26.2.11

(in)felicidade perfeita

«Todos descobrem, mais tarde ou mais cedo na vida, que a felicidade perfeita não é realizável, mas poucos se detêm a pensar na consideração oposta: que também uma infelicidade perfeita é, igualmente, não realizável.

Os momentos que se opõem à realização de ambos os estados-limites são da mesma natureza: derivam da nossa condição humana, que é inimiga de tudo o que é infinito. Opõe-se-lhe o nosso sempre insuficiente conhecimento do futuro; e a isto se chama, num caso esperança; no outro, incerteza do amanhã. Opõe-se-lhe a certeza da morte, que impõe um limite a qualquer alegria, mas também a qualquer dor. Opõem-se-lhe as inevitáveis preocupações materiais, que assim como poluem qualquer felicidade duradoura, também distraem assiduamente a nossa atenção da desgraça que paira sobre nós, e tornam fragmentária e, por isso mesmo, suportável, a consciência dela.»
Primo Levi, «Se isto é um homem» [1947]

25.2.11

pilares estruturais

«Um bom lema para viver: procura sempre não te matares.»
George Carlin, «Brain droppings» [1998]

Perante certas palavras, atitudes e opções, pergunto-me se não haverá gente que cultiva uma certa atracção pelo abismo. É indubitável que há quem tenha uma extraordinária habilidade para arrasar com as coisas boas que a vida lhe proporcionou, gente que, de um dia para o outro, manda pelos ares os seus pilares estruturais. Pergunto-me se o farão por falta de inteligência, por falta de maturidade, por um estado de insanidade temporária ou permanente ou se será antes por incapacidade de distinguir o que é essencial do que é acessório (o que também pode ser visto como uma consequência de ambas as primeiras hipóteses).

É suposto que as pessoas crescidas saibam destrinçar o que é bom do que é mau para si mesmas. É suposto que as pessoas crescidas sejam capazes de antever que, ao explodirem com as suas próprias estruturas, mais tarde ou mais cedo haverão de cair no mais escuro e lamacento dos poços, criado pelo rebentamento das terras. É suposto que as pessoas crescidas sejam suficientemente perspicazes para perceber que há coisas que não têm preço e que, portanto, há preços que, por muito que estejam dispostas a pagá-los, jamais compensarão aquilo que puseram à venda. Quando o que se pôs à venda era estrutural, a perda desse estrutural nunca será compensada.

Admito que, para chegarem a esta conclusão, algumas pessoas tenham mesmo de celebrar pelo menos um destes maus negócios durante a vida, isto é, que não aprendam com o que a experiência e os alertas dos outros lhes revela, mas tenham elas mesmas de bater com a cabeça na parede para ficarem a saber o quanto dói. Eu, pecadora, me confesso. O que já não entendo tão bem é que, depois de o fazerem, fiquem cheias de autocomiseração e que não aceitem os auxílios que os outros pilares estruturais que lhes restam lhes oferecem para que consigam sair do poço que elas mesmas cavaram e em que elas mesmas se meteram. Fazê-lo só demonstra que não se aprendeu nada com o que aconteceu. É que é suposto que, depois de arrasar um pilar estrutural, se passe a saber distinguir o que é estrutural do que não é, ou seja, que, ao tomar-se consciência de que aquilo que se destruiu era estrutural, se tome consciência do que demais existe na vida de cada um que também o é. Por um motivo bastante básico: é que só aí, nesses outros pilares, será possível encontrar as forças necessárias para elevar novamente a construção.

Por isso, quando vejo que há quem prefira ficar no escuro em vez de pegar nas velas acesas que lhe são estendidas com afecto e preocupação, concluo que se trata de pessoas que não foram capazes de tirar as devidas lições daquilo que lhes aconteceu. Isto leva-me a questionar se essas pessoas não terão mesmo uma atracção pelo abismo, que é o mesmo que dizer pela autodestruição.

Se, num determinado momento, fomos estúpidos ao ponto de arrasar com um dos pilares da nossa vida, é suposto que não continuemos por aí fora, a estourar com os restantes. É suposto que dar com a cabeça na parede nos acorde, nos doa, nos dê objectividade para percebermos o que fizemos de mal a nós mesmos e o que devemos fazer para parar o vórtice de autoflagelação. Em suma, é suposto que dar com a cabeça na parede nos alerte para a necessidade de não prosseguirmos, existência fora, fazendo as mesmas coisas, destruindo as nossas próprias estruturas, desvalorizando o que de bom nos cerca e nos escora. E é, ainda, suposto que cresçamos uns palmos, que ganhemos força nas pernas e que demos o salto do poço, que arrumemos de uma vez por todas com tudo o que nos prejudica, nos enfraquece, nos desgasta e nos puxa para o abismo. É suposto, portanto, que se empreenda uma espécie de purga.

Enquanto isso não acontecer, ninguém estará reestruturado. Andará apenas a enganar-se a si mesmo, a destruir-se a si mesmo, a afundar-se em "self pity" e a desperdiçar as oportunidades que a vida lhe dá de refazer o que foi aniquilado (de preferência, melhor). Poderá até já não andar a bater com a cabeça na parede, mas continua a não perceber que existe mais para além dela. Não terá saído do sítio. Não terá aprendido absolutamente nada.

© [m.m. botelho]

instantâneos [18]

do filme «Bikur Ha-Tizmoret»/«The Band's Visit» [2007], de Eran Kolirin
visto aqui

«10 decisions shape your life, you'll be aware of 5 about»

«10 decisions shape your life,
you'll be aware of 5 about,
7 ways to go through school,
either you're noticed or left out,
7 ways to get ahead,
7 reasons to drop out.
when I said «I can see me in your eyes»,
you said «I can see you in my bed»,
that's not just friendship that's romance too,
you like music we can dance to.

sit me down,
shut me up,
I'll calm down,
and I'll get along with you.

there is a time when we all fail,
some people take it pretty well,
some take it all out on themselves,
some they just take it out on friends,
oh, everybody plays the game,
and if you don't you're called insane.

don't don't don't don't! it's not safe no more.
I've got to see you one more time,
soon you were born
in 1984.

sit me down,
shut me up,
I'll calm down,
and I'll get along with you.

everybody was well dressed,
and everybody was a mess,
6 things without fail you must do,
so that your woman loves just you,
oh, all the girls played mental games,
and all the guys were dressed the same.

why not try it all,
if you only remember it once.

sit me down,
shut me up,
I'll calm down,
and I'll get along with you.»



The Strokes, «I'll try anything once» / «You only live once».
Do álbum «First impressions of Earth» [2006].

Esta canção é obrigatória. Uma daquelas canções para o resto da vida.

24.2.11

perguntas e respostas

Anteontem, sentada sozinha no hall de entrada, folheava a «Courrier Internacional» de Fevereiro enquanto esperava pela minha vez de ser recebida. Repentinamente, a porta em frente abre-se, sai uma jovem muito chorosa ainda a fungar e, atrás, o médico que a atendera. Depois de a jovem bater a porta, o médico olha para mim e dirige-me um «Olá» muito sorridente, a que eu respondo com um tímido «Boa noite». E nisto, ele desata a falar comigo, dizendo-me que «É sempre a mesma coisa», que já está atrasado, que «As pessoas não cumprem horários» e ele tem de estar nas Antas dali a dez minutos, sendo que demora pelo menos vinte só no trajecto que tem de fazer de carro. Remexe nuns papéis na secretária da recepcionista, separa os que são para si, disparando sempre para o ar um palavreado que a certa altura se tornou imperceptível. Entra no gabinete dele novamente e volta a sair para o hall de pasta a tiracolo. Agarra no casaco que está pendurado no bengaleiro, atira para o ar a interrogação sobre se estaria muito trânsito e abre a porta. Eu, surpreendida pelo inesperado da situação, balbucio outro «Boa noite» como resposta e ele, já meio corpo atravessado na porta, dá um passo atrás e diz-me «E o trânsito? Não disse nada sobre o trânsito». Eu sorrio, explico que «Não apanhei muito trânsito», ele exclama «Óptimo», acrescenta que «Devemos sempre responder ao que as pessoas nos perguntam com uma verdadeira resposta ao que nos é perguntado, não acha?» e sai.

Eu volto a olhar para a «Courrier Internacional», mas já não leio nada. Fico a pensar no que me foi dito e no quanto me desgosta que eu fale em alhos e me respondam com bugalhos, que as conversas se tornem uma coisa pastosa e desviada do fulcral, que os discursos sejam um emaranhado de bloqueios e evitamentos das questões essenciais, que as pessoas se escudem em rodeios para não dizerem o que tem de ser dito ou, então, assumirem claramente que não o querem dizer. O meu telemóvel toca, é um sms que leio depressa, para voltar ao que me ocupava o pensamento e sobre o que me pareceu tão importante reflectir. Contudo, a porta ao fundo do corredor abre-se para me receber. Estendem-me a mão, seguram-me o braço enquanto eu retribuo o cumprimento e perguntam-me que tal a semana. «Boa», respondo, enquanto a porta se fecha atrás de mim e eu tiro o casaco. E continuo, dizendo que «A semana foi boa, também porque respondi a todas as perguntas que me foram feitas. Sabe, esta semana respondi a muitas perguntas que eu mesma me andava a fazer e cuja resposta andava a evitar há demasiado tempo».

© [m.m. botelho]

22.2.11

«the world is full of good intentions»


Beth Ditto. «I wrote the book».
Do álbum «Beth Ditto EP» [2011].

força e determinação

«Confundem força e determinação. Eu sou fraco, porque nunca imponho a minha vontade, mas sou determinado, porque nunca desisto da minha vontade. Ficamos ambos divertidos, eles com o fracasso, eu com o que vem depois.»
Pedro Mexia, «O que vem depois», no blogue «Lei Seca»

21.2.11

«do you really think you go to hell for having loved?»


Rufus Wainwright. «Going to a town».
Do álbum «Release the stars» [2007].

monstros

Costumo ler um blogue, o «Educação Irracional», de cuja frase de descrição gosto muito. Diz assim: «Existem dois monstros dentro de mim, um bom e um mau. Se quiseres saber qual sou, respondo-te : sou aquele que mais alimentares».

É uma grande verdade. A não ser que estejamos a falar de gente com sangue de barata, que ninguém espere receber coisas boas quando deu coisas más, que ninguém espere companheirismo quando deu esporadas, que ninguém espere cuidado quando deu rejeição. O ideal, aliás, é que ninguém espere nada, mas muito menos colher as flores que deliberadamente pisoteou.

Depois, ninguém diga, muito consternado, que não ia ficar feliz se assim fosse. Não há pachorra para tanta hipocrisia.

© [m.m. botelho]

instantâneos [17]

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