidade humana. Para muitos, entre os quais me incluo, continua a ser simplesmente incompreensível.

O Papa Bento XVI está longe de ser uma figura de consenso. Desde que começou a ser antecipada a sua escolha para o cargo de Pontífice Máximo da Igreja Católica que a sociedade civil espera que os seus escritos, discursos e declarações estejam recheados de pormenores nunca isentos de polémica. Em relação ao tema SIDA já vai sendo tempo de o Vaticano surpreender.

[Também publicado em PnetCrónicas.]

© Marta Madalena Botelho

15.3.09

«porquê?»

A última década foi pródiga em tiroteios ocorridos em escolas e universidades, principalmente nos E.U.A.. Só entre os anos de 1997 e de 1999 as escolas americanas foram palco de oito episódios fatais envolvendo alunos que dispararam armas sobre colegas, professores e funcionários. Dois episódios ficaram famosos pelas suas proporções avassaladoras: os recentes tiroteios no Virginia Tech, em Blacksburg, em 16/04/2007, perpetrados por Seung-Hui Cho, no qual morreram 32 pessoas e outras 6 ficaram feridas; e aquele que ficou conhecido como o massacre de Columbine, ocorrido em 20/04/1999, no qual dois estudantes, Eric Harris, de 18 anos, e Dylan Klebold, de 17, assassinaram 13 pessoas e feriram outras 23, num liceu em Littleton, no Colorado.

Esta semana, o choque voltou a abalar-nos quando, no dia 11 de Março, em Winnenden, na Alemanha, Tim Kretschmer, de 17 anos, assassinou 12 pessoas na Albertville-Realschule, e ainda 3 outras pessoas antes de cometer suicídio.

Notícias como esta deixam-nos aterrorizados. A única pergunta que conseguimos balbuciar enquanto, incrédulos, ouvimos o relato deste tipo de acontecimentos, é «Porquê?». Mais do que a própria ocorrência destas situações, inquieta-nos a incompreensão das motivações de alguns jovens para levarem a cabo actos gratuitos de violência armada contra pessoas indefesas em ambientes escolares.

Estes fenómenos encontram-se próximos do bullying, já que em ambos os casos se trata de comportamentos agressivos praticados em situações de desequilíbrio de poderes entre agressor e agredido (ou porque o agressor é mais forte ou porque está armado). Contudo, distinguem-se por ocorrerem isoladamente, pois o bullying consiste na execução repetida de actos de agressão. Em qualquer dos casos, porém, assume particular importância o facto de a conduta ser negativa e, regra geral, violenta. Todavia, enquanto no bullying a violência é psicológica e física e com vista a humilhação da vítima, já nas agressões armadas é essencialmente física e adequada a provocar a morte. Por outro lado, os agressores do bullying são tanto do sexo feminino como do masculino, enquanto os ataques armados são perpetrados por rapazes ou homens. Mas relações com o bullying não se ficam por aqui.

Grande parte dos jovens que executam estes ataques foi ou sentiu-se vítima de bullying, perseguições, insultos e difamações. Em consequência, não raramente apresentam problemas psicológicos, estados depressivos, comportamentos obsessivos e são facilmente influenciáveis perante a exposição a cenários de violência (em filmes e videojogos). Além disso, os massacres levados a cabo em escolas ou universidades raramente são actos repentinos ou impulsivos. Na maior parte dos casos, as intenções são atempadamente anunciadas a amigos e divulgadas na internet, sem que as vítimas sejam identificadas ou sequer previamente ameaçadas. Contudo, isto não significa que os comportamentos possam facilmente ser qualificados como gestos de vingança, dado que tudo se esbate no desesperado acto que costuma caracterizar o desfecho destes morticínios: o suicídio do atacante (traço comum a Columbine, aos tiroteios do Virginia Tech e ao ataque desta semana, por exemplo).

Estas reflexões poderão ajudar a delinear os cenários circunstanciais em que ocorrem estes acontecimentos e a determinar os perfis dos jovens que cometem estes incompreensíveis actos, mas não apresentam respostas conclusivas. Talvez nunca venhamos a compreender porque sucedem estes desesperados e desesperantes acontecimentos. Todavia, enquanto pais, avós, irmãos, amigos, professores, colegas e vizinhos talvez nos caiba um papel um pouco mais atento, um pouco mais desperto, um pouco mais activo do que simplesmente lamentar. É nisso, parece-me, que é imperioso e urgente investir.

[Também publicado em PnetCrónicas.]

© Marta Madalena Botelho

8.3.09

um círculo no calendário

Espremeu o pano várias vezes, ora para um lado, ora para o outro. Tinha os dedos vermelhos da força que fizera. Num gesto decidido, sacudiu a camisa e mirou-a a contraluz. Nem uma nódoa. Enquanto a prendia no estendal com as velhas molas de roupa – tão velhas que quase se desfaziam, apertadas no ferro enferrujado – reparou no colarinho puído. Amanhã, quando a camisa estivesse seca, antes de a engomar ia descosê-lo e virá-lo. Ainda estava boa, a camisa e, além disso, era do uniforme. Eram caras, as camisas do uniforme. Contas feitas à vida e numa camisa daquelas gastava-se metade do governo de um mês.

Entrou em casa. O sol batia no vidro da porta que a força e a alegria do filho mais novo, numa tarde de correrias no quintal com um primo, haviam estalado. Ainda tinha bem presente na memória o «não» que o senhorio lhe dera quando, há uns meses, lhe pediu que mandasse pintar o tecto da cozinha que as manchas de bolor haviam enegrecido, por isso, nem se atreveu a mencionar o vidro quando, esta manhã, fora pagar a renda.

Não gostava de se levantar de manhã, mas mais do que um hábito, isso era há muito imperioso. Era preciso limpar a casa-de-banho, tratar dos pequenos-almoços, esfregar a roupa e estendê-la ao sol, fazer as camas, lavar a loiça e deixar o almoço meio adiantado. Apesar de tudo, já era Março e os dias estavam mais quentes e um pouco maiores. Ainda o dia não raiara e já os pássaros lhe faziam companhia.

Era sempre a primeira a levantar-se e a última a deitar-se. Fazia questão de deitar os filhos, de lhes entalar com força os cobertores debaixo do queixo. Juntos rezavam o Pai-Nosso, muito depressa, para não espantar o sono, mais de uma dúzia de palavras trocadas pelo meio. Gostava de pensar que o que interessa é a devoção com que se reza e não o teor do que se diz. Cedo se deu conta que não tinha muita coisa a dizer entre a casa e o trabalho, entre os queijos que passavam sobre o tabuleiro na queijaria e os carros parados no semáforo, entre os minutos que o arroz demorava a cozer e as esfregadelas enérgicas com que punha as panelas a brilhar.

Ainda nessa semana ouvira dizer a alguém na queijaria que tinha o corpo coberto de nódoas negras, tantas tinham sido as pancadas do marido. Enquanto punha as etiquetas nos requeijões ergueu os olhos e, à sua maneira, como que deu graças por ter um santo marido, seu amigo e amigo dos filhos a quem queria mais do que ao vinho e ao jogo, ao contrário de muitos. Viviam com os tostões contados, era certo, e muitas eram as noites em que ela tinha de tirar minutos ao sono para aceder aos seus desejos, mas sentia-se amada e estimada. Acima de tudo, emocionava-a o riso dele sempre que o filho mais novo lhe arrancava as divisas, todos os dias, mal chegava a casa.

Naquela noite, quando voltou do trabalho, encontrou-os a todos em redor do fogão. As panelas fumegavam e cheirava ao que lhe parecia ser refogado de carne. Quando a viram, os filhos correram a entregar-lhe flores apanhadas no jardim da praceta do bairro, algumas já partidas, outras tantas amassadas. Cobriram-na de beijos e tiraram-lhe do ombro a mala quase tão velha como as molas com que prendia a roupa. Obrigaram-na a sentar-se à mesa e a esperar. «Hoje não podes trabalhar porque é Dia da Mulher», segredou-lhe o mais pequeno ao ouvido, quando ela lhe perguntou a que se devia tudo aquilo.

Comeu, riu, brincou. Por uma noite, não pensou nas panelas que era preciso arear, na roupa que era preciso apanhar, nos pequenos-almoços do dia seguinte. Por uma noite não quis pensar em mais nada senão no que lhe havia dito o filho ao ouvido: «Hoje não podes trabalhar».

Deitou os filhos, rezaram o Pai-Nosso e desejou-lhes boa noite. No corredor, a caminho do quarto, interrogou-se sobre o que seria o «Dia da Mulher». Não sabia o que era, nunca tinha ouvido falar de tal coisa. Antes de adormecer, foi ao porta-moedas buscar um calendário e, com uma caneta, em torno do dia 8 de Março fez um círculo. Embora não estivesse bem certa do significado daquela data, certo era que fazia intenção de nunca mais a esquecer. Depois, apagou a luz e, finalmente, dormiu.

[Também publicado em PNETcrónicas.]

© Marta Madalena Botelho

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