20.6.11
17.6.11
incomparável
Que os momentos são únicos e, portanto, não se repetem, é uma verdade de La Palice que qualquer tolo sabe. No que me parece que nem todos [a começar por mim, às vezes] reflectem devidamente é no facto de essa característica de irrepetibilidade significar que podemos voltar às datas, aos sítios, até mesmo às pessoas, que mesmo assim os momentos não serão, sequer, comparáveis. Os anos passam, os dias do calendário repetem-se [os aniversários, as passagens de ano, os Natais, os feriados], voltamos a fazer as mesmas coisas com as mesmas pessoas mas cada dia é um dia em si, que não pode ser comparado com nenhuma outra circunstância parecida.
Não há parecenças entre os dias e os acontecimentos. Pode haver parecenças em tudo o resto, mas não no que sentimos dentro do peito a cada instante. Por isso, porque somos o que somos apenas naquele específico segundo em que somos aquilo, não podemos comparar isso com nada. Não podemos comparar isso com absolutamente nada, ainda que à volta tudo seja igual.
© [m.m. botelho]
Não há parecenças entre os dias e os acontecimentos. Pode haver parecenças em tudo o resto, mas não no que sentimos dentro do peito a cada instante. Por isso, porque somos o que somos apenas naquele específico segundo em que somos aquilo, não podemos comparar isso com nada. Não podemos comparar isso com absolutamente nada, ainda que à volta tudo seja igual.
© [m.m. botelho]
14.6.11
instantâneos [35]
[visto aqui]Quem diria que eu, que mudava [e mudo] de estação de cada vez que passava [e passa] a «Chasing pavements», canção que considerava [e considero] profundamente irritante, um dia haveria de publicar no meu blogue uma imagem com um excerto de uma das canções da Adele (neste caso, «Turning tables»)?!
Sucede que, neste momento esta frase espelha tudo o que eu quero dizer: que ninguém se aproxime, que ninguém me toque, que ninguém me magoe mais, por favor. Por isso, ainda que ela seja um excerto de uma das canções da Adele, fica aqui publicada, porque resume tudo o que neste momento eu consigo dizer.
[Às vezes, interrogo-me sobre o que seria de mim sem as palavras, mesmo que as das canções.]
© [m.m. botelho]
Sucede que, neste momento esta frase espelha tudo o que eu quero dizer: que ninguém se aproxime, que ninguém me toque, que ninguém me magoe mais, por favor. Por isso, ainda que ela seja um excerto de uma das canções da Adele, fica aqui publicada, porque resume tudo o que neste momento eu consigo dizer.
[Às vezes, interrogo-me sobre o que seria de mim sem as palavras, mesmo que as das canções.]
© [m.m. botelho]
10.6.11
3.6.11
toma «Centrum», pequena, toma «Centrum»!
Acho que se voltar a ler num blogue um apelo para ir votar no próximo Domingo, vomito. Eu até compreendo que nos blogues ditos "políticos" se façam esses apelos, se apresentem declarações de voto e se faça propaganda por um determinado partido. Já num blogue que não tenha essa característica vincada, que sentido faz estar ali a apregoar «vão votar», como se disso dependesse a própria sobrevivência? E qual é o interesse do leitor em saber que o Autor do blogue "X" (que é, por hipótese, de cariz literário, pessoal ou desportivo), vai votar neste ou naquele partido? Acaso saber o sentido de voto dos outros influencia o meu? Bem, o meu não influencia, mas se calhar até influencia o de uns quantos patetas que não sabem destrinçar a admiração que se tem por uma pessoa numa determinada área, do seguidismo que se pode ou não fazer das suas convicções políticas. Por exemplo, eu tenho o maior respeito e admiração intelectual e académica pelo Professor Doutor Gomes Canotilho, mas não partilho da sua ideologia política, logo, por muito que ele me dissesse «vou votar no partido "Y"», eu não votaria no partido "Y". Daqui se conclui que, se alguém votar no partido "Y" só porque "A" vota no partido "Y", fá-lo porque não passa de um grande nabo que não tem consciência de que o voto é um acto individual.
Assim sendo, só compreendo estas declarações de voto de gente que nem sequer está ligada à política como uma qualquer necessidade de afirmação de que se faz parte deste ou daquele grupo (os que votam "naquele" partido). E essa necessidade de afirmação vem de onde? Será da importância que dão a sentirem-se identificados com as figuras públicas que também votam nesses partidos? É uma hipótese, mas Freud que explique, que eu não tenho interesse ou conhecimentos para tanto e, em boa verdade, também não tenho tempo para me dedicar a analisar a vida dos outros, que a minha já me dá o que fazer.
O que acho tremendamente curioso é que as pessoas que muito apelam ao voto são precisamente aquelas que, provavelmente, já falharam o dever cívico noutros actos eleitorais. Fazem-me lembrar aqueles sujeitos que nunca tomaram vitaminas na vida e um dia vão ao médico, que lhes receita uma embalagem de «Centrum». É ouvi-los, a partir de então, a recomendar «Centrum» a toda a gente, como se não tomar «Centrum» fosse um pecado. Com o voto passa-se mais ou menos o mesmo. Um dia acordam e descobrem que faz todo o sentido ir votar, principalmente agora, neste momento, por causa da crise e tal e tal. Tal como um dia acordaram e perceberam que, como estavam em crise, tinham de poupar, mas só porque estavam em crise.
O português-médio é assim: nos momentos especialmente delicados vota; quando a crise aperta, tenta poupar (a maior parte nem consegue poupar porque não tem por onde), quando troveja, invoca Santa Bárbara. Mas só faz uma coisa quando sucede a outra, caso contrário, vive «pobrete, mas alegrete».
Às vezes questiono-me se aquela gente que vai para as televisões dizer que agora leva a refeição de casa para comer no trabalho só descobriu no século XXI a existência das marmitas e dos «Tupperwares», do mesmo modo que me interrogo se esta gente que agora apela ao voto em cada post que escreve só descobriu agora que existem actos eleitorais e que votar é um dever cívico.
Não há pachorra para esta gente. Se estivessem caladinhos faziam melhor figura. Assim só mostram que não passam de uns acomodados que só se levantam da cadeira para ir fazer alguma coisa quando a casa já está a arder. E uma pontinha de vergonha na cara, não? Oh, não, isso é só quando for absolutamente necessário. Até lá, deixa arder que o FMI é bombeiro e a abstenção é rainha. Não há pachorra.
[Nota: o título deste post é uma adaptação livre feita por mim de um conhecido verso de Álvaro de Campos.]
© [m.m. botelho]
Assim sendo, só compreendo estas declarações de voto de gente que nem sequer está ligada à política como uma qualquer necessidade de afirmação de que se faz parte deste ou daquele grupo (os que votam "naquele" partido). E essa necessidade de afirmação vem de onde? Será da importância que dão a sentirem-se identificados com as figuras públicas que também votam nesses partidos? É uma hipótese, mas Freud que explique, que eu não tenho interesse ou conhecimentos para tanto e, em boa verdade, também não tenho tempo para me dedicar a analisar a vida dos outros, que a minha já me dá o que fazer.
O que acho tremendamente curioso é que as pessoas que muito apelam ao voto são precisamente aquelas que, provavelmente, já falharam o dever cívico noutros actos eleitorais. Fazem-me lembrar aqueles sujeitos que nunca tomaram vitaminas na vida e um dia vão ao médico, que lhes receita uma embalagem de «Centrum». É ouvi-los, a partir de então, a recomendar «Centrum» a toda a gente, como se não tomar «Centrum» fosse um pecado. Com o voto passa-se mais ou menos o mesmo. Um dia acordam e descobrem que faz todo o sentido ir votar, principalmente agora, neste momento, por causa da crise e tal e tal. Tal como um dia acordaram e perceberam que, como estavam em crise, tinham de poupar, mas só porque estavam em crise.
O português-médio é assim: nos momentos especialmente delicados vota; quando a crise aperta, tenta poupar (a maior parte nem consegue poupar porque não tem por onde), quando troveja, invoca Santa Bárbara. Mas só faz uma coisa quando sucede a outra, caso contrário, vive «pobrete, mas alegrete».
Às vezes questiono-me se aquela gente que vai para as televisões dizer que agora leva a refeição de casa para comer no trabalho só descobriu no século XXI a existência das marmitas e dos «Tupperwares», do mesmo modo que me interrogo se esta gente que agora apela ao voto em cada post que escreve só descobriu agora que existem actos eleitorais e que votar é um dever cívico.
Não há pachorra para esta gente. Se estivessem caladinhos faziam melhor figura. Assim só mostram que não passam de uns acomodados que só se levantam da cadeira para ir fazer alguma coisa quando a casa já está a arder. E uma pontinha de vergonha na cara, não? Oh, não, isso é só quando for absolutamente necessário. Até lá, deixa arder que o FMI é bombeiro e a abstenção é rainha. Não há pachorra.
[Nota: o título deste post é uma adaptação livre feita por mim de um conhecido verso de Álvaro de Campos.]
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2.6.11
26.5.11
ouvir, ver, pensar
A expressão «nem tudo o que parece é» tem cada vez mais aplicação na minha vida e digo-o não tanto em avaliação da interacção dos outros comigo, mas mais na avaliação da minha interacção com os outros. Não é que eu tenha passado a agir de maneira diferente. O problema [se é que de um problema se trata] é que os outros continuam a olhar as minhas interacções consigo à luz de quem eu era há uns tempos. Ora, se, segundo o Primeiro-Ministro português, até o mundo mudou em quinze dias, como é que eu não haveria de ter mudado consideravelmente em bastante mais tempo do que isso?
Citando a Bíblia, de memória: «Quem tiver ouvidos, ouça»; e adaptando à situação concreta: quem tiver olhos, veja e quem tiver cabeça, pense. Como dizia um antigo spot publicitário da AMI: «vai ver que não dói nada».
© [m.m. botelho]
Citando a Bíblia, de memória: «Quem tiver ouvidos, ouça»; e adaptando à situação concreta: quem tiver olhos, veja e quem tiver cabeça, pense. Como dizia um antigo spot publicitário da AMI: «vai ver que não dói nada».
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25.5.11
confusões (3)
Por último, também convém não confundir, quando se lida comigo ou com tipos como eu, sarcasmo com hipocrisia, mas isso parece-me que não vale a pena explicar porquê, pois está perfeitamente perceptível nos dois textos que antecedem este. Se mesmo assim houver quem caia em tentação de o fazer, só posso concluir que é profundamente estúpido e o que eu penso sobre a estupidez é que deveria ser dolorosa, o mais possível, aliás. Se acompanhada de fortes diarreias, melhor ainda.
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confusões (2)
Outra coisa que convém não confundir quando se lida comigo ou com tipos como eu é simulação com sarcasmo. Não sei ser o que a primeira requer (nem nunca tentei porque acho de uma pobreza de espírito inenarrável), mas sei, sem falsa modéstia, ser muitíssimo boa na segunda. Por isso, se alguém interagir comigo e ficar com a sensação de que eu estou a ser sarcástica, é porque estou mesmo, já que não deixo margem para dúvidas quanto a isso. Só para evitar equívocos, porque eu até pago para que não me aborreçam com coisas de somenos importância.
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confusões (1)
Há algumas coisas que convém não confundir quando se lida comigo ou com tipos como eu. A primeira delas é urbanidade com hipocrisia. Pessoas como eu serão (quase) sempre irrepreensivelmente urbanas (recordo-me de, em toda a minha vida, ter perdido a face três vezes e sempre em consequência de provocações inaceitáveis de outros), mas muito dificilmente serão hipócritas (não me lembro de o ter sido uma vez que fosse). Por isso, se um dia eu ignorar uma pessoa, não é porque sou distraída ou mal-educada, é só mesmo porque não vim equipada com o dispositivo da hipocrisia e não faço fretes a ninguém, seja ele o pedinte da rua ou a Rainha de Inglaterra. E ainda bem que assim é.
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algumas notas importantes sobre os direitos de autor
» O âmbito do direito de autor e os direitos conexos incidem a sua protecção sobre duas realidades: a tutela das obras e o reconhecimento dos respectivos direitos aos seus autores.
» O direito de autor protege as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas.
» Obras originais são as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu género, forma de expressão, mérito, modo de comunicação ou objecto.
» Uma obra encontra-se protegida, logo que é criada e fixada sob qualquer tipo de forma tangível de modo directo ou com a ajuda de uma máquina.
» A protecção das obras não está sujeita a formalização alguma. O direito de autor constitui-se pelo simples facto da criação, independentemente da sua divulgação, publicação, utilização ou registo.
» O titular da obra é, salvo estipulação em contrário, o seu criador.
» A obra não depende do conhecimento pelo público. Ela existe independente da sua divulgação, publicação, utilização ou exploração, apenas se lhe impondo, para beneficiar de protecção, que seja exteriorizada sob qualquer modo.
» O direito de autor pertence ao criador intelectual da obra, salvo disposição expressa em contrário.
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