12.5.15

um pouco mais de pudor, por favor

Cyanide and Happiness © Explosm.net

Imaginemos. Imaginemos que alguém tem pretensão de concorrer a um concurso público. Imaginemos que esse alguém é licenciado em Direito. Imaginemos que esse alguém questiona se o prazo de 15 dias (fixado no aviso de abertura do tal concurso público) para envio das candidaturas se conta em dias seguidos ou em dias úteis.

Agora, cessemos de imaginar e vamos a factos. Um aviso de abertura de um concurso público é um acto administrativo. Direito e Processo Administrativo é uma cadeira do 2.º ano da licenciatura em Direito. Nessa cadeira, estuda-se o modo de contagem dos prazos fixados por acto administrativo. É suposto que alguém que seja aprovado nessa cadeira (e isso é imprescindível para se ser licenciado em Direito) saiba contar os prazos. Aliás, a contagem dos prazos é o básico-mais-básico-do-mais-basicozinho-que-há das cadeiras de direito processual.

Continuemos nos factos. O tal alguém de que falei acima usa o Facebook para dizer que pretende concorrer ao concurso público e para questionar num grupo de juristas como é que se conta o prazo, de modo a saber até quando pode concorrer. Duas almas piedosas respondem-lhe, uma delas fazendo mesmo a contagem do prazo e dizendo-lhe que tem de enviar a candidatura até ao dia "x". O alguém agradece a resposta da alma caridosa, com ponto de exclamação e tudo.

O que é que me incomoda nesta situação? Não, não é o facto de alguém licenciado em Direito não saber contar um prazo administrativo. O que me incomoda é o despudor que esse alguém tem em exibir essa sua ignorância num grupo do Facebook, à vista de qualquer membro que o integre. Uma pesquisa no Google por "como se contam os prazos em direito administrativo" ter-lhe-ia dado a resposta e eu não teria de ser confrontada com aquela tristeza de comentário/pergunta.

Já não chega eu ter de levar com gente que come de boca aberta, com gente que pousa os talheres no prato para fora, com gente que arrota no meio da rua, com gente que cospe para o chão, com gente que não toma banho, com gente que deita lixo para o chão, com gente que estaciona o carro a ocupar dois lugares, com tipos que urinam para as paredes das casas que não são deles, já não me basta ter de levar com o despudor da exibição de uma gigantesca falta de educação desta gente, ainda tenho de levar com o despudor da exibição da ignorância de aspectos básicos por parte de juristas com demasiada preguiça para ir ler a lei (ou pesquisar no Google, D'us meu!)?

Recuso-me. Recuso-me a assistir a estas demonstrações de ignorância e de preguiça intelectual. Por favor, fazei como eu: quando não souberdes alguma coisa (e são incontáveis as que eu não sei), procurai a resposta por vós mesmos, nos livros, na internet, perguntai à Mãe, ao cão, ao gato, ao periquito, mas não me obrigueis a assistir ao espectáculo decadente do vosso desavergonhado comodismo mental.

© [m.m.b.]

1.4.15

que sejam uns fabulosos 35

© explodingdog | bright colors | 2002

15.3.15

instantâneos [56]


© [m.m.botelho]

Palácio dos Melo. Antiga Faculdade de Farmácia, actual extensão da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Do interior da sala 1.1, no dia 2015.03.13.

4.3.15

«quebra-esquinas»


fonte: web
na imagem: Marlon Brando (s.d.)

A palavra do dia de hoje do dicionário online da Priberam é «quebra-esquinas», que tem dois significados, ambos informais. O primeiro é «pessoa que não tem ocupação ou não faz nada (ocioso, tunante, vadio, vagabundo)» e o segundo é «pessoa que gosta de namorar ou tem muitos namorados ou namoradas (namoradeiro, namoradiço, namorador)».

Em suma e em síntese, «quebra-esquinas» é epíteto que assenta tanto a um sujeito que evita trabalhos como a outro que passa a vida a meter-se numa carga deles.

3.2.15

instantâneos [55]

© JM Lopez/AFP/Getty Images
fonte: The Dark Room. The Baltimore Sun [photo 7]

Uma boneca abandonada entre os escombros.
Bairro de Saif al-Dawla, Aleppo, Síria.
2013.09.19

31.1.15

o.O


Uma das decorrências mais maravilhosas de escrever um blogue é o facto de não se ser levado demasiado a sério. Talvez nenhuma outra plataforma de escrita ofereça tanto esta vantagem (sim, é uma vantagem) aos utilizadores quanto o blogue.

Ser-se levado demasiado a sério pode, por um lado, ser castrador para quem escreve e, por outro, ser enganador para quem lê. Quem escreve não pode ter preocupações sobre a forma como o que escreveu será interpretado, porque, de outro modo, haveria de ficar de tal forma petrificado pelo receio da má interpretação que acabaria por nada escrever. Já quem lê, não pode concluir que há apenas uma forma de interpretar o que foi escrito, ou melhor, poder até pode, mas não deve, porque incorrerá no equívoco de achar que sabe, quando na verdade não pode, de todo, saber.

© [m.m.b.]

«so incredibly high»

© John Atkinson
fonte: wrong hands

[m. is listening to The Beatles.]

9.11.14

muro


© [m.m.b.]. Pormenor da entrada do Mauer Museum. Berlim. Agosto 2009

Um muro divide, demarca, separa, autonomiza, afasta.

E destrói-se.

[no 25.º ano após o derrube do "muro de Berlim": 1989.11.09 - 2014.11.09]

© [m.m.b.]

5.11.14

cool & calm

«[T he successful person] is always prepared. Even in failure, he is composed. He is not easily discouraged. [He] considers his struggles to be a kind of sport, and he approaches them as he would a game. He contends with life's difficulties in a relaxed and pleasant manner. He keeps a clear head even when things go wrong. And please believe me when I tell you: successful people are never sore losers; they're the ones who don't whine and give up after every failure. Indeed, they are the ones who keep their chins up, weather life's misfortunes, and live to fight another day. Who will be first to fail the test? The timid and the faint of heart. The whiners, the complainers. He who goes to the exam cool and calm is already halfway there. Such people are in great demand today. That is, I believe, the secret of success

Water Benjamin cit. in
Rosenthal, Lecia (ed.) - Radio Benjamin (Jonathan Lutes (trad.)). London: Verso, 2014
.

16.6.14

instantâneos [54]


fonte: web

eu

[m.m. botelho] || Marta Madalena Botelho
blogues: viagens interditas [textos] || vermelho.intermitente [textos]
e-mail: viagensinterditas @ gmail . com [remover os espaços]

blogues

os meus refúgios || 2 dedos de conversa || 30 and broke || a causa foi modificada [off] || a cidade dos prodígios || a cidade surpreendente || a curva da estrada || a destreza das dúvidas || a dobra do grito || a livreira anarquista || a mulher que viveu duas vezes || a outra face da cidade surpreendente || a minha vida não é isto || a montanha mágica || a namorada de wittgenstein || a natureza do mal || a tempo e a desmodo || a terceira noite || as folhas ardem || aba da causa || adufe || ágrafo || ainda não começámos a pensar || albergue dos danados || alexandre soares silva [off] || almocreve das petas [off] || animais domésticos || associação josé afonso || ana de amsterdam || antónio sousa homem || atum bisnaga || avatares de um desejo || beira-tejo || blecaute-boi || bibliotecário de babel || blogtailors || blogue do jornal de letras || bolha || bomba inteligente || cadeirão voltaire || café central || casadeosso || causa nossa || ciberescritas || cibertúlia || cine highlife || cinerama || coisas do arco da velha || complexidade e contradição || córtex frontal [off] || crítico musical [off] || dados pessoais || da literatura || devaneios || diário de sombras || dias assim || dias felizes || dias im[perfeitos] || dias úteis || educação irracional || entre estantes || explodingdog > building a world || f, world [guests only] || fogo posto || francisco josé viegas - crónicas || french kissin' || gato vadio [livraria] || guilhermina suggia || guitarra de coimbra 4 [off] || húmus. blogue rascunho.net || il miglior fabbro || imitation of life || indústrias culturais || inércia introversão intusiasmo || insónia || interlúdio || irmão lúcia || jugular || lei e ordem || lei seca [guests only] || leitura partilhada || ler || literatura e arte || little black spot || made in lisbon || maiúsculas [off] || mais actual || medo do medo || menina limão || menino mau || miss pearls || modus vivendi || monsieur|ego || moody swing || morfina || mundo pessoa || noite americana || nuno gomes lopes || nu singular || o amigo do povo || o café dos loucos || o mundo de cláudia || o que cai dos dias || os livros ardem mal || os meus livros || oldies and goldies || orgia literária || ouriquense || paulo pimenta diários || pedro rolo duarte || pequenas viagens || photospathos || pipoco mais salgado || pó dos livros || poesia || poesia & lda. || poetry café || ponto media || poros || porto (.) ponto || postcard blues [off] || post secret || p.q.p. bach || pura coincidência || quadripolaridades || quarta república || quarto interior || quatro caminhos || quintas de leitura || rua da judiaria || saídos da concha || são mamede - cae de guimarães || sem compromisso || semicírculo || sem pénis nem inveja || sem-se-ver || sound + vision || teatro anatómico || the ballad of the broken birdie || the sartorialist || theoria poiesis praxis || theatro circo || there's only 1 alice || torreão sul || ultraperiférico || um amor atrevido || um blog sobre kleist || um voo cego a nada || vida breve || vidro duplo || vodka 7 || vontade indómita || voz do deserto || we'll always have paris || zarp.blog

cultura e lazer

agenda cultural de braga || agenda cultura de évora || agenda cultural de lisboa || agenda cultural do porto || agenda cultural do ministério da cultura || agenda cultural da universidade de coimbra || agenda de concertos - epilepsia emocional || amo.te || biblioteca nacional || CAE figueira da foz || café guarany || café majestic || café teatro real feitorya || caixa de fantasia || casa agrícola || casa das artes de vila nova de famalicão || casa da música || centro cultural de belém || centro nacional de cultura || centro português de fotografia || cinecartaz || cinema 2000 || cinema passos manuel || cinema português || cinemas medeia || cinemateca portuguesa || clube de leituras || clube literário do porto || clube português artes e ideias || coliseu do porto || coliseu dos recreios || companhia nacional de bailado || culturgest || culturgest porto || culturporto [rivoli] || culturweb || delegação regional da cultura do alentejo || delegação regional da cultura do algarve || delegação regional da cultura do centro || delegação regional da cultura do norte || e-cultura || egeac || era uma vez no porto || europarque || fábrica de conteúdos || fonoteca || fundação calouste gulbenkian || fundação de serralves || fundação engenheiro antónio almeida || fundação mário soares || galeria zé dos bois || hard club || instituto das artes || instituto do cinema, audiovisual e multimédia || instituto português da fotografia || instituto português do livro e da biblioteca || maus hábitos || mercado das artes || mercado negro || museu nacional soares dos reis || o porto cool || plano b || porto XXI || rede cultural || santiago alquimista || são mamede - centro de artes e espectáculos de guimarães || sapo cultura || serviço de música da fundação calouste gulbenkian || teatro académico gil vicente || teatro aveirense || teatro do campo alegre || theatro circo || teatro helena sá e costa || teatro municipal da guarda || teatro nacional de são carlos || teatro nacional de são joão || teatropólis || ticketline || trintaeum. café concerto rivoli

leituras e informação

365 [revista] || a cabra - jornal universitário de coimbra || a oficina [centro cultural vila flor - guimarães] || a phala || afrodite [editora] || águas furtadas [revista] || angelus novus [editora] || arquitectura viva || arte capital || assírio & alvim [editora] || associação guilhermina suggia || attitude [revista] || blitz [revista] || bodyspace || book covers || cadernos de tipografia || cosmorama [editora] || courrier international [jornal] || criatura revista] || crí­tica || diário de notícias [jornal] || el paí­s [jornal] || el mundo [jornal] || entre o vivo, o não-vivo e o morto || escaparate || eurozine || expresso [jornal] || frenesi [editora] || goldberg magazine [revista] || granta [revista] || guardian unlimited [jornal] || guimarães editores [editora] || jazz.pt || jornal de negócios [jornal] || jornal de notí­cias [jornal] || jusjornal [jornal] || kapa [revista] || la insignia || le cool [revista] || le monde diplomatique [jornal] || memorandum || minguante [revista] || mondo bizarre || mundo universitário [jornal] || os meus livros || nada || objecto cardí­aco [editora] || pc guia [revista] || pnethomem || pnetmulher || poets [AoAP] || premiere [revista] || prisma.com [revista] || público pt [jornal] || público es [jornal] || revista atlântica de cultura ibero-americana [revista] || rezo.net || rolling stone [revista] || rua larga [revista] || sol [jornal] || storm magazine [revista] || time europe [revista] || trama [editora] || TSF [rádio] || vanity fair [revista] || visão [revista]

direitos de autor dos textos

Os direitos de autor dos textos publicados neste blogue, com excepção das citações com autoria devidamente identificada, pertencem a © 2008-2019 Marta Madalena Botelho. É proibida a sua reprodução, ainda que com referência à autoria. Todos os direitos reservados.

direitos de autor das imagens

Os direitos de autor de todas as imagens publicadas neste blogue cuja autoria ou fonte não sejam identificadas como pertencendo a outras pessoas ou entidades pertencem a © 2008-2019 Marta Madalena Botelho. É proibida a sua reprodução ainda que com referência à autoria. Todos os direitos reservados.

algumas notas importantes sobre os direitos de autor

» O âmbito do direito de autor e os direitos conexos incidem a sua protecção sobre duas realidades: a tutela das obras e o reconhecimento dos respectivos direitos aos seus autores.
» O direito de autor protege as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, por qualquer modo exteriorizadas.
» Obras originais são as criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu género, forma de expressão, mérito, modo de comunicação ou objecto.
» Uma obra encontra-se protegida, logo que é criada e fixada sob qualquer tipo de forma tangível de modo directo ou com a ajuda de uma máquina.
» A protecção das obras não está sujeita a formalização alguma. O direito de autor constitui-se pelo simples facto da criação, independentemente da sua divulgação, publicação, utilização ou registo.
» O titular da obra é, salvo estipulação em contrário, o seu criador.
» A obra não depende do conhecimento pelo público. Ela existe independente da sua divulgação, publicação, utilização ou exploração, apenas se lhe impondo, para beneficiar de protecção, que seja exteriorizada sob qualquer modo.
» O direito de autor pertence ao criador intelectual da obra, salvo disposição expressa em contrário.