17.1.12

instantâneos [46]

visto aqui
[Grafito fotografado em Lisboa.]

mãos à obra

Não há nada como "meter a mão na massa", digamos assim, em relação a algo que estamos a ponderar seriamente se apreciaríamos verdadeiramente ou não para ficarmos a saber se odiaríamos ter de o fazer durante o resto da vida ou se vibraríamos todos os dias se tivéssemos oportunidade de o fazer. Comigo aconteceu assim. Lentamente, "fui metendo a mão na massa" e nem dei por isso e a conclusão a que cheguei foi a de que, se me dessem a oportunidade de o fazer todos os dias da minha vida, isso me traria um enorme estado de satisfação e completude.

A parte mais difícil, que era esta que descrevi, já está. Agora só falta pôr mãos à obra para alcançar a possibilidade, para tornar o desejo realidade. Para isso, é preciso focar-me completamente no objectivo. É por isso que o mundo à minha volta pode ruir completamente, o barulho das palavras alheias ser ensurdecedor, ficar tudo e mais alguma coisa de pernas para o ar que eu não me desviarei do meu caminho. Sei o que quero, sei quanto o quero e sei o que tenho de fazer para o alcançar e isto é tudo o que me importa até que o voo - ainda que inclinado - esteja cumprido.

© [m.m. botelho]

«algo desajustados e patéticos como se usassem roupa demasiado pequena para o seu tamanho»

«Quando comecei a sair à noite, há anos, havia sempre uns tipos mais velhos que iam ficando esquecidos, geração a geração, e iam adoptando as gerações cada vez mais novas por companhia. A dada altura, (acontecia com 2 ou 3 personagens) mesmo os solteirões da geração deles já tinham mudado de vida e deixado as saídas diárias, a geração seguinte à deles já estava a casar e ter filhos, e esses tipos já não eram os mais velhos do grupo de pessoas com quem saiam à noite, eram apenas tipos de 30 anos no meio de miúdos de 14, algo desajustados e patéticos como se usassem roupa demasiado pequena para o seu tamanho. Tentavam adaptar-se aos novos códigos e tribos, mas, depois do entusiasmo da recepção inicial, eram tratados, pelos mais novos, com algum desconforto, como se trata um tio gágá que insiste em fazer graçolas inconvenientes às nossas amigas. E lá iam, insistindo no ridículo da nova vaga de amigos com os quais, à semelhança dos anteriores, se incompatibilizariam, porque a idade mental é mais sincera e cruel do que a física e até na primeira se deixavam ficar confrangedoramente para trás. Há disto em todo o lado
Laura Abreu Cravo,
no post «Os que ficam», do blogue «A alma conservadora
».

[Está tão bem escrito que não é preciso retirar ou acrescentar seja o que for. O mais curioso é que, consoante os grupelhos, o inverso às vezes também se verifica.]

© [m.m. botelho]

16.1.12

o meu, o teu e o nosso

Na passada semana, o meu sobrinho-afilhado-maravilha insistiu para que o deixassem arrancar uma determinada folha de um catálogo de um hipermercado. Quando chegou o Pai, teve lugar a seguinte conversa:
O Pai - F., para que trazes essa folha na mão?
O sobrinho-afilhado - Estás a ver este camião de carga que está aqui? Eu trouxe a folha para tu veres porque tens de me comprar um.
O Pai - E, por acaso, tu sabes se o Papá e a Mamã têm dinheiro para te comprarem o camião de carga?
O sobrinho-afilhado - Temos, temos.

E assim se conclui que o dinheiro que até há instantes era da Mamã e do Papá, passou a ser da Mamã, do Papá e do F.. Toma lá, que é democrata!

© [m.m. botelho]

14.1.12

poesia escatológica

«Neste lugar sagrado
Onde a vaidade acaba
Todo o cobarde faz força,
Todo o valente se caga.»


[Lido num dos WC para homens - sim, sou muito distraída - da FDUC. Resta acrescentar que o poema teria cabimento em qualquer sala desta casa onde se realizem provas orais.]

© [m.m. botelho]

12.1.12

instantâneos [45]

© [m.m. botelho]
Coimbra. Portugal. 07.01.2012

A Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra no sábado passado. A FDUC tal como eu a via quando escrevi este post.

© [m.m. botelho]

11.1.12

uma possibilidade de definição [4]

visto aqui

10.1.12

uma mãe "macgyver"

A minha Mãe é uma daquelas senhoras que é tão prendada que sabe fazer quase tudo o que é preciso numa casa. Desde arranjos eléctricos a bolos de chocolate, passando por duas ou três técnicas de canalização, a minha Mãe, que domina todas as agulhas e todos os pontos de crochet, bordados, malha e um monte de outras coisas [como renda de bilros, por exemplo], também pinta, desenha, constrói e, mais importante do que tudo isso, olha para as coisas que precisam de intervenção e é capaz de idealizar imediatamente uma solução, tal como olha para qualquer objecto ou estrutura e é capaz de descrever logo como é que foi feito ou montada. É uma espécie de Mãe "MacGyver".

É a minha Mãe quem faz uma boa parte dos cachecóis que uso sempre, diariamente. Tenho-os de toda a maneira e feitio. O mesmo sucede com a minha irmã e também é a minha Mãe quem faz os gorros, as luvas e muitos dos cachecóis que o meu sobrinho-afilhado usa e que todos, sem excepção, lhe elogiam no Colégio. Temos uma sorte fenomenal, porque as pessoas acabam sempre por elogiar essas peças, seja pela originalidade, seja pela perfeição com que estão feitas e nós podemos dizer, com orgulho, que quem as fez foi a nossa Mãe ou Avó.

Há menos de uma semana, a minha Mãe fez-me um gorro tão-somente fantástico. Viu o modelo na internet, olhou para a fotografia e, pegando nas agulhas e na lã, tricotou-o. A minha cabeça só foi necessária no início, para assegurar que o gorro não ficava apertado [sempre são uns senhores 58 centímetros que é preciso respeitar!].

Quem já viu o meu gorro, diz que é bonito e que me fica bem. Eu fico até um pouco surpreendida com os comentários, porque gosto muito de andar de caracóis ao léu e raramente cubro a cabeça [só quando o sol forte a isso obriga, mais do que quando o frio é de cortar a respiração], mas a verdade é que o gorro é autêntico [há alguns parecidos, mas ainda não vi nenhum igual] e, por isso, não admira que as pessoas reparem nele. O espanto maior surge quando revelo que foi a minha Mãe que o fez, seguido da desolação de ficarem a saber que não vão poder comprar um igual numa loja.

Há muito poucas pessoas com as capacidades da minha Mãe. A somar ao incontável amor que lhe tenho é, também, por isso que eu não a trocaria por nenhuma outra.

[Depois, quem é que me faria os gorros e os cachecóis?! :)]

© [m.m. botelho]

mapa mundi


Pat Metheny. «A map of the world».
Do álbum «A map of the world (soundtrack)» [1999].

7.1.12

acreditar é bom, fazer é muito melhor

Diz o ditado que "o bom filho a casa torna". Eu não sei se serei de considerar uma boa filha, mas o que é facto é que estou de volta à FDUC, quase oito anos depois do último curso que aqui realizei. Não gosto e não quero estar parada em nenhum domínio, mas muito menos no académico e no profissional. Por isso, eis-me aqui, novamente disposta e motivada para aprender, com a perfeita noção de que o fazemos a vida inteira e morremos ignorantes na mesma.

O que interessa não são as maiores ou menores promessas daquilo que eu me sinto capaz de fazer. O que importa é aquilo que efectivamente eu faço e isto é algo que eu quero muito fazer e fazer bem. Assim, há que definir objectivos realizáveis e importantes e fazer tudo para os concretizar e quanto mais depressa, melhor, sem distracções de qualquer ordem, concedendo importância apenas àquilo que realmente a tem. Isto é o que eu tenho de fazer, é o que eu já estou a fazer. Sinto-me satisfeita comigo mesma e quero sentir-me ainda mais quando o dia da conclusão / concretização chegar.

[Depois de meses de resistência, o primeiro post escrito e publicado através do iPhone. Não é tão maçador como imaginava. Estou quase "pro" nisto! E gosto do primeiro escrito que aqui publico recorrendo a esta jigajoga! :) ]

© [m.m. botelho]

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