10.2.11
«don't struggle like that or I will only love you more»
The Cure, «Lullaby».
Do álbum «Disintegration» [1989].
9.2.11
beijos escritos
Consta que, nos primórdios da descoberta pelo povo desse interessante objecto que é o telemóvel, isto é, quando a coisa se tornou de tal modo comum que mais do que cinco dos conhecidos de cada um de nós passaram a ser ostensivos possuidores do dito bicho, se vulgarizou a troca de mensagens curtas, vulgo sms. Visto que as operadoras estabeleceram como limite máximo de caracteres para cada sms o interessante número de 140 (que deve ser mítico, já que é o mesmo estabelecido para os mais modernos tweets), e visto que os primitivos aparelhos apenas permitiam o envio de um sms de cada vez, o povo rapidamente percebeu que poderia poupar trabalho e uns tostões se abreviasse certas palavras. E assim se propagou a castradora moda de suprimir as vogais.
Um dos desgraçados termos que passou a ser alvo das abreviaturas foi a palavra "beijos" que, provavelmente por, regra geral, ser a última palavra a ser escrita, rapidamente deu lugar a um curtíssimo "bjs". Uma pena.
Escrever "beijos" jamais será igual a dá-los. Por muito escritos que estejam, não há letras que substituam o contacto entre a pele do destinatário e os lábios do remetente da mensagem. Logo, escrever "beijos" já é, por si só, limitado nos efeitos. Abreviar o termo torna a coisa ainda mais escassa. Não são dados, mas também já nem sequer são escritos: são tão-somente abreviados, compactados em três caracteres, muito apertadinhos, muito pequeninos, muito desenxabidos.
Por isso, sempre fui muito resistente ao uso desta pseudo-expressão, em particular. A princípio, porque "bjs" me sabia a pouco. Depois, progressivamente, fui desenvolvendo uma aversão à abreviatura porque passei a vê-la como um gesto de quem não está muito preocupado no modo como se despede, de alguém que beija mas de fugida, à pressa, desleixadamente e se há momento confrangedor e desagradável é o da despedida apressada, o do beijo atirado à sorte, o do acenar de costas voltadas.
Felizmente, à medida que eu e os meus fomos acrescentando anos à idade, deixámos de usar esta abreviatura, quero crer, porque passámos a ser mais sensíveis ao modo como terminamos os "encontros via sms", porque passámos a dar mais importância ao remate dos contactos que estabelecemos, porque passámos a ser mais atenciosos com os destinatários dos nossos escritos.
Por isso, não é senão com estranheza que vejo que há quem, tendo mais do que quinze anos, insista em utilizar a abreviatura. Pior do que isso: que há quem, tendo mais do que quinze anos, use a abreviatura nos sms que manda de borla, nos e-mails, nos comentários de blogues ou do Facebook, ou seja, em circunstâncias onde deixou de justificar-se a poupança de caracteres. Sendo que não se aplica o critério da racionalidade económica, só pode explicar-se o "bjs" por preguiça, por conformismo ou por desleixo, tudo coisas que, se ainda vamos tolerando nos adolescentes, já não temos tanta pachorra para aceitar na malta mais crescidinha.
Pela minha parte, nos escritos que me são dirigidos, prefiro mil vezes que não escrevam nada do que escrevam "bjs". Ao fim e ao cabo, o efeito é o mesmo: é tão insípida uma mensagem selada com aquela abreviatura como uma mensagem em que o remetente nada diz. Porque um "bjs" não é uma despedida, não é um beijo, não é nada, é uma trapalhada metida à pressa que eu, nesta fase da vida, não só dispenso bem como rejeito veementemente.
Ainda que seja por escrito, gosto de ser beijada com cuidado, com ternura, com atenção. É que, mesmo por escrito, não me beija quem quer, beija apenas quem eu deixo e, para isso, tem de beijar nada mais, nada menos do que muito, muito bem.
© [m.m. botelho]
Um dos desgraçados termos que passou a ser alvo das abreviaturas foi a palavra "beijos" que, provavelmente por, regra geral, ser a última palavra a ser escrita, rapidamente deu lugar a um curtíssimo "bjs". Uma pena.
Escrever "beijos" jamais será igual a dá-los. Por muito escritos que estejam, não há letras que substituam o contacto entre a pele do destinatário e os lábios do remetente da mensagem. Logo, escrever "beijos" já é, por si só, limitado nos efeitos. Abreviar o termo torna a coisa ainda mais escassa. Não são dados, mas também já nem sequer são escritos: são tão-somente abreviados, compactados em três caracteres, muito apertadinhos, muito pequeninos, muito desenxabidos.
Por isso, sempre fui muito resistente ao uso desta pseudo-expressão, em particular. A princípio, porque "bjs" me sabia a pouco. Depois, progressivamente, fui desenvolvendo uma aversão à abreviatura porque passei a vê-la como um gesto de quem não está muito preocupado no modo como se despede, de alguém que beija mas de fugida, à pressa, desleixadamente e se há momento confrangedor e desagradável é o da despedida apressada, o do beijo atirado à sorte, o do acenar de costas voltadas.
Felizmente, à medida que eu e os meus fomos acrescentando anos à idade, deixámos de usar esta abreviatura, quero crer, porque passámos a ser mais sensíveis ao modo como terminamos os "encontros via sms", porque passámos a dar mais importância ao remate dos contactos que estabelecemos, porque passámos a ser mais atenciosos com os destinatários dos nossos escritos.
Por isso, não é senão com estranheza que vejo que há quem, tendo mais do que quinze anos, insista em utilizar a abreviatura. Pior do que isso: que há quem, tendo mais do que quinze anos, use a abreviatura nos sms que manda de borla, nos e-mails, nos comentários de blogues ou do Facebook, ou seja, em circunstâncias onde deixou de justificar-se a poupança de caracteres. Sendo que não se aplica o critério da racionalidade económica, só pode explicar-se o "bjs" por preguiça, por conformismo ou por desleixo, tudo coisas que, se ainda vamos tolerando nos adolescentes, já não temos tanta pachorra para aceitar na malta mais crescidinha.
Pela minha parte, nos escritos que me são dirigidos, prefiro mil vezes que não escrevam nada do que escrevam "bjs". Ao fim e ao cabo, o efeito é o mesmo: é tão insípida uma mensagem selada com aquela abreviatura como uma mensagem em que o remetente nada diz. Porque um "bjs" não é uma despedida, não é um beijo, não é nada, é uma trapalhada metida à pressa que eu, nesta fase da vida, não só dispenso bem como rejeito veementemente.
Ainda que seja por escrito, gosto de ser beijada com cuidado, com ternura, com atenção. É que, mesmo por escrito, não me beija quem quer, beija apenas quem eu deixo e, para isso, tem de beijar nada mais, nada menos do que muito, muito bem.
© [m.m. botelho]
8.2.11
desejar muito
«Sempre senti que estávamos os dois no mesmo barco, partilhando uma mesma aventura. Líamos os mesmos livros e discutíamo-los: livros infantis, histórias de aventuras, mais tarde romances, história, biografias, poesia, Shakespeare. Apreciávamos e desejávamos muito a companhia um do outro. Uma verdadeira prova, isso era: mais do que devoção, admiração, paixão. Se desejamos muito a companhia de outra pessoa, é porque a amamos.»
Iris Murdoch, «O mar, o mar» [2005], p. 40
Pergunto: e o contrário, será verdade? Isto é, se não desejamos muito a companhia de outra pessoa, é porque não a amamos? Ou podemos não desejar estar, não querer estar, não conseguir estar, decidir não estar precisamente porque a amamos?
© [m.m. botelho]
© [m.m. botelho]
3.2.11
a corrida
fonte: visto aquiEstá ali, parado, de corda na mão, na linha de partida. Espera que a corrida comece. Sucede que a corrida não pode começar enquanto não vier alguém que agarre na outra ponta da corda. É uma corrida a dois, a corda é o que os liga, é o que lhes permite comunicar, dizer «estou cansado» ou «tenho sede», para que cada um saiba quando é que o outro precisa de abrandar o passo ou de se abeirar de uma fonte para beber. Enquanto a corda permanecer ali, estendida sobre a terra, a corrida não começa, não pode começar.
Sucedem-se as estações. É Inverno, hoje. Faz frio, um vento gelado que lhe percorre o corpo como uma língua húmida. Vestiu grossas camisolas, um casaco espesso, luvas, um gorro, tudo o que se lembrou, tudo o que ajudasse a suportar a espera. De vez em quando, tira as luvas, olha para as mãos e vê os golpes que se foram desenhando, a pele ressequida, a carne roxa sob as unhas. Mexe-se para aquecer, dá pulos, faz malabarismos. As horas passam. Ninguém vem.
Durante todo este tempo, nunca um café que o aquecesse, nunca um raio de sol que diferenciasse os dias, nunca um passo sequer na corrida. A corrida não começou, não podia começar.
Olha em volta, nada acontece. Olha para dentro e sente o frio quase nos ossos, como um berbequim que foi perfurando as roupas. Olha para as horas e sente o desalento. Cada raiar do dia arrancou-lhe um pouco de paciência, um pouco de empenho, um pouco de sentido, um pouco de estima por si mesmo, até um pouco de vontade, se bem que nunca um pouco de intenção.
Sabe-se ridículo, ali naquela espera. Intui-se assim.
Como se tivessem vida própria, as mãos gretadas começam a recusar agarrar a corda. Não tem forças para as fechar, tolhidas que estão pelo longo tempo. «Já esperei tanto», pensa, «não deverei esperar um pouco mais?», mas não se trata já de esperar, antes de aceitar. Aceitar que, por muito que o tivesse desejado, por muito que o tenho dito, por muito que se tenha empenhado, por muito que tenha esperado, ninguém veio pegar na outra ponta da corda, ninguém quis correr, ninguém quis absolutamente nada.
Sabe que, perante isto, tem de escolher entre preservar tudo o que fez e correr o risco de morrer de frio ou deixar tombar a ponta da corda que segura e sobreviver à intempérie. «Eu aguento um pouco mais», repete, mas sabe que não aguenta, sabe que tem limites, sabe que chegou o dia em que não pode mais permitir-se definhar na linha de partida.
Larga a corda. No limite, larga a corda. Já não sente o corpo, mas, pelo menos, está vivo. No limite, mas vivo. Por momentos, não sabe o que fazer. Angustia-se, pergunta-se se terá desistido, chora. Extenuado, senta-se e descansa. Após o repouso, recomeça a sentir os pés, as pernas, o tronco, os braços, as mãos que abre e fecha vigorosamente. Sabe, então, que não desistiu. Sabe que, ao invés, teve a coragem de se fazer escapar a uma mais do que provável morte ao vento gélido. Escolheu salvar-se. Escolheu-se. E, sozinho, começa a caminhar ao longo da linha de partida.
© [m.m. botelho]
Sucedem-se as estações. É Inverno, hoje. Faz frio, um vento gelado que lhe percorre o corpo como uma língua húmida. Vestiu grossas camisolas, um casaco espesso, luvas, um gorro, tudo o que se lembrou, tudo o que ajudasse a suportar a espera. De vez em quando, tira as luvas, olha para as mãos e vê os golpes que se foram desenhando, a pele ressequida, a carne roxa sob as unhas. Mexe-se para aquecer, dá pulos, faz malabarismos. As horas passam. Ninguém vem.
Durante todo este tempo, nunca um café que o aquecesse, nunca um raio de sol que diferenciasse os dias, nunca um passo sequer na corrida. A corrida não começou, não podia começar.
Olha em volta, nada acontece. Olha para dentro e sente o frio quase nos ossos, como um berbequim que foi perfurando as roupas. Olha para as horas e sente o desalento. Cada raiar do dia arrancou-lhe um pouco de paciência, um pouco de empenho, um pouco de sentido, um pouco de estima por si mesmo, até um pouco de vontade, se bem que nunca um pouco de intenção.
Sabe-se ridículo, ali naquela espera. Intui-se assim.
Como se tivessem vida própria, as mãos gretadas começam a recusar agarrar a corda. Não tem forças para as fechar, tolhidas que estão pelo longo tempo. «Já esperei tanto», pensa, «não deverei esperar um pouco mais?», mas não se trata já de esperar, antes de aceitar. Aceitar que, por muito que o tivesse desejado, por muito que o tenho dito, por muito que se tenha empenhado, por muito que tenha esperado, ninguém veio pegar na outra ponta da corda, ninguém quis correr, ninguém quis absolutamente nada.
Sabe que, perante isto, tem de escolher entre preservar tudo o que fez e correr o risco de morrer de frio ou deixar tombar a ponta da corda que segura e sobreviver à intempérie. «Eu aguento um pouco mais», repete, mas sabe que não aguenta, sabe que tem limites, sabe que chegou o dia em que não pode mais permitir-se definhar na linha de partida.
Larga a corda. No limite, larga a corda. Já não sente o corpo, mas, pelo menos, está vivo. No limite, mas vivo. Por momentos, não sabe o que fazer. Angustia-se, pergunta-se se terá desistido, chora. Extenuado, senta-se e descansa. Após o repouso, recomeça a sentir os pés, as pernas, o tronco, os braços, as mãos que abre e fecha vigorosamente. Sabe, então, que não desistiu. Sabe que, ao invés, teve a coragem de se fazer escapar a uma mais do que provável morte ao vento gélido. Escolheu salvar-se. Escolheu-se. E, sozinho, começa a caminhar ao longo da linha de partida.
© [m.m. botelho]
28.1.11
27.1.11
para dar fruto
«Se o grão de trigo que cai na terra não morre, continua só
um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto.»
«Bíblia», Evangelho Segundo S. João 12, 24
um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto.»
«Bíblia», Evangelho Segundo S. João 12, 24
Há uma frase que tenho ouvido muitas vezes nos últimos tempos, não necessariamente dirigida a mim: «Quem não se sente não é filho de boa gente». Um dia, retorqui: «Porque é que diz isso tão repetidamente quando está a conversar comigo? Acha que eu sou naïf? Acha que eu sou "banana", é?». Responderam-me: «Não, não acho, mas não é isso que importa. O que importa é perguntar se a Marta acha isso de si mesma. Importa perguntar se aos outros lhes ocorre que a Marta é "banana" e perguntar que importância é que isso tem para si, se é que tem alguma». Eu, menina bem comportada que sou, pergunto. Pergunto tudo.
I – Achas que eu sou "banana"?
Falei com os que me são próximos. Pedi-lhes que me dissessem se acham que sou "banana" e porquê. Obtive respostas para todos os gostos: há quem ache que sou completamente "banana"; há quem ache que sou "banana" em determinadas circunstâncias e quando estão envolvidas determinadas pessoas; há quem ache que não sou nada "banana", muito pelo contrário. Os motivos para tão diversas opiniões são variados, como se compreende: são muitos olhos a ver o mesmo, mas cada par deles de uma perspectiva própria.
Durante muito tempo, dei relevo ao que os outros pensavam sobre mim. Não que me fosse essencial que os outros só tecessem boas considerações quando o assunto era eu. Como qualquer outra pessoa, cativei o afecto de uns e granjeei o ódio de outros e sempre fui muito consciente disso. Contudo, a esmagadora maioria das pessoas com quem me cruzei na vida sempre me apreciaram e eu gostava do conforto que o afecto dos outros me dava. Foi esse conforto que me habituei a sentir que fez com que para mim se tornasse importante que as pessoas me considerassem. Era bom, e do que é bom todos gostam.
Esse conforto nunca me foi difícil de alcançar. De facto, não me recordo de ter engolido grandes sapos para agradar fosse a quem fosse. Também é verdade que isso nunca me foi exigido, porque sempre tive muita sorte nos encontros e na retribuição dos afectos: aqueles de quem eu gostei, gostaram sempre muito de mim. Por outro lado, tenho também a felicidade de ter prazer em fazer muitas coisas muito diferentes, mantendo preferências, mas sem que isso implique sacrifícios: posso deleitar-me tanto num concerto de Mahler como num bailarico de S. João, apreciar tornedó em redução de vinho do Porto com chalota e batatas confitadas tanto como uma boa bifana no pão, viajar de avião com o mesmo entusiasmo com que viajo de comboio. Em suma, não me é difícil adaptar a um sem número de ambientes e circunstâncias – e, porque não, de pessoas – , o que é tremendamente facilitador quando se trata de colher a simpatia dos outros. Talvez por isso, por saber que me era fácil, eu gozasse de uma íntima certeza de que, quando uma pessoa me interessasse o suficiente para eu querer incluí-la no meu universo, seria capaz de o fazer. Talvez por isso, por saber que tinha tudo para o conseguir, me incomodasse um pouco quando o não conseguia, ou não conseguia logo, mesmo quando não tinha a menor intenção de manter a pessoa na minha vida. E talvez por isso eu desse tanta importância ao que outros pensavam sobre mim.
Porém, quando me pus a pensar no que ganhava ou perdia com a importância que dava ao facto de as pessoas pensarem que eu poderia ser "banana", percebi que a resposta é «nada». Na realidade, o que me pode importar que os outros achem que eu sou demasiado permissiva, demasiado liberal, demasiado «deixa arder que o meu pai é bombeiro», ou mesmo que eu sou demasiado rígida, demasiado racional, demasiado preocupada? Nada! O que interessa é o modo como eu uso as minhas características para trilhar o meu percurso com vista a ser feliz. Isso não depende do que os outros pensam sobre mim, mas sim do que eu penso sobre mim, porque o modo como eu me vejo é que me permite não desperdiçar nada do que sou, é que me permite investir tudo o que tenho em mim mesma, de modo a poder proporcionar a melhor pessoa possível primeiro a mim e depois aos que me rodeiam e me amam.
Assim, concluí que, em rigor e agora, estou-me nas tintas para o que os outros pensam sobre mim, o que inclui o facto de eu ser ou não ser "banana" na forma como lido com as frustrações, os fracassos e as desolações. Estou-me literalmente nas tintas, porque a verdade é que cada um lida com isto como pode e como sabe. Há quem seja sempre muito seguro de si e passe pelas coisas como cão por vinha vindimada; há quem se deixe tomar pela tristeza e depois se erga estruturado; há quem se deixe afundar e ande anos até conseguir levantar-se, se conseguir. São inúmeras as formas de reagir a isto e de agir depois disto, umas eventualmente mais "banana" do que outras. A minha é tão-somente isso: a minha. O método de cada um aplica-se exclusivamente a esse um. Como em tudo, nestas coisas cada um sabe de si e, para os crentes, Deus sabe de todos. Assim sendo, quero lá bem saber das opiniões alheias sobre o modo como eu – e só eu – posso conduzir a minha existência. Não significa isto que desconsidere as pessoas. Simplesmente, não lhes concedo um papel que só eu é que posso ter na minha vida: o de ditar o modo como eu devo vivê-la.
II – E eu, acho que sou "banana"?
Depois de ponderar sobre a importância que tem o que outros pensam sobre a minha eventual "bananice", questionei se eu mesma penso que padeço de tal maleita. Antes de mais, reflecti sobre variadíssimos acontecimentos da minha vida. Sobretudo, sobre a última década da minha vida. E sucedeu-me tanta coisa, nesta última década! Tive uns vinte muito plenos, incrivelmente plenos, de coisas boas e de coisas más. Foquei-me, essencialmente, no modo como reagi às coisas más, como geri a minha vida imediatamente a seguir a esses acontecimentos, como passei a viver depois de eles terem tido lugar, como passei a encarar-me depois de eles fazerem parte de mim, do meu passado. E cheguei a uma conclusão.
Não, não acho que seja "banana". Seria "banana", porventura, se, de cada vez que a vida me traz um revés, ficasse cheia de auto-comiseração e não saísse desse registo. Seria "banana" se, de cada vez que me sinto magoada por alguém ou por alguma situação, ficasse afundada naquela mágoa, sem reacção, limitando-me a pensar que não teria de estar a sofrer se houvesse um pouco mais de tacto, um pouco mais de consideração, um pouco mais de maturidade, um pouco mais de qualquer outra coisa. Não o faço. Quando levo um abanão, ando uns tempos a ver estrelas, com a cabeça à roda, com a sensação de que o chão me falta sob os pés. Afortunadamente, não tenho qualquer prurido em deixar que a tristeza tome conta de mim, mas só durante o tempo estritamente necessário. Choro. Baba e ranho, mesmo. Sinto-me miserável e até sou capaz de me permitir ter um pouco de pena de mim mesma, «coitadinha de mim, que estou a sofrer tanto!». Mas esta fase dura uns tempos, não dura a vida toda. Não me fico por aí. Nunca fiquei. De uma forma ou de outra, reuni sempre as forças necessárias para inverter a tendência da auto-comiseração. Deixo-me tentar por ela, até me posso permitir não lhe resistir no imediatamente após, mas nunca me permiti ceder-lhe completamente. Sempre gostei de mim o absolutamente necessário para não permitir que tal acontecesse. Tenho-me aguentado – caramba, se tenho! – e saio sempre mais reforçada destes episódios menos bons. Nunca saí mais pequena do que era antes de eles terem acontecido.
É uma inevitabilidade: às vezes, as pessoas magoam-se umas às outras. As feridas rasgam-se. A carne fica ali, exposta, viva, a sangrar. O choro irrompe. Então, há que esperar que a dor acalme, que o choro diminua. Há que enxugar as lágrimas. Há que limpar o pus da ferida e cicatrizá-la. Há que ranger os dentes, espernear, maldizer este mundo e o outro e morder a corda com toda a força que temos enquanto escarafunchamos até que a carne putrefacta saia toda. Depois, há que deixar o tempo agir, esperar que se fechem os lanhos, ainda que permaneçam as cicatrizes. Só assim é que se curam as feridas com a certeza da cura.
Quero chegar ao fim da vida toda retalhada, cheia de cicatrizes, mas não de feridas. Quero chegar com a sensação de que me esfarrapei toda, mas que isso é sinónimo de que me fiz à vida, de que apanhei porrada, mas que dei muita luta. Por isso é que eu posso afirmar convictamente que não sou "banana". É que os "bananas" não dão luta. São muito altruístas e tal, muito cheios de perdão para dar aos outros e a si, principalmente, mas cheios de feridas por curar. Fogem daquele momento da limpeza do pus, o mais doloroso nas feridas físicas, o mais tortuoso nas feridas psicológicas. Acagaçam-se todos perante a ideia de aumentar o sofrimento num momento que é já de dor. Anseiam que a crosta cubra as feridas, mas nem sequer as limpam para não doer. Tolhem-se todos no seu cantinho à espera que a coisa passe, porque há-de passar.
Se sou "banana"? Não, não sou. Posso não ser a mais brava das mulheres, mas não sou propriamente uma cobardolas. A terra tem de ser rompida para que nasça fruto, não é? Então, também é preciso que se abram feridas para expurgar o que não interessa, de modo a tornar a viagem possível, sem excesso de carga que só nos limita e nos faz arrastar os pés. Dói muito, dói, principalmente a quem se sente porque é filho de boa gente, mas a verdadeira cura nunca pode ser indolor. A vida não é indolor.
© [m.m. botelho]
I – Achas que eu sou "banana"?
Falei com os que me são próximos. Pedi-lhes que me dissessem se acham que sou "banana" e porquê. Obtive respostas para todos os gostos: há quem ache que sou completamente "banana"; há quem ache que sou "banana" em determinadas circunstâncias e quando estão envolvidas determinadas pessoas; há quem ache que não sou nada "banana", muito pelo contrário. Os motivos para tão diversas opiniões são variados, como se compreende: são muitos olhos a ver o mesmo, mas cada par deles de uma perspectiva própria.
Durante muito tempo, dei relevo ao que os outros pensavam sobre mim. Não que me fosse essencial que os outros só tecessem boas considerações quando o assunto era eu. Como qualquer outra pessoa, cativei o afecto de uns e granjeei o ódio de outros e sempre fui muito consciente disso. Contudo, a esmagadora maioria das pessoas com quem me cruzei na vida sempre me apreciaram e eu gostava do conforto que o afecto dos outros me dava. Foi esse conforto que me habituei a sentir que fez com que para mim se tornasse importante que as pessoas me considerassem. Era bom, e do que é bom todos gostam.
Esse conforto nunca me foi difícil de alcançar. De facto, não me recordo de ter engolido grandes sapos para agradar fosse a quem fosse. Também é verdade que isso nunca me foi exigido, porque sempre tive muita sorte nos encontros e na retribuição dos afectos: aqueles de quem eu gostei, gostaram sempre muito de mim. Por outro lado, tenho também a felicidade de ter prazer em fazer muitas coisas muito diferentes, mantendo preferências, mas sem que isso implique sacrifícios: posso deleitar-me tanto num concerto de Mahler como num bailarico de S. João, apreciar tornedó em redução de vinho do Porto com chalota e batatas confitadas tanto como uma boa bifana no pão, viajar de avião com o mesmo entusiasmo com que viajo de comboio. Em suma, não me é difícil adaptar a um sem número de ambientes e circunstâncias – e, porque não, de pessoas – , o que é tremendamente facilitador quando se trata de colher a simpatia dos outros. Talvez por isso, por saber que me era fácil, eu gozasse de uma íntima certeza de que, quando uma pessoa me interessasse o suficiente para eu querer incluí-la no meu universo, seria capaz de o fazer. Talvez por isso, por saber que tinha tudo para o conseguir, me incomodasse um pouco quando o não conseguia, ou não conseguia logo, mesmo quando não tinha a menor intenção de manter a pessoa na minha vida. E talvez por isso eu desse tanta importância ao que outros pensavam sobre mim.
Porém, quando me pus a pensar no que ganhava ou perdia com a importância que dava ao facto de as pessoas pensarem que eu poderia ser "banana", percebi que a resposta é «nada». Na realidade, o que me pode importar que os outros achem que eu sou demasiado permissiva, demasiado liberal, demasiado «deixa arder que o meu pai é bombeiro», ou mesmo que eu sou demasiado rígida, demasiado racional, demasiado preocupada? Nada! O que interessa é o modo como eu uso as minhas características para trilhar o meu percurso com vista a ser feliz. Isso não depende do que os outros pensam sobre mim, mas sim do que eu penso sobre mim, porque o modo como eu me vejo é que me permite não desperdiçar nada do que sou, é que me permite investir tudo o que tenho em mim mesma, de modo a poder proporcionar a melhor pessoa possível primeiro a mim e depois aos que me rodeiam e me amam.
Assim, concluí que, em rigor e agora, estou-me nas tintas para o que os outros pensam sobre mim, o que inclui o facto de eu ser ou não ser "banana" na forma como lido com as frustrações, os fracassos e as desolações. Estou-me literalmente nas tintas, porque a verdade é que cada um lida com isto como pode e como sabe. Há quem seja sempre muito seguro de si e passe pelas coisas como cão por vinha vindimada; há quem se deixe tomar pela tristeza e depois se erga estruturado; há quem se deixe afundar e ande anos até conseguir levantar-se, se conseguir. São inúmeras as formas de reagir a isto e de agir depois disto, umas eventualmente mais "banana" do que outras. A minha é tão-somente isso: a minha. O método de cada um aplica-se exclusivamente a esse um. Como em tudo, nestas coisas cada um sabe de si e, para os crentes, Deus sabe de todos. Assim sendo, quero lá bem saber das opiniões alheias sobre o modo como eu – e só eu – posso conduzir a minha existência. Não significa isto que desconsidere as pessoas. Simplesmente, não lhes concedo um papel que só eu é que posso ter na minha vida: o de ditar o modo como eu devo vivê-la.
II – E eu, acho que sou "banana"?
Depois de ponderar sobre a importância que tem o que outros pensam sobre a minha eventual "bananice", questionei se eu mesma penso que padeço de tal maleita. Antes de mais, reflecti sobre variadíssimos acontecimentos da minha vida. Sobretudo, sobre a última década da minha vida. E sucedeu-me tanta coisa, nesta última década! Tive uns vinte muito plenos, incrivelmente plenos, de coisas boas e de coisas más. Foquei-me, essencialmente, no modo como reagi às coisas más, como geri a minha vida imediatamente a seguir a esses acontecimentos, como passei a viver depois de eles terem tido lugar, como passei a encarar-me depois de eles fazerem parte de mim, do meu passado. E cheguei a uma conclusão.
Não, não acho que seja "banana". Seria "banana", porventura, se, de cada vez que a vida me traz um revés, ficasse cheia de auto-comiseração e não saísse desse registo. Seria "banana" se, de cada vez que me sinto magoada por alguém ou por alguma situação, ficasse afundada naquela mágoa, sem reacção, limitando-me a pensar que não teria de estar a sofrer se houvesse um pouco mais de tacto, um pouco mais de consideração, um pouco mais de maturidade, um pouco mais de qualquer outra coisa. Não o faço. Quando levo um abanão, ando uns tempos a ver estrelas, com a cabeça à roda, com a sensação de que o chão me falta sob os pés. Afortunadamente, não tenho qualquer prurido em deixar que a tristeza tome conta de mim, mas só durante o tempo estritamente necessário. Choro. Baba e ranho, mesmo. Sinto-me miserável e até sou capaz de me permitir ter um pouco de pena de mim mesma, «coitadinha de mim, que estou a sofrer tanto!». Mas esta fase dura uns tempos, não dura a vida toda. Não me fico por aí. Nunca fiquei. De uma forma ou de outra, reuni sempre as forças necessárias para inverter a tendência da auto-comiseração. Deixo-me tentar por ela, até me posso permitir não lhe resistir no imediatamente após, mas nunca me permiti ceder-lhe completamente. Sempre gostei de mim o absolutamente necessário para não permitir que tal acontecesse. Tenho-me aguentado – caramba, se tenho! – e saio sempre mais reforçada destes episódios menos bons. Nunca saí mais pequena do que era antes de eles terem acontecido.
É uma inevitabilidade: às vezes, as pessoas magoam-se umas às outras. As feridas rasgam-se. A carne fica ali, exposta, viva, a sangrar. O choro irrompe. Então, há que esperar que a dor acalme, que o choro diminua. Há que enxugar as lágrimas. Há que limpar o pus da ferida e cicatrizá-la. Há que ranger os dentes, espernear, maldizer este mundo e o outro e morder a corda com toda a força que temos enquanto escarafunchamos até que a carne putrefacta saia toda. Depois, há que deixar o tempo agir, esperar que se fechem os lanhos, ainda que permaneçam as cicatrizes. Só assim é que se curam as feridas com a certeza da cura.
Quero chegar ao fim da vida toda retalhada, cheia de cicatrizes, mas não de feridas. Quero chegar com a sensação de que me esfarrapei toda, mas que isso é sinónimo de que me fiz à vida, de que apanhei porrada, mas que dei muita luta. Por isso é que eu posso afirmar convictamente que não sou "banana". É que os "bananas" não dão luta. São muito altruístas e tal, muito cheios de perdão para dar aos outros e a si, principalmente, mas cheios de feridas por curar. Fogem daquele momento da limpeza do pus, o mais doloroso nas feridas físicas, o mais tortuoso nas feridas psicológicas. Acagaçam-se todos perante a ideia de aumentar o sofrimento num momento que é já de dor. Anseiam que a crosta cubra as feridas, mas nem sequer as limpam para não doer. Tolhem-se todos no seu cantinho à espera que a coisa passe, porque há-de passar.
Se sou "banana"? Não, não sou. Posso não ser a mais brava das mulheres, mas não sou propriamente uma cobardolas. A terra tem de ser rompida para que nasça fruto, não é? Então, também é preciso que se abram feridas para expurgar o que não interessa, de modo a tornar a viagem possível, sem excesso de carga que só nos limita e nos faz arrastar os pés. Dói muito, dói, principalmente a quem se sente porque é filho de boa gente, mas a verdadeira cura nunca pode ser indolor. A vida não é indolor.
© [m.m. botelho]
26.1.11
25.1.11
sozinha
Esta noite fui ver «You'll meet a tall dark stranger», o último filme de Woody Allen, ao cinema. Sozinha. Eu, que nunca fui ao cinema sozinha e que não gostava de o fazer! Pode parecer uma contradição, mas a verdade é que nunca tinha ido porque sabia que não ia gostar e, por isso, sabia que não gostava. Não gostava mesmo.
Sucede que há já uns tempos que vinha desconfiando que, agora, era capaz de gostar de ir ao cinema sozinha. Um dia, dei por mim a pensar que, afinal de contas, nunca me coibi de fazer fosse o que fosse sozinha: sair à noite para beber um copo, jantar fora de casa, caminhar, viajar, ir ao teatro, ir a concertos, ir à praia, ir a exposições, a museus, etc.. Então, por que carga de água é que eu não haveria de gostar de ir ao cinema?
Passei a vida toda sem ponderar isto, negando simplesmente que gostasse de ir ao cinema sozinha. Ora, eu sei bem porque é que não gostava, mas são motivos que não interessa invocar: são passado e para trás anda o caranguejo. Desliguei-me deles e, por isso, passei a questionar se deveria continuar a condicionar as minhas idas ao cinema por factos de outrora. Não, não devo. Nem as idas ao cinema, nem coisa alguma.
Percebi e comprovei que, agora, gosto de ir ao cinema sozinha. Hoje fui e gostei. E vou repetir, quando e sempre que me apetecer. As idas ao cinema e tudo o que me der na real gana, porque cheguei à conclusão de que a minha companhia é, para mim mesma, infinitamente agradável, até numa sala escura, rodeada de estranhos a olhar para um ecrã, alguns dos quais a triturarem pipocas com alarido.
A explicação para isto é, na realidade, bastante simples: gosto imenso de mim e tenho vindo a descobrir que gosto cada vez mais de fazer coisas comigo.
© [m.m. botelho]
Sucede que há já uns tempos que vinha desconfiando que, agora, era capaz de gostar de ir ao cinema sozinha. Um dia, dei por mim a pensar que, afinal de contas, nunca me coibi de fazer fosse o que fosse sozinha: sair à noite para beber um copo, jantar fora de casa, caminhar, viajar, ir ao teatro, ir a concertos, ir à praia, ir a exposições, a museus, etc.. Então, por que carga de água é que eu não haveria de gostar de ir ao cinema?
Passei a vida toda sem ponderar isto, negando simplesmente que gostasse de ir ao cinema sozinha. Ora, eu sei bem porque é que não gostava, mas são motivos que não interessa invocar: são passado e para trás anda o caranguejo. Desliguei-me deles e, por isso, passei a questionar se deveria continuar a condicionar as minhas idas ao cinema por factos de outrora. Não, não devo. Nem as idas ao cinema, nem coisa alguma.
Percebi e comprovei que, agora, gosto de ir ao cinema sozinha. Hoje fui e gostei. E vou repetir, quando e sempre que me apetecer. As idas ao cinema e tudo o que me der na real gana, porque cheguei à conclusão de que a minha companhia é, para mim mesma, infinitamente agradável, até numa sala escura, rodeada de estranhos a olhar para um ecrã, alguns dos quais a triturarem pipocas com alarido.
A explicação para isto é, na realidade, bastante simples: gosto imenso de mim e tenho vindo a descobrir que gosto cada vez mais de fazer coisas comigo.
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algumas notas importantes sobre os direitos de autor
» O âmbito do direito de autor e os direitos conexos incidem a sua protecção sobre duas realidades: a tutela das obras e o reconhecimento dos respectivos direitos aos seus autores.
» O direito de autor protege as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas.
» Obras originais são as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu género, forma de expressão, mérito, modo de comunicação ou objecto.
» Uma obra encontra-se protegida, logo que é criada e fixada sob qualquer tipo de forma tangível de modo directo ou com a ajuda de uma máquina.
» A protecção das obras não está sujeita a formalização alguma. O direito de autor constitui-se pelo simples facto da criação, independentemente da sua divulgação, publicação, utilização ou registo.
» O titular da obra é, salvo estipulação em contrário, o seu criador.
» A obra não depende do conhecimento pelo público. Ela existe independente da sua divulgação, publicação, utilização ou exploração, apenas se lhe impondo, para beneficiar de protecção, que seja exteriorizada sob qualquer modo.
» O direito de autor pertence ao criador intelectual da obra, salvo disposição expressa em contrário.
» O direito de autor protege as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas.
» Obras originais são as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu género, forma de expressão, mérito, modo de comunicação ou objecto.
» Uma obra encontra-se protegida, logo que é criada e fixada sob qualquer tipo de forma tangível de modo directo ou com a ajuda de uma máquina.
» A protecção das obras não está sujeita a formalização alguma. O direito de autor constitui-se pelo simples facto da criação, independentemente da sua divulgação, publicação, utilização ou registo.
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