7.1.12

instantâneos [44]

visto aqui

5.1.12

«não se dão flores a quem morre de cancro»

Não sei muito bem o que pensar das pessoas que atiram para as costas do "Tempo" aquilo que elas mesmas não são capazes de fazer. Dizer que são cobardes ou apáticas, que ficam à espera que o "Destino" ou outra coisa qualquer resolva os seus problemas em vez de "pegarem o touro pelos cornos", dizer que se iludem ao julgar toda a gente pela mesma bitola e ao achar que todos vão acabar por ceder perante certos cenários é já, provavelmente, pensar muito sobre pessoas assim.

Cada um engana-se da maneira que quer e há quem opte por se enganar repetindo que "o Tempo cura tudo", "resolve tudo", "faz esquecer tudo" e quejandos. E depois há uma meia dúzia de tipos, como eu, que sabem que o Tempo não faz nada a não ser revelar a verdadeira essência das pessoas e a falta de ovários ou tintins que as mesmas têm para resolver as coisas ou admitir que as coisas não têm outra resolução senão a que se cristalizou. Já escrevi bastante sobre isso por aqui [eu lembro-me].

As palavras têm um preço muito caro, por isso mesmo é que já os romanos, que não eram parvos, diziam: «se pensares não digas, se disseres não escrevas, se escreveres não assines». Não é de estranhar, portanto, que a maior parte das pessoas opte por nada fazer e prefira "deixar o Tempo correr". O Silêncio é muito mais cómodo do que a Palavra, já percebemos. Só uns quantos doidos varridos é que arriscam sentir, pensar, escrever e assinar. Os outros ficam à espera que o Tempo passe e algo aconteça, porque nunca se sabe: um casamento, um funeral, uma noite de copos e, de repente, a "malta vê-se por aí" e está tudo resolvido, "tão amigos que nós somos".

Pela minha parte, assumo inteiramente que [já] não espero nada de ninguém, mas muito menos espero de quem prometeu vir "um dia" ["quem sabe, talvez, não é?"]: a minha "cegueira emocional" já passou. Agora, só há uma grande consciência da fragilidade e da incapacidade do ser humano, a começar por mim mesma, às vezes. Não tenho ídolos, mas se os tivesse, teriam todos, sem excepção que confirmasse a regra, pés de barro. Seriam todos muito respeitavelmente humanos porque, como proclamou Nietzsche, "Deus está morto".

«Toda a gente tem um preço», diz-se, tal como se diz «quando não os podes vencer, junta-te a eles». É por isso que há quem se venda a troco de engolir uns valentes sapos e se renda por causa do amor [isto dava um refrão de uma canção], perante a insistência alheia ou outra treta qualquer. Por exemplo, há quem faça cair o Carmo e a Trindade num ano por causa da festa e no ano seguinte se junte à festa. Pode parecer mentira, mas afianço que é verdade, apesar de não vir sequer no «Borda d'Água».

Chamam a isso "Mudança" e pintam a coisa de dourado, para os mais distraídos pensarem que é coisa boa. Eu, porém, prefiro chamar os bois pelos nomes: não é "mudança", é "conformismo". Não, também não é "magnanimidade", "capacidade de perdoar", "excepcionalidade" ou o raio. Repito: é "conformismo", é a mais banal e despida evidência do célebre «se não podes vencê-los, junta-te a eles». É "resignação".

Felizmente para mim e para o resto do Mundo, eu não tenho pretensões de criar doutrina interpretativa de aplicação universal e gratuita daquilo que os outros fazem ou não fazem, dizem ou não dizem, escolhem ou recusam. Eu limito-me a chegar às minhas conclusões e a aplicá-las a mim e ao que me rodeia, à minha vida e ao que me acontece. Nesta matéria, eu chego-me.

Quanto aos doutrinadores paternalistas, que sejam muito felizes, mas não me impinjam a sua banha da cobra, por favor. Guardem-na lá para si mesmos, para justificarem perante si próprios as suas atitudes e a sua inépcia, porque deve ser um tanto ou quanto difícil olhar para o espelho e dar de caras com a contradição [perdão, "mudança", "mudança"!] em forma de gente. Se satisfaz, se conforta, digam lá que foi tudo obra do "Tempo" e da "Mudança" e, com um bocadinho de empenho, olhem para quem escolheu não entrar nas mesmas salgalhadas que deixam qualquer um de boca escancarada e digam que é muito intransigente, maluco, limitado, imaturo, rígido ou outra coisa qualquer [digam, escrevam e assinem e, de preferência, remetam para o endereço do dito cujo: assim a criatura ficar a saber exactamente o que V. Exas. pensam dela].

Bom a valer é que as pessoas não esperem ser tidas em grande conta quando optam, como os putos por fazerem fugas para a frente. É bom que as pessoas estejam conscientes de que nem todos são assim tão fáceis de levar, de que nem todos se deixam fascinar por frases feitas ouvidas a outrem e repetidas em estilo "disco-riscado" sem sequer raciocinar. Alguns de nós desconstroem o que lhes acontece e o que vivem, tal como desconstroem os comportamentos alheios em relação a si e aos outros.

É facto assente: alguns de nós sabem que "deixar passar o tempo" pode ser bem diferente de "não vou fazer nada e sempre pode ser que o Sol amanhã nasça quadrado". Alguns de nós sabem que "mudar" é sempre diferente de "resignar-se". Acima de tudo, alguns de nós têm memória e lembram-se do que ouviram dizer sobre outras pessoas que nada faziam a não ser dizer que iam "esperar pelo Tempo certo" [porque não eram capazes de mais, não era?]. E ainda há os que, a somar a isto tudo, de estúpidos não têm rigorosamente nada [estes são, provavelmente, os piores].

Pode ser uma chatice que um dia alguém tenha tido o azar de uma pessoa assim, com estas características irritantes, se ter cruzado consigo e, apesar dos seus múltiplos esforços para que a dita pessoa se tivesse "burrificado", a mesma não ter ficado tão burra quanto dava jeito que tivesse ficado, mas, graças a Deus, não há nenhuma obrigação de a aturar [garanto que não vem na Bíblia] e sempre a pessoa com azar pode mandar a outra dar uma curva [uma qualquer serve, nem sequer precisa de ser a nossa curva favorita]. Com efeito, mandar alguém "dar uma curva" também pode ser um dos significados de "deixar que o Tempo ou outra coisa qualquer nos reaproxime". Claro que sim: diziam que o D. Sebastião também haveria de voltar numa manhã de nevoeiro.

Como facilmente se conclui, se se escolher essa via, a vida oferece sempre uma forma de "arrumarmos" com as coisas que nos maçam ou podem vir a maçar-nos. A vida oferece sempre a faculdade de justificação de tudo e mais alguma coisa [assim queiram os outros acreditar nos motivos invocados]. A vida oferece sempre a possibilidade de dizer que nós não tivemos responsabilidade nenhuma nos acontecimentos, que foi a "Mudança" [nossa e dos outros] que provocou tudo, mesmo quando os acontecimentos não são mais do que simples produto das nossas escolhas [mais ou menos] conscientes.

Assim sendo, que ninguém se apoquente, que ninguém se apresse, que ninguém deixe de gozar todos os benefícios [serão mesmo?] da doce passagem do "Tempo" e da "Mudança": é indesmentível que a vida oferece sempre a possibilidade de deixar tudo, absolutamente tudo e todos, ao leve sabor do T(v)em(n)p(t)o.

[Nota: o título deste texto é um excerto de uma canção dos Xutos & Pontapés. Existe, obviamente, uma razão de ser para ter sido escolhido.]

Assina: © [m.m. botelho]

3.1.12

2012

No último dia de 2010, não comi as tradicionais doze passas. Isso não significa que não tivesse desejos para concretizar durante o ano que estava a começar, mas tão somente que não os quis enunciar naquele momento.

À meia-noite do último dia de 2011, não quis repetir o meu silêncio em relação aos meus planos e objectivos e, por isso, comi doze uvas [não aprecio passas] e pedi doze desejos.

Sobre o que espero de 2012 há a dizer somente isto: que seja um ano de concretizações. Se for um ano de concretizações, já será imenso. Oxalá.

© [m.m. botelho]

2.1.12

2011

Sobre 2011, apetece-me apenas relembrar que viajei, como queria [Israel e Bélgica lá fora; variados destinos cá dentro]; trabalhei muito [mais do que imaginei ser capaz]; li bastante [não tantos livros quanto gostaria, mas os que quis ler]; ouvi alguma música [muito menos do que costumava, é um facto, porque precisei muito, muito, de silêncio]; fui ao cinema [sozinha, como me propus]; pintei [mais de 4 anos depois!]; escrevi [textos, posts e o mais que me apeteceu]; tomei algumas decisões dolorosas [mas absolutamente indispensáveis para o meu bem-estar]; dei continuidade a um processo iniciado em 2010 e ainda não concluído [se é que alguma vez está].

Nem tudo foi bom. O ano que acabou não deixa saudades em relação a muitas coisas. Fiz alguns disparates, uns maiores do que outros. Sei que, no meio de alguns vórtices, espalhei alguma dor, mas nenhuma que considere insuportável ou injustificada, por isso, não me mortifico: a woman has got to do what a woman has got to do, mesmo que isso se traduza em algumas turras contra a parede [só não quero é andar às turras contra os outros, por favor]. A isso se chama "viver e aprender" e posso dizer que 2011 foi, numa parte muito substancial, um ano de aprendizagem [essencialmente, sobre mim e sobre o que desejo para mim].

Não quero fazer contas de subtrair nem alcançar nenhum saldo. Não vejo grande vantagem nisso, admito. Olho para 2011 e concluo o seguinte: vivi. Pode não parecer grande coisa aos olhos alheios, mas, para mim, é um feito considerável: poderia ter ficado sentada, amorfa, a ver a vida passar por mim, mas não foi essa a minha escolha.

Hoje, encaro cada dia, simultaneamente, como uma conquista e como uma dádiva. E posso dizer que cada um dos dias de 2011, tenham eles sido de choro ou de alegria, foi exactamente isso.

2012 já aí está e é muito bem-vindo. É mais um ano no meu calendário pessoal, são mais 366 dias de conquista e dádiva. Venham eles, que eu farei a minha parte. Sim, venham eles que eu sei [porque sinto] que terei a força e a coragem para fazer a minha parte.

© [m.m. botelho]

24.12.11

«muito estilo»

A minha Mãe para o meu sobrinho-afilhado-maravilha:
- F., então vamos lá: deseja à Madrinha um Feliz Natal e diz-lhe que peça ao Menino Jesus que lhe dê muita saúde e muito juízo.
E diz o F., voltado para mim:
- Madrinha, Feliz Natal e pede ao Menino Jesus que te dê muita saúde e muito estilo.

Facto assente: o meu sobrinho-afilhado-maravilha, que é um tipo brilhantemente inteligente, percebe que não vale de muito ter juízo se não se tiver muito estilo, portanto, toca de pedir ao Menino Jesus que me dê este último, já que para pedir que me dê juízo já cá está a minha Mãe.

[Grande F.! Oxalá o Menino Jesus te dê também muita saúde e muito juízo, mas também muito, muito estilo, meu querido amor. E não só no Natal, mas por toda a tua vida. Adoro-te, afilhado lindo. Também, como não te adorar, não é?]

© [m.m. botelho]

23.12.11

lisboa no natal

Com este, são já três os Natais seguidos em que me encontro doente. Nada de muito grave, mas o suficiente para causar mossa. Faço tudo o que tenho que fazer, vou onde tenho de ir, mas a saúde não está no seu auge.

No ano passado, passei a semana inteira de cama e não fiz algo que já há muitos anos fazia: ir a Lisboa na semana que antecede o Natal.

Este ano, mesmo adoentada, lá fui eu a Lisboa, ontem. Passeei pela Baixa, comprei alguns presentes para oferecer e algumas coisas para mim [que eu também mereço!]. Fui passar os olhos pelos sítios de que gosto e muitos dos quais descobri sozinha, ao longo de anos. E acabei a noite a jantar sushi e sashimi no «Estado Líquido», acompanhado por um chá estimulante e afrodisíaco.

A conclusão a que chego é a de que Lisboa não muda muito de ano para ano. Por isso, devo ser eu que a vejo com outros olhos, não sei, mas apesar de a achar muito igual ao que sempre é, encontro uma "nova" Lisboa de cada vez que lá vou. E, para quem não é de lá, não tem trabalhos lá nem tem lá família, até vou lá regularmente, com mais regularidade do que à primeira vista seria de supor.

Nessas visitas regulares que faço à cidade, procuro concentrar-me no que lá vou fazer e não tanto na observação da cidade. A "visita de Natal" [vou chamar-lhe assim], por seu turno, tem já um pouco de balanço [talvez pelo aproximar do fim-de-ano] e talvez por isso eu olhe a cidade com outros olhos, mais detidamente, mais detalhadamente.

Sempre o fiz e hei-de continuar a fazer, porque as cidades são como as pessoas: envelhecem, bronzeam-se, deprimem-se, festejam. E porque as cidades merecem uma visita. Lisboa é uma das minhas cidades que continua a merecer a minha visita e desse estatuto que ela tem para mim eu não abdico. E se não abdiquei até agora, parece-me muito difícil que o venha a fazer.

© [m.m. botelho]

17.12.11

cesária


Cesária Évora & Marisa Monte. «É doce morrer no mar».
Do álbum «Café Atlântico» [1999].

Morreu hoje Cesária Évora. Na despedida, outra vez a minha canção favorita na sua voz: «é doce morrer no mar». Até sempre, Cesária, «nas ondas verdes do mar».

© [m.m. botelho]

a brincadeira imita a realidade

Ontem, eu e o meu sobrinho-afilhado-maravilha estivemos a construir várias "Torres 5" do "Bairro do Aleixo" em Lego, que depois fazíamos colapsar com grande estrondo. É a brincadeira a imitar a realidade, mas desta vez sem perímetros de segurança, explosivos, bombeiros e polícias à mistura.

Fartámo-nos de rir. E foi tão bom. :)

[m.m. botelho]

16.12.11

«esta história não é tua»

Hesitei muito entre contar ou não aqui a história que me levou a escrever os posts «amargo de boca» e «instantâneos [42]», mas optei por fazê-lo, agora que tudo chegou ao fim e que me resigno com o lamentável desfecho que isto teve. Cá vai ela.

No início de Novembro, celebrei com a TMN um contrato que me permitia adquirir um iPhone a um preço reduzido, desde que subscrevesse um determinado tarifário e me vinculasse a ele durante o período de 24 meses. Na loja informaram-me que, caso repensasse a situação e quisesse voltar atrás na decisão, bastaria devolver o equipamento na caixa original e com os acessórios originais, tudo em excelente estado de conservação, no prazo de 30 dias e que o montante que eu tinha pago me seria devolvido e o contrato resolvido.

Passados sete dias, quis resolver o contrato com a TMN. Dirigi-me à loja e, junto do mesmo funcionário, apresentei o iPhone tal como me tinha sido dito uma semana antes e disse que queria resolver o contrato. O funcionário verificou o equipamento, pegou nas cópias dos contratos e dirigiu-se ao interior da loja. Passados 40 minutos, regressou e informou-me de que eu não poderia devolver o equipamento à TMN, mas teria de o fazer junto da Apple, pois a TMN só poderia aceitar a devolução caso a Apple a aceitasse previamente.

Fiquei muito espantada e disse-lhe que isso era ridículo, visto que a Apple era um terceiro alheio ao meu contrato com a TMN. Se eu tinha celebrado o contrato com a TMN, era com a TMN que tinha de o resolver e não com a Apple. Perante a recusa do funcionário, apresentei uma reclamação por escrito.

Passados 2 dias, fui informada telefonicamente de que deveria contactar a Apple, ou seja, repetiram a informação dada pelo funcionário na loja. Então, eu escrevi um e-mail ao "Apoio a Clientes Comerciais da PT" (que é o que eu sou), expondo toda a situação e pedindo uma resposta por escrito. Como resposta, recebi um daqueles e-mails automáticos que dizem que o e-mail foi recebido e a situação será analisada e respondida no prazo de 10 dias.

Passados 10 dias, nenhuma informação me havia sido dada. Voltei à loja para devolver o equipamento, mas uma vez mais a TMN "empurrou" o assunto para a Apple. Insisti via e-mail e a resposta lá veio: teria de contactar a Apple. A contragosto, contactei a Apple e eis que a Apple me informa, via e-mail, de que a informação prestada pela TMN é falsa e de que a Apple é absolutamente alheia aos contratos celebrados entre as operadoras e os seus clientes e que as normas desses contratos são estabelecidas exclusivamente pelas operadoras, ou seja, a Apple veio dizer aquilo que eu já havia antecipado logo no primeiro dia em que a TMN tentou "empurrar" a resolução da questão para a Apple.

Então, eu enviei por e-mail à TMN o e-mail da Apple e pedi que se pronunciassem agora, perante este novo facto, sobre como pretendiam resolver a situação. E regressei à loja onde, pela terceira vez e sempre junto do mesmo funcionário, tentei resolver o contrato e devolver o iPhone. Uma vez mais, da parte do "Apoio a Clientes Comerciais da PT" obtive silêncio e da parte do funcionário da loja obtive espanto, que eram as informações que lhe tinham dado, que não sabia que a Apple não tinha intervenção no processo de resolução dos contratos, que sempre pensou que os equipamentos tinham de ser devolvidos à Apple, que ia enviar o e-mail da Apple para um departamento da TMN que me daria uma resposta definitiva em 48 horas.

E eu, pela terceira vez, farta de ser enganada, pedi ao funcionário que chamasse o gerente de loja e, então, chamei "mentirosa" e "falsária" à TMN, disse-lhes que a TMN tinha inventado aquela patranha da necessidade da autorização prévia da Apple apenas para me enganar, para prolongar o procedimento de resolução do contrato, para me impedir de exercer o meu direito que o próprio funcionário da loja me havia dito que eu podia exercer durante 30 dias.

E eis que ele, o funcionário, que até ali sempre havia fingido ser um totó que se limitava a cumprir ordens superiores, se volta para mim e diz que o prazo para troca e devolução dos equipamentos só existe nas vendas online e não nas vendas presenciais e que, como eu tinha adquirido o equipamento na loja, não tinha direito a qualquer resolução do contrato a não ser no dia em que o celebrei.

Ele, que me tinha dito que eu tinha o prazo de 30 dias para devolver o equipamento e resolver o contrato, estava agora a dizer-me que não, que eu não tinha direito a qualquer prazo para o fazer! Isto é: a dar o dito por não dito, a mentir, a falsear, a "fugir com o rabo à seringa", a dizer que não disse o que disse!

Fiquei transtornada, como é óbvio. Cheguei a casa, procurei todos os talões e condições gerais. Em nenhum consta expressamente que posso devolver o equipamento ou resolver o contrato. De acordo com a legislação vigente, isso fica ao critério de cada loja, logo, a TMN, depois de ter tentado "empurrar" a culpa da impossibilidade de resolução para a Apple sem sucesso (apenas para branquear a sua imagem, claro, ainda que isso "queime" a imagem da Apple), admite, só porque é obrigada, que afinal não resolve o contrato e não aceita o equipamento porque essa é a sua política de vendas, ao contrário daquilo que diz aos clientes, mas apenas verbalmente.

Em suma, os funcionários das lojas TMN dão informações falsas aos clientes no que respeita ao processo de trocas e/ou resoluções dos contratos e ficam impunes por isso, porque a grande questão que se coloca aqui é a da prova: como tudo se passou verbalmente e, ainda por cima, eu não tinha testemunhas na altura da compra, não tenho como provar que o funcionário da TMN me disse expressamente que eu poderia resolver o contrato no prazo de 30 dias, visto que ele mesmo nega tê-lo dito. Não tendo como fazer a prova, nada mais me resta senão resignar-me.

É por isso que toda esta situação que veio a lume no dia 8 de Dezembro poderia estar resolvida três semanas antes se a TMN tivesse admitido logo que não resolveria o contrato comigo porque não resolve contratos feitos presencialmente e não tivesse andado a inventar patranhas para me "enrolar". Talvez nesse caso eu tivesse compreendido e não me tivesse sentido enganada. E talvez assim a TMN tivesse conseguido salvar uma relação com uma cliente, o que não conseguiu, porque findo o período de vinculação, a operadora em causa não verá nem mais um cêntimo da minha parte [percebe-se melhor agora o post «amargo de boca»?].

De igual modo, também não vou esquecer que o funcionário da loja, que terá a minha idade ou muito perto disso, negou nos meus olhos o que me tinha dito um mês antes com a voz a tremer, o rosto vermelho como um pimento, os olhos raiados como os de um puto que quase vai chorar enquanto o lábio inferior lhe tremia. É dos espectáculos mais deprimentes a que podemos assistir: ver alguém já crescidinho (com mais de 10 anos, vá) mentir [percebe-se melhor agora o post «instantâneos [42]»?]

E pronto. Pode ser que agora, que está contada a história, se leiam os referidos posts com os olhos com que têm de ser lidos e sem deturpações. Afinal, não passam de posts sobre a minha triste aventura com a TMN e nada mais.

É como canta o Jorge Palma: «Deixa-me rir, esta história não é tua». Se calhar, até podia ser, mas não é. É minha e da TMN, só isso. Valha-me a santinha dos iPhones.

© [m.m. botelho]

15.12.11

instantâneos [43]

[visto aqui]

Nem de propósito: depois de eu ter escrito isto.

eu

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