29.6.11

não há mais vento

Escrevi teu nome no vento
Convencido que o escrevia
Na folha do esquecimento
Que no vento se perdia

E ao vê-lo seguir envolto
Na poeira do caminho
Julguei meu coração solto
dos elos do teu carinho

Pobre de mim, nem pensava
que tal e qual como eu
O vento se apaixonava
por esse nome que é teu

Enquanto o vento se agita
agita-se o meu tormento
Quero esquecer-te, acredita
mas cada vez há mais vento


«Carminho». «Escrevi teu nome no vento».
Do álbum «Fado» [2009].
Letra de Jorge Rosa e música de Raul Ferrão [Fado "Carriche"]

Na passada sexta-feira, foi pela voz do Pedro Moutinho, no «Mesa de Frades», em Lisboa. Hoje é pela voz da Carminho. E não há vento, não há mais vento, não há mais nada a não ser o meu sorriso e a minha felicidade. E é maravilhoso.

© [m.m. botelho]

28.6.11

a história da maria vitória


© Ralph Lazar & Lisa Swerling

Quando eu já não tinha idade para que me contassem histórias antes de adormecer, às vezes ainda pedia à minha Mãe que me contasse uma. A minha Mãe, muito pragmática e com solução para tudo excepto para os males do coração, contava-me, então, a «História da Maria Vitória», a qual rezava assim: «Era uma vez uma menina que se chamava Maria Vitória. Morreu a menina, acabou-se a história». E depois disto, com um pouco de sorte e de insistência, seguia-se a «História do Pai careca» ou, com um pouco de azar e determinação, seguia-se um beijo de boa noite e fim de parlatório.

Hoje dei com a imagem que ilustra este texto e lembrei-me disso, das histórias rápidas, tão rápidas que só têm princípio e fim, como a «História da Maria Vitória». Histórias daquelas que acabam tão rapidamente como começaram: num fósforo, e vai-se ver o que há de miolo nelas e nada encontramos.

Todos teremos histórias dessas nas nossas vidas, parece-me. E se há facto verdadeiro nisto tudo é este: a menina morre e, depois, a história acaba. Sim, quando a menina morre, a história acaba mesmo. [E ainda bem.]

© [m.m. botelho]

22.6.11

um jardim bonito, mesmo que plantado de novo

Durante quase toda a minha vida fui uma panhonhas de primeira apanha no que concerne ao que os outros faziam e, por arrasto, me envolvia e fazia sofrer. Foram momentos muito raros na minha vida, porque tenho a sorte de ser uma tipa que já riu e foi feliz muito mais do que chorou e sofreu. Talvez por isso não soubesse lidar com momentos destes e fosse panhonhas, naba, totó ao lidar com eles.

Entretanto, algumas mudanças se operaram em mim. Uma delas foi o ganho da consciência de que, em determinados momentos da nossa vida, por muito que queiramos não conseguimos lidar com certos comportamentos e certas pessoas à nossa volta. Então, nesse caso, o melhor é não criar conflitos com os outros, mas sim afastarmo-nos deles, assumindo a nossa incapacidade, falta de vontade, pachorra ou o que seja para lidarmos com eles naquele momento. Assim, ninguém se magoa, não há lugar a sarcasmos, a hipocrisias ou a deslealdades, ainda que só nós nos apercebamos deles. Trata-se apenas de um afastamento para poder limpar o coração e os olhos dos jorros de sangue e lágrimas. Apenas isso, mas tão essencial.

Se o afastamento se manterá ou não, a vida se encarregará de o mostrar, acredito. Sei que o tempo tem um papel fundamental a desempenhar na vida de todos nós e que às vezes grita tanto aos nossos ouvidos que precisamos dele, que não temos alternativa senão pôr determinadas coisas em suspenso e esperar que o tempo faça o seu papel.

Acima de tudo, estão as minhas necessidades e o meu bem-estar e se eu me peço a mim mesma espaço e tempo, estaria a desrespeitar-me muitíssimo se não mos concedesse; estaria, no fundo, a ser uma panhonhas de primeira apanha. Não quero voltar a sê-lo.

Tal como sucede com os jardins, também nós, às vezes, precisamos de revolver a terra e arrancar-lhe todas as raízes para que algo novo e belo possa ser plantado e floresça. É tramado quando se trata de arrancar árvores centenárias ou daquelas que têm raízes muito extensas, mas até essas um dia têm de ceder o seu lugar. Como é óbvio, este é um processo muito mais exigente para o jardineiro do que para a árvore, porque ele é que tem de cortar, arrancar, arar, plantar, regar, zelar pelo novo florescimento, mas nem todos vêem isto, porque há sempre, pelo menos, duas perspectivas do mesmo cenário. Que fazer? Nada. Aceitar que cada um vê como pode e sabe e seguir em frente.

Posso vir a mudar de ideias (porque só os burros é que não mudam), mas hoje sinto que prefiro mil vezes um afastamento tranquilo e leal a uma proximidade tumultuosa e desconfiada. Hoje sei que prefiro que o meu coração seja um jardim bonito, mesmo que plantado de novo, do que um jardim muito antigo, mas cheio de raízes e plantas mortas. Por isso, eu que nunca plantei uma árvore no sentido exacto do termo, ando a estragar as unhas e as mãos na terra fictícia do jardim do meu peito, mas sei que é o melhor que posso e devo fazer por mim. Vão-se os anéis, mas fiquem os dedos, mesmo que com as unhas estragadas. Os dedos são insubstituíveis, eu sou insubstituível para mim mesma e é isso que, antes de mais, tem de guiar o que eu faço com a minha vida. É isso que, antes de mais, devia guiar o que todos nós fazemos com as nossas vidas.

© [m.m. botelho]

21.6.11

de novo, verão

fonte: visto aqui

E, como é consabido, as histórias de Verão nunca passarão disso mesmo: de histórias de Verão.

© [m.m. botelho]

20.6.11

uma possibilidade de definição [1]

visto aqui

17.6.11

incomparável

Que os momentos são únicos e, portanto, não se repetem, é uma verdade de La Palice que qualquer tolo sabe. No que me parece que nem todos [a começar por mim, às vezes] reflectem devidamente é no facto de essa característica de irrepetibilidade significar que podemos voltar às datas, aos sítios, até mesmo às pessoas, que mesmo assim os momentos não serão, sequer, comparáveis. Os anos passam, os dias do calendário repetem-se [os aniversários, as passagens de ano, os Natais, os feriados], voltamos a fazer as mesmas coisas com as mesmas pessoas mas cada dia é um dia em si, que não pode ser comparado com nenhuma outra circunstância parecida.

Não há parecenças entre os dias e os acontecimentos. Pode haver parecenças em tudo o resto, mas não no que sentimos dentro do peito a cada instante. Por isso, porque somos o que somos apenas naquele específico segundo em que somos aquilo, não podemos comparar isso com nada. Não podemos comparar isso com absolutamente nada, ainda que à volta tudo seja igual.

© [m.m. botelho]

14.6.11

instantâneos [35]

[visto aqui]

Quem diria que eu, que mudava [e mudo] de estação de cada vez que passava [e passa] a «Chasing pavements», canção que considerava [e considero] profundamente irritante, um dia haveria de publicar no meu blogue uma imagem com um excerto de uma das canções da Adele (neste caso, «Turning tables»)?!

Sucede que, neste momento esta frase espelha tudo o que eu quero dizer: que ninguém se aproxime, que ninguém me toque, que ninguém me magoe mais, por favor. Por isso, ainda que ela seja um excerto de uma das canções da Adele, fica aqui publicada, porque resume tudo o que neste momento eu consigo dizer.

[Às vezes, interrogo-me sobre o que seria de mim sem as palavras, mesmo que as das canções.]

© [m.m. botelho]

10.6.11

feriado

Ah, se eu mandasse! Se eu mandasse, o feriado seria não a 10 de Junho, mas sim a 10 de Julho. Ah, se eu mandasse!
© [m.m. botelho]

3.6.11

toma «Centrum», pequena, toma «Centrum»!

Acho que se voltar a ler num blogue um apelo para ir votar no próximo Domingo, vomito. Eu até compreendo que nos blogues ditos "políticos" se façam esses apelos, se apresentem declarações de voto e se faça propaganda por um determinado partido. Já num blogue que não tenha essa característica vincada, que sentido faz estar ali a apregoar «vão votar», como se disso dependesse a própria sobrevivência? E qual é o interesse do leitor em saber que o Autor do blogue "X" (que é, por hipótese, de cariz literário, pessoal ou desportivo), vai votar neste ou naquele partido? Acaso saber o sentido de voto dos outros influencia o meu? Bem, o meu não influencia, mas se calhar até influencia o de uns quantos patetas que não sabem destrinçar a admiração que se tem por uma pessoa numa determinada área, do seguidismo que se pode ou não fazer das suas convicções políticas. Por exemplo, eu tenho o maior respeito e admiração intelectual e académica pelo Professor Doutor Gomes Canotilho, mas não partilho da sua ideologia política, logo, por muito que ele me dissesse «vou votar no partido "Y"», eu não votaria no partido "Y". Daqui se conclui que, se alguém votar no partido "Y" só porque "A" vota no partido "Y", fá-lo porque não passa de um grande nabo que não tem consciência de que o voto é um acto individual.

Assim sendo, só compreendo estas declarações de voto de gente que nem sequer está ligada à política como uma qualquer necessidade de afirmação de que se faz parte deste ou daquele grupo (os que votam "naquele" partido). E essa necessidade de afirmação vem de onde? Será da importância que dão a sentirem-se identificados com as figuras públicas que também votam nesses partidos? É uma hipótese, mas Freud que explique, que eu não tenho interesse ou conhecimentos para tanto e, em boa verdade, também não tenho tempo para me dedicar a analisar a vida dos outros, que a minha já me dá o que fazer.

O que acho tremendamente curioso é que as pessoas que muito apelam ao voto são precisamente aquelas que, provavelmente, já falharam o dever cívico noutros actos eleitorais. Fazem-me lembrar aqueles sujeitos que nunca tomaram vitaminas na vida e um dia vão ao médico, que lhes receita uma embalagem de «Centrum». É ouvi-los, a partir de então, a recomendar «Centrum» a toda a gente, como se não tomar «Centrum» fosse um pecado. Com o voto passa-se mais ou menos o mesmo. Um dia acordam e descobrem que faz todo o sentido ir votar, principalmente agora, neste momento, por causa da crise e tal e tal. Tal como um dia acordaram e perceberam que, como estavam em crise, tinham de poupar, mas só porque estavam em crise.

O português-médio é assim: nos momentos especialmente delicados vota; quando a crise aperta, tenta poupar (a maior parte nem consegue poupar porque não tem por onde), quando troveja, invoca Santa Bárbara. Mas só faz uma coisa quando sucede a outra, caso contrário, vive «pobrete, mas alegrete».

Às vezes questiono-me se aquela gente que vai para as televisões dizer que agora leva a refeição de casa para comer no trabalho só descobriu no século XXI a existência das marmitas e dos «Tupperwares», do mesmo modo que me interrogo se esta gente que agora apela ao voto em cada post que escreve só descobriu agora que existem actos eleitorais e que votar é um dever cívico.

Não há pachorra para esta gente. Se estivessem caladinhos faziam melhor figura. Assim só mostram que não passam de uns acomodados que só se levantam da cadeira para ir fazer alguma coisa quando a casa já está a arder. E uma pontinha de vergonha na cara, não? Oh, não, isso é só quando for absolutamente necessário. Até lá, deixa arder que o FMI é bombeiro e a abstenção é rainha. Não há pachorra.

[Nota: o título deste post é uma adaptação livre feita por mim de um conhecido verso de Álvaro de Campos.]

© [m.m. botelho]

2.6.11

instantâneos [34]

[visto aqui]

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